CONVITE | Sessão CCLV dos Seminários à Hora do Almoço | Maria Lúcia Dal Farra

No próximo dia 3 de Dezembro, pelas 13h00, decorrerá a Sessão CCLV dos Seminários à Hora do Almoço (Nova Série Letras/Direito), que terá lugar na sala do Polo Centro de Tradições Populares / CLEPUL (FLUL), que contará com a presença da Prof. Doutora Maria Lúcia Dal Farra (Universidade Federal de Sergipe/CNPq), que apresentará o tema «O corpo insepulto de Florbela».

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Apresentação da revista “folhas, letras & outros ofícios”

Apresentação | Os rascunhos d’Os Degraus do Parnaso, de M. S. Lourenço | 9 dez. | 18h00 | BNP

M. S. Lourenço (1936-2009) foi uma das figuras marcantes da segunda metade do séc. XX e do início do nosso século. Entre as suas publicações destaca-se o livro de ensaios Os Degraus do Parnaso cuja génese será apresentada nesta sessão.

O que há de comum à observação de prostitutas no caminho que liga Lisboa a Sintra, à análise da estrutura musical do poema «Tabacaria», de Fernando Pessoa, e à reflexão sobre um homem que urina para o Guadiana?

A resposta é: um dos mais importantes livros de ensaios portugueses do final do século passado, Os Degraus do Parnaso, de M. S. Lourenço (Lisboa, O Independente, 1991). Vencedor do prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus, o apreço que esta coletânea suscitou pode observar-se em reações como as de Luís Maio («a sua escrita é música para os nossos ouvidos»), de M. S. Fonseca («renova a crítica literária escrita em português»), de Miguel Tamen («notórios benefícios espirituais e sintácticos que se podem colher da (…) leitura [d’ Os Degraus do Parnaso]») ou de António Feijó («extraordinário livro»).
Por causa da circunstância feliz de se conservarem os cadernos que M. S. Lourenço usou para escrever os rascunhos destes ensaios, foi constituído um grupo de trabalho que ao longo do último ano procurou atingir, entre outros, os seguintes objectivos:
a) a digitalização integral dos três cadernos onde se encontram as versões manuscritas dos textos que fazem parte do livro: «Musikästhetik», sigla M (Biblioteca Nacional de Portugal, Espólio E62/205); «Harmonielehre | III | Skizzen», sigla H; e «Notizbuch | Ab | Sommersemester 1984», sigla N (os dois últimos propriedade particular).
b) a transcrição seletiva e conservadora das partes destes cadernos onde estão os rascunhos dos ensaios;
c) a elaboração de um manual de linguagem de marcação TEI/XML adaptado aos interesses do presente projeto;
d) a transcrição em TEI/XML de cada versão manuscrita de acordo com as orientações desse manual;
e) a descrição codicológica de cada um dos três cadernos;
f) o alojamento das imagens, das transcrições com marcação e das descrições numa plataforma digital;
g) a publicação, em regime de acesso livre, das imagens, das transcrições com marcações, dos estudos realizados pelos membros da equipa, bem como trabalhos preliminares à formalização do projeto, nessa plataforma.
Nesta primeira apresentação dos resultados alcançados pelo projeto será dada atenção ao modo como foi sendo construída a ideia fundamental d’ Os Degraus do Parnaso: a literatura é uma forma de música. Tendo este fim em vista serão mostradas e explicadas imagens dos cadernos de M. S. Lourenço que servem de ilustração ao seu método de escrever e de pensar.

 

 

Fonte: BNP

Lançamento | De Escravos a Indígenas | BNP, Auditório, 5 de Dezembro, 18h30

O livro, que reúne um conjunto de textos escritos ao longo de quarenta anos e dispersos em publicações de natureza diversa, nem sempre de acesso fácil, tem como objetivo contribuir para uma renovação da historiografia relativa às relações entre Portugal e África, no domínio concreto das formas de instrumentalização dos Africanos levadas a cabo pelos Portugueses durante quase cinco séculos. Um longo processo, cuja natureza interna se revelou capaz de metamorfose e reconversão nos séculos XIX e XX, assegurando a continuidade do «uso» violento das populações africanas, recorrendo a um aparelho classificatório novo – selvagens, indígenas, assimilados – destinado a manter os Africanos na esfera da dominação portuguesa, contribuindo para legitimar a sua escravização e fixar interpretações deformadoras da História.
Se uma primeira vertente visa proceder a uma revisão da história da escravatura e do tráfico negreiro e das suas ideologias nos espaços de «ocupação» portuguesa, como Angola, uma segunda linha de estudo privilegia o documento iconográfico como fonte histórica, sublinhando a sua dimensão histórica e informativa. Finalmente, a terceira linha deste estudo procura pôr em evidência a evolução do processo de instrumentalização portuguesa dos Africanos, que recorre a categorias classificatórias inéditas – selvagem, indígena, assimilado – e a práticas que emergem do trabalho escravo do passado para assegurar a exploração colonial das populações africanas.
Juízos de valor, mercantilização, coisificação, exploração, ridicularização dos homens africanos fabricaram imaginários portugueses que reduziram o preto/africano a escravo, o selvagem/indígena a preguiçoso, ladrão e bêbado, o assimilado/«civilizado» a cópia ridícula e negativa do branco/português, consagrando a inferiorização dos Africanos, e no mesmo movimento, glorificando a «raça» portuguesa, hierarquizando as humanidades e valorizando a dimensão e a natureza das ações portuguesas primeiro esclavagistas, depois  colonialistas, que deixaram marcas até hoje na sociedade portuguesa.

 

Fonte: BNP