Frei João de Santa Maria

Fr. IOAÕ DE SANTA MARIA natural da Cidade de Evora, Erimita de Santo Agostinho cujo habito professou no Convento de Villaviçosa no anno de 1520. e no seguinte com faculdade do Provincial Fr. Antonio de Chellas foy estudar Theologia em a Universidade de Pariz onde naõ somente floreceo o seu agudo engenho nesta grande Faculdade, mas em as letras humanas Rhetorica, e Poetica em cuja Arte foy insigne compondo no breve espaço de quinze dias por insinuaçaõ do Prior do Convento de Pariz.

Aurelii Patris Augustini Ecclesiae Doctoris celeberrimi, ac erimitici Ordinis primipillaris ducis, Ecclesiae quondam hipponensis Antistitis Regula ex soluta, ac pedestri oratione a Fratre Joanne Mariano Portugallensi Erimita ad heroicae dignitatis fastigium evocata. Tem no fim as seguintes palavras. Impressum fuit hoc opus Parisii expensis honesti viri Bernardi Aubri apud quem prostrat in via, qua itur ad Beatum Iacobum sub insigni mortarii aurei industria, arteque probi viri Antonii Bonnemere è regione Gymnasii decretorum sub divo Martino commorantis. Anno à nato domino sesquimillessimo Vicesimo quarto. 4. Desta obra Vimos hum exemplar, que se conserva na Bibliotheca Real. Começa.

Dogmata sub numeris animus fert stringere primis

Melliflui quondam Tuscus, quae matre sepulta

Congreditur canis qua fluctibus aequora Tibris.

Em aplauzo desta obra faz huma elegante Ode Safica Fr. Remigio Moyton Erimita Augustiniano a qual acaba.

Prodiit terris et Homerus alter

Mysticis jungens graciles camaenas

Sensibus nectit sacra dicta Patris Carmine grandi

Pedro Fernandes insigne Filologo seu patricio, e assistente em Paris na Carta Latina, que escreveo a Fr. Francisco de Evora Erimita Augustiniano, que sahio impressa ao principio da obra assima nomeada faz o seguinte elogio a Fr. Ioaõ de Santa Maria. Cujus namque doctrina, et humanitas, & in poesi dexteritas, religionis, ve observatio in tantam unumquemque adegit admirationem, ut eum plerique omnes demirari haud facile definant, posteaque aut huc se se contulit operam protinus litteris politioribus poesi praesertim, et solutae orationi navare decrevit in queis dies aliquot versatus, illico, &poetice, et oratorie declamare, litterasque palam profiteri auspicatus est: qui ita utramque implet mineruam, ut quae, illi genuina, quae insiticia fit minus facile queat discerni; deinde non multo post se se Dialectices cavillationibus, aut si mavis grifos emancipavit, quibus omnibus tantum valet, ut magis quispiam mortalium valere haudquamque posset M. S.

Delle fazem memoria Ioan. Soar. de Brit. Theatr. Lusit. Litter. lit. 1. n. 50. Purif. de Vir. Illustrib. Ord. Erimit. D. Aug. lib. 2. cap. 14. Franco Bib. Portug. M. S. e Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 560. col. 1.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Frei João de Santa Margarida

Fr. IOAÕ DE SANTA MARGARIDA Naceo em Lisboa, e na Parochia de S. Ioaõ da Praça foy bautizado a 8 de Dezembro de 1691. Deixando a companhia de seus Pays Jozé Pestana da Sylveira, e Thereza de Jesus da Sylveira recebeo o habito de Agostinho Descalso em o Real Convento de Nossa Senhora da Conceiçaõ do Monte Olivete situado fora dos muros de Lisboa a 3 de Novembro de 1708. Havendo dictado Filosofia, e Theologia, nos Conventos de Lisboa, e Santarem leyo Theologia Moral aos Clerigos das Villas de Almada, e Caparica por provisaõ do Eminetissimo Cardial Patriarcha de Lisboa expedida a 10 de Iulho de 1729. Foy Prior dos Cõventos de Nossa Senhora da Assumpçaõ da Soureda, e de Nossa Senhora da Piedade de Santarem. He Qualificador do Santo Officio, e muito exercitado em o ministerio do pulpito de que tem publicado.

Sermaõ Panegyrico do Maximo dos Doutores, Assombro dos penitentes, e Norma dos Monges, primeiro Padre de Palestina, Pay, e Fundador de toda a Religiaõ Hyeronymiana o grande S. Jeronimo pregado no Real Convento da Pena. Lisboa por Pedro Ferreira Impressor da Serenissima Raynha. 1734 4.

Sermaõ da Canonizaçaõ de S. Joaõ Francisco Regis pregado em o segundo dia do solemne Triduo com que os Religiosos da Companhia de JESUS do Collegio de Santarem aplaudiraõ a nova Canonizaçaõ do mesmo Santo em 10 de Fevereiro de 1738. Lisboa na Officina da Musica, e da Sagrada Religiaõ de Malta. 1739 4.

Sermoes varios politicos panegyricos, e moraes pregados em diversas solemnidades. Parte primeira. Lisboa por Jozé da Natividade da Sylva. 1744 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de Mansilha Pereira

Fr. IOAÕ DE MANSILHA PEREYRA natural do lugar de Santa Martha em o Conselho de Penaguiaõ do Bispado do Porto onde teve por Pays a Francisco Pereira Pinto, e D. Feliciana Manfilha Ozorio das principaes familias da Provincia de Tras os montes. Na idade da adolescencia recebeo o habito da illustre Ordem dos Pregadores onde fez taes progressos a sua aguda comprehensaõ em o estudo das sciencias severas, que mereceo ser laureado Doutor Theologo em a Universidade de Coimbra a 26 de Fevereiro de 1739. Sendo venerado o seu talento pela profundidade Theologica, naõ he menos aplaudido pela eloquencia Oratoria de que deu hum claro argumento na obra feguinte.

Oratio habita in Ecclesia S. Dominici Ulyssiponensis die 4. Ianuarii. 1742.

Sahio nos Obsequios; aplauzos, e triumfos com que foy recebido em Portugal o Excellentissimo, e Reverendissimo Senhor D. Fr. Iozé Maria da Fonceca, e Evora dignissimo Bispo do Porto. Lisboa na Regia Officina Sylviana, e da Academia Real. 1742 4. a pag. 261.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. João Manuel de Melo

D. IOAÕ MANOEL DE MELLO natural de Lisboa filho de Luiz de Mello decimo terceiro Senhor de Mello, e de sua segunda mulher D. Maria de Lima filha herdeira de Ioaõ de Barros Cardozo Commendador da Ordem de Christo, e de D. Brites de Lima. Entre as artes, que cultivou com aplicaçaõ, e exercitou com felicidade foy a Poezia Portugueza, e Castelhana em que a sublimidade do seu talento merece a primazia entre os mais Canoros Cisnes do Parnasso assim pela cadencia das vozes, como pela delicadeza dos conceitos podendo formar-se hum volume das obras Metricas que tem composto das quaes se fizeraõ publicas as seguintes.

Soneto à morte da Serenissima Senhora Infanta D. Francisca. Sahio na Collec. 4. dos. Sentim. Metric. a este assumpto. a pag. 4. Lisboa por Miguel Rodrigues. 1736 4.

Traducion de la Elegia Latina del Sapientissimo y Reverendissimo Padre D. Manoel Caetano de Sosa. Romance Hendecasyllabo. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca. 1737 4.

Foy argumento da Elegia recolherse ao Convento da Madre de Deos, e nelle professar o instituto de Santa Clara a Senhora D. Luiza Maria do Pilar filha dos Excellentissimos Condes do Assumar.

Romance ao Illustrissimo, e Reverendissimo Senhor D. Estevaõ de Menezes Conde de Tarouca consolando-o na morte de seu Pay Ioaõ Gomes da Sylva Conde de Tarouca. Lisboa. 1739. fol.

Consta de 52 coplas. He muito elegante, e discreto.

Á singular, e erudita Bibliotheca dos Authores Portuguezes, que compoz o Reverendo Diogo Barboza Machado Abbade de Sever, e Academico da Academia Real. Romance Hendecasyllabo. Sahio ao principio desta obra. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca. 1741 fol. Consta de 15 Coplas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João Manuel

Fr. IOAÕ MANOEL natural de Lisboa, e filho illegitimo de D. Luiz Manoel de Tavora quarto Conde da Atalaya Tenente General da Cavallaria do Minho, Embaxador à Corte de Saboya, Governador das Armas da Provincia do Minho, e Conselheiro do Estado. Para acrecentar mayores brazoens ao seu nacimento se adoptou na preclarissima Familia Cisterciense recebendo a monastica cogulla em o Real Convento de Alcobaça a 22 de Dezembro de 1690. Depois de dictar as sciencias severas aos seus domesticos que sahiraõ capazes do magisterio foy admitido em a Universidade de Coimbra ao numero dos Doutores Theologos onde brilhou o seu talento ou fosse nas Cadeiras que regentou sendo eleito Conductario a 22 de Fevereiro de 1722. ou fosse em os Pulpitos atrahindo com a elegancia da fraze, e profundidade do discurso as pessoas mais eruditas que lhe formavaõ o auditorio. Falleceo em o Collegio de S. Bernardo de Coimbra a 20 de Novembro de 1739. quando contava 63 annos de idade. Publicou.

Sermaõ na solemne açaõ de graças que celebrou a Universidade de Coimbra congregada em Prestito no dia 4. de Ianeiro de 1735. pelo felicissimo nacimento da augustissima Princeza da Beyra Primogenita do Principe do Brazil Nosso Senhor prégado no Real Mosteiro de S. Clara. Coimbra na Officina do Collegio Real das Artes da Companhia de IESUS. 1735 4.

Vaticinio exposto, comfirmado, e defendido. Exposto à Universdade de Coimbra na solemne Açaõ de Graças que celebrou congregada em Prestito no dia 4. de Ianeiro de 1735. pelo felicissimo nacimento da Serinissima Princeza da Beyra confirmado, e defendido na ocaziaõ do segundo parto da Serenissima Princeza do Brazil. Coimbra na mesma Officina. 1736 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João Manuel

IOAÕ MANOEL Presbitero do habito de S. Pedro, Cura da Parochial Igreja de N. Senhora dos Prazeres da Villa de Aldea Gallega da Merciana distante da Villa de Alanquer duas legoas para o Noroeste do Patriarchado de Lisboa. Foy Varaõ de conhecida virtude, e insigne director de almas para o caminho da perfeiçaõ. Á instancia do P. Mestre Fr. Manoel da Esperança como escreve na 1. P. da sua Hist. Seraf: liv. 1 . cap. 35 . escreveo.

Relaçaõ da Vida de Francisca de Meyra Terceira da Ordem da Penitencia, que falleceo a 27 de Dezembro de 1636.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]