Frei João de São Francisco

Fr. IOAÕ DE S. FRANCISCO natural da Villa de Alhos Vedros do Patriarchado de Lisboa filho de Francisco Ferreira, e Catherina Pedroza. Professou no estado de leygo o Serafico instituto em o Seminario de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes fundado pelo Ven. P. Fr. Antonio das Chagas. Publicou.

Regras para bem viver, e modo facil de orar com breves meditaçoens sobre os Novissimos distribuidas por cada hum dos dias do mez. Lisboa por Domingos Gonzalves 1744. 24. Sahio segunda vez acrecentado com Meditaçoens da Payxaõ, e com as regras para fazer huma confiçaõ bem feita, e comungar devotamente. Lisboa por Pedro Ferreira 1745. 24.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Frei João de São Francisco

Fr. IOAÕ DE S. FRANCISCO natural de Lisboa filho de Vicente de Faria, e Francisca Thomè. Na idade juvenil deixou o seculo pelo austero instituto do Serafico Patriarcha, que professou solemnemente no Convento de Setubal da Provincia dos Algarves a 23 de Março de 1629. Depois de dictar Filosofia em q teve a gloria de ser seu discipulo aquelle insigne Mestre de espirito o V. P. Fr. Antonio das Chagas, e jubilar na Sagrada Theologia exercitou com grande credito da sua prudencia as Guardianias dos Conventos de S. Francisco de Beja, Monte mòr, e de Santa Maria de Xabregas, e os lugares de Comissario da Corte, e Definidor da Provincia. Teve natural inclinaçaõ para a Poezia metrificando com tanta facilidade, e elegancia, q mereceo a plausivel antonomazia de Poeta. Naõ foy menos celebrado o seu nome pelo exercicio da Oratoria Ecclesiastica em que competia a delicadeza do discurso com a valentia da reprezentaçaõ. Sendo cativo no anno de 1663. e levado a Argel foy restituido à sua liberdade no espaço de desasete allas debaixo da palavra de hum Inglez. Falleceo no Convento de Xabregas em o anno de 1675. Compoz.

Sermaõ pregado na festa do insigne Patriarcha dos pobres S. Francisco em seu proprio dia, e propria Caza de Xabregas anno 1646. Lisboa por Domingos Lopes Rosa. 1646. 4.

Sermaõ do Santo Iubileo da Porciuncula favor especial concedido por Christo Senhor Nosso à Religiaõ dos Menores pregado no seu dia 2 de Agosto no Convento de S. Francisco de Xabregas. Lisboa na Officina Crasbeeckiana. 1649. 4.

Sermaõ nas Exequias do Reverendissimo Padre Fr. Ioaõ Pereira Comissario Geral Apostolico da Ordem dos frades Menores no Reyno de Portugal no Convento de S. Francisco de Xabregas no anno de 1659. a 15. de Dezembro. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1660.

Sermaõ do Mandato pregado na Santa Sè de Lisboa. Lisboa por Antonio Craesbeeck de Mello. 1666. 4.

Sermaõ na festa da Beatificaçaõ da gloriosa Virgem Santa Roza pregado no terceiro dia do seu Outavario solemne no Convento Real de S. Domingos de Lisboa. Lisboa por Joaõ da Costa. 1669. 4.

Sermaõ no triumfo do altissimo Misterio do Divino Sacramento, e desagravo do impio, e detestavel furto, que se fez na Igreja Parochial do lugar de Odivellas pregado na Igreta Parochial de S. Nicolao nesta Corte, e Real Cidade de Lisboa. Lisboa por Domingos Carneiro. 1671. 4.

Sermaõ do Sagrado Descendimento de Christo Senhor Nosso. Coimbra por Jozé Ferreira Impressor da Universidade 1696. 4.

Festas Annuaes nas mayores solemnidades dos Sagrados Mysterios de nossa Fé, de Christo Senhor nosso, de sua Santissima Mãy, e dos Santos principaes, que a Igreja solemniza. Primeira Parte. Lisboa por Domingos Carneiro. 1671. fol.

Primavera Sagrada ordenada em flores espirituaes de doutrina Catholica repartida pelos Domingos de Quaresma em menhaãs, tardes, e Mysterios da Semana Santa até dia de Paschoa. Lisboa pelo dito Impressor. 1675. fol. No prologo prometia hum Tomo de Sermoens das Ferias, e a 2. Parte das Festas Annuaes.

No 2. Tomo da Laurea Lusitana impressa Madrid por Andre Garcia de la Iglesia. 1679. 4. estaõ traduzidos em Castelhano por D. Estevan de Aguilar y Zuniga o Sermaõ da Purificaçaõ. Sermaõ do Jubileo da Porciuncula.

Sermaõ da 1. Dominga de Quaresma. Sinco Sermoens das Tardes da Quaresma sobre sinco banquetes da Sagrada Escritura. Dos quais o 1. está nas Festas Annuaes, e os 6 ultimos na Primavera Sagrada; e o do Iubileo da Porciuncula sahio avulso como está assima escrito.

Poema heroico, victorioso sucesso, e gloriosa vitoria do exercito de Portugal sobre a hostilidade da Cidade de Evora no anno 1663. Lisboa por Antonio Craesbeeck de Mello. 1663. 4. Consta de 116 Outavas excellentes pelas quais lhe fez este metrico encomio o P. Antonio dos Reys Enthus. Poet. n. 105.

……………………………………fusa per agros

Agmina cantabat, Caetu reticente canoro

Utraque Ioannes velatus tempora serto

Quod propriis manibus contexuit Ebora dives.

Imposuitque comis.

Memoria, instituiçaõ, e noticia especial da antiga, e regular administraçaõ da Provincia dos Algarves, e breve Cathalogo dos Religiosos notaveis em letras, e virtudes que nella floreceraõ, e couzas memoraveis que muito a illustraõ. Esta obra foy composta o anno de 1647. por ordem do Provincial Fr. Diogo Cezar como escreve o Licenciado Iorge Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 2. pag. 751. no Commentario de 28 de Abril letr. H. e Tom. 3. p. 333. No Commentario de 20 de Mayo letr. A.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de São Francisco

Fr. IOAÕ DE S. FRANCISCO natural do Porto, e religioso professo da Serafica Provincia de Santo Antonio onde mostrou igual talento para a Theologia especulativa, que dictou aos seus domesticos, como para o governo sendo varias vezes Guardiaõ de diversos Conventos. Falleceo em o Convento de Santo Antonio de Ponte de Lima a 30 de Setembro de 1664. em cuja Livraria se conserva M. S. a seguinte obra prompta para a impressaõ.

Quaestiones Morales. fol.

 

Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João Fragoso

IOAÕ FRAGOSO irmaõ do Doutor Braz Fragozo Dezembargador da Caza da Supplicaçaõ de que tomou posse a 17 de Ianeiro de 1569. onde foy Ouvidor, e Corregedor do Crime; e Tio paterno de Fr. Pedro de Mello, ou Fragozo religioso Carmelita Calçado de quem em seu lugar faremos memoria; naceo em Lisboa, e naõ em Toledo como erradamente escreveo Nicolao Antonio Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 526. col. 2. Foy taõ insigne Medico, como perito Cirurgiaõ manipulando os medicamentos, que aplicava aos enfermos de que se seguiaõ admiraveis effeitos. Sendo Cirurgiaõ mòr da Raynha D. Catherina mulher delRey D. Ioaõ o III. acompanhou com este lugar a Emperatriz D. Izabel quando no anno de 1526. Partio a despozarse com Carlos V. Compoz.

Erotemas Chirurgicos em que se enseña lo màs principal dela Chirurgia com su glossa. Madrid por Pedro Cosio. 1570. 4.

Discursos de las cosas aromaticas, arbores, frutas, y medecinas simples de la India, que siruen al uso de la Medecina. Madrid por Francisco Sanches. 1572. 8.

Sahio traduzida esta obra na lingua Latina por Israel Spachio. Argentinae apud Joannem Martinum. 1601. 8.

De Succedaneis medicamentis cum animadversionibus in quamplura medicamenta composta, quorum est usus in Hispanis Officinis. Matriti apud Petrum Cosium. 1575. 8. & ibi apud Gomesium. 1583. 8.

Chirurgia Universal. Madrid por N. Gomes. 1581. fol. e Alcalá por Iuan Garcian. 1601. fol. acrecentada.

Fazem mençaõ deste author Antonio de Leaõ Bib. Orient. Tit. 14. e Zacuto in Praef. Prognost. Hypocrat.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João Frade

Fr. IOAÕ FRADE natural da Villa de Pinhel em a Provincia da Beyra Monge Cisterciense em o Real Convento de Alcobaça muito douto na liçaõ da Escritura, e Santos Padres, escreveo.

Vita S. Rodesindi Episcopi.

Sermones de Sanctis ex variis authoribus.

Homiliae variae Sanctorum.

Conservaõ-se M. S. in fol. estas obras na Livraria de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Padre João da Fonseca

P. IOAÕ DA FONCECA Naceo em a Villa de Viana do Alentejo do Arcebispado de Evora devendo à virtuosa educaçaõ de seus Pays Bartholameu Soudo, e Angela Coelha, a resoluçaõ de deixar em a tenra idade de 17 annos o seculo, e abraçar o instituto da Companhia de Iesus em o Noviciado de Evora a 19 de Ianeiro de 1649. professando solemnemente a 15 de Agosto de 1659. Aprendidas as letras humanas ensinou em a Universidade Eborense pelo espaço de quatro annos Filosofia com grande emolumento dos seus ouvintes. Impellido com o zelo da salvaçaõ das almas discorreo pelas Villas de Abrantes, Alcacer do Sal, Castello de Vide, e a Cidade de Beja exercitando com grande fervor, e copioso fruto o ministerio de Missionario Apostolico. Pela sua prudencia acompanhada de summa afabilidade foy Mestre do Noviciado de Coimbra, Visitador do Collegio da Ilha da Madeira, Perfeito dos Irmaõs do Recolhimento de Evora, e Reytor do Noviciado de Lisboa. De todas as virtudes religiosas foy observantissimo cultor. Vizitava frequentemente aos infermos nos Hospitaes, e aos prezos nas Cadeyas publicas alliviando as afliçoens de huns com santos conselhos, e a necessidade dos outros com repetidas esmolas. Ambicioso dos mayores desprezos levava muitas vezes pendente dos hombros a caldeira do comer dos pobres que se havia repartir na portaria. Para conservar illesa a flor da Castidade evitava practicas com mulheres ainda que fossem das mais illustres da Corte. Nunca murmurou de pessoa alguma, antes se ouvia tocar em materia prejudicial ao credito do proximo divertia com prudente modo a practica. Era muito observante do silencio fugindo quanto podia do comercio humano, e passando a mayor parte do tempo escrevendo as obras em que retratou o seu espirito. Com tanto rigor se disciplinava, que avizado o Superior pelo estrondo dos golpes lhe poz preceito para naõ uzar daquella penitencia que degenerava em tyrania. Foy cordial devoto do Santissimo Sacramento em cuja prezença grava horas continuas; sendo igual o afecto com que venerava a Maria Santissima cuja soberana proteçaõ experimentou repetidas vezes solicitada pelos seus rogos. Illustrado com a luz da profecia revelou muitos futuros, previo varios sucessos. Na ultima enfermidade se levantou da Cama para receber de joolhos o Sagrado Viatico conservando até o ultimo instante o juizo taõ perfeito, que dizendo hum dos circunstantes Benedictus Dominus, continuou Deus Israel quia visitavit nos. Acabadas estas palavras fictando os olhos em huma Imagem de Maria Santissima, que estava fronteira aonde jazia, expirou com grande serenidade em o Collegio de Santo Antaõ de Lisboa ao primeiro de Outubro de 1701. com 69. annos de idade, e 52 de Companhia. As suas pobres alfayas se repartiraõ como reliquias por varias pessoas. O Serenissimo Rey D. Pedro II. que o venerara vivo pedio alguma couza, que fosse do seu uzo, e para satisfaçaõ deste piedoso dezejo se lhe deraõ as contas por onde quotidianamente rezava. Descansaõ as suas veneraveis cinzas em huma sepultura aberta na parede da Ante Sancristia da parte do Evangelho do Collegio de Santo Antaõ com este elegante Epitafio.

Hoc conditur mausoleo V. P. Ioannes de Fonceca Societatis Jesu Vianensis in Provincia Transtagana omnium virtutum singulare exemplum: cujus doctrinam si quaeras, illius libros consule, hos cum edidit, suae virtutis fecit haeredes: Si Magisterium, uItra Philosophiam in Universitate Eborensi, Novitiorum egit pene per triginta annos tam Conimbricae, quàm Ullyssipone ea morum integritate, ac Sanctitate, ut Posteris omnibus norma possit esse, & archetypus. Praelucet ad Tumulum lucerna ardens: spirant etenim adhuc, et docent hac ex urna pietatem, et gratiam tanti viri vocales cineres, eos eodem modo inuitantis ad gloriam, quos olim informavit ad vitam. Obiit in hoc Collegio D. Antonii Magni primi Octobris. 1701 .

Fazem honorifica memoria deste Varaõ o Padre Antonio Franco Imag. da Virt. em o Novic. de Evor. liv. 4. cap. 14. até 28. e pag. 868. Varaõ todo de Deos, e muy esclarecido em Santidade. et Annal. S. J. in Lusit. pag. 410. §. 4. omni laude mayor; e no An. glorios. S. J. in Lusit. pag. 558. Fonceca Evor. glorios. pag. 432. Varaõ Santissimo, e Pay de toda esta Provincia por ter criado, e ensinado quazi todos os sogeitos della nos muitos annos em que foy Mestre dos Noviços. Compoz.

Norte espiritual da vida Christãa pela qual se deve governar o que dezeja acertar com o caminho da perfeiçaõ fiado na Divina Providencia, e conformando se em tudo com a divina vontade. Coimbra por Iozé Ferreira. 1687. 8. & ibi por Iozé Antunes da Sylva Impressor da Universidade. 1724. 8.

Espelho de penitentes. Trata de como hade fazer huma confissaõ bem feita o que trata de reformar a sua vida. Evora na Officina da Universidade. 1687. 8.

Escola da Doutrina Christãa em que se ensina o que he obrigado a saber todo o Christaõ. Evora na mesma Officina. 1688. 4.

Guia de Enfermos, moribundos, e agonizantes. Lisboa por Manoel Lopes Ferreira. 1689. 8.

Instrucçaõ espiritual para antes, e depois da Sagrada Comunhaõ. Lisboa por Miguel Manescal. 1689. 8.

Alivio de Queixosos da morte dos que amáraõ em vida. Lisboa por Manoel Lopes Ferreira. 1689. 8.

Antidoto da alma para medecina de escrupulos, remedio de tentados, e perservativo de enganos, e illusoens que pode haver em materias espirituaes. Lisboa por Miguel Manescal. 1690. 8.

Sylva Moral, e historica. Discursos moraes de diversas materias confirmados com seis Centurias de exemplos escolhidos, e historias selectas. Lisboa por Miguel Manescal. 1696. 4.

Satisfaçaõ de aggravos, Confissaõ de vingativos. Evora na Officina da Universidade. 1700. 4.

Deixou promptos para a impressaõ.

Sylva Moral, e historica &c. semelhante a que tinha publicado.

Meditaçoens dos Exercicios de Santo Ignacio.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]