D. João de Noronha

D. IOAÕ DE NORONHA natural de Lisboa quinto filho de D. Pedro de Noronha setimo Senhor de Villaverde, que acabou na infausta batalha de Alcacer, e de sua segunda mulher D. Catherina de Atayde filha segunda do segundo Conde da Vidigueira D. Francisco da Gama. Foy Commendador da Ordem de Christo, e militou em Africa com valor digno do seu claro nacimento. Cazou tres vezes, e de nenhuma deixou sucessaõ. Falleceo em idade muito provecta ornado de religiosas virtudes como publicaõ os seus escritos de que faz mençaõ Ioaõ Franco Barreto Bib. Portug. M. S. e saõ os seguintes.

Tratado sobre a discriçaõ dos espiritos. M. S.

Tratado sobre a Oraçaõ. M. S.

Do author faz breve memoria D. Ant. Caet. de Souz. Hist. Gen. da Caz. Real Portug. Tom. 10. liv. 10. pag. 645.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de Nazaré

Fr. IOAÕ DE NAZARETH filho de Miguel da Sylva, e Mariana do Desterro  naceo em a Villa de Obidos do Patriarchado de Lisboa, e na Igreja Matriz de Santa Maria recebeo a graça bautismal a 24 de Mayo de 1705. Quando contava dez annos foy admitido pela destreza, e suavidade da voz ao habito de religioso Terceiro da Ordem Serafica cujo instituto professou solemnemente a 9 de Iulho de 1722. Pela sua grande sciencia da musica, e integridade de custumes foy nomeado em o Capitulo que se celebrou a 27 de Iulho de 1737. Capellaõ das Religiosas do Convento da Madre de Deos junto da Villa de Aveiro com a incumbencia de reduzir à ultima perfeiçaõ o Canto de Orgaõ que muitas religiosas do dito Mosteiro practicavaõ para mayor culto de seu divino Espozo. Passados dous annos que assistio neste domicilio falleceo com geral sentimento de todas as pessoas que o tratavaõ a 31 de Iulho de 1739. Tinha particular genio para a Poezia vulgar deixando por testemunho a seguinte obra.

Glossa ao Soneto, Esta Senhor que vemos sepultada Dedicado a ElRey N. Senhor na intempestiva morte de sua Serenissima Irmãa a Senhora Infanta D. Francisca. Sahio impresso com outras obras a este funebre assumpto intitulado Acentos saudosos das Musas Portuguezas. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca. 1736. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de Nazaré

Fr. IOAÕ DE NAZARETH natural da Villa de Castello de Vide em a Provincia Transtagana sendo filho de Simaõ Vaz Leytaõ, e Maria Fernandes de Siqueira. Na idade juvenil abraçou o instituto de Erimita Augustiniano o qual professou solemnemente em o Real Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa a 20 de Julho de 1646. onde foy Prezentado em Theologia, Definidor da Provincia, e Presidente do Capitulo. Entre muitos Sermoens, que recitou com aplauzo se fizeraõ publicos os seguintes.

Sermaõ historico, e panegyrico da milagroza Virgem da Penha de França pregado no seu Convento no 3 dia das suas Festas. Lisboa por Miguel Deslandes. 1685 4.

Sermaõ em acçaõ de Graças, que o Illustrissimo Senado de Lisboa, e sua Corte vem dar à milagroza Virgem da Penha de França todos os annos por voto, que lhe fez quando livrou esta Cidade da cruel peste com que Deos a castigava. Lisboa pelo dito Impressor. 1698 4.

Sermaõ do insigne Doutor da Igreja, e Patriarcha dos Erimitas Santo Agostinho. Lisboa pelo dito Impressor. 4. Naõ tem anno da ediçaõ.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Padre João Nazaré

P. IOAÕ DE NAZARETH natural da Villa da Pederneira do Patriarchado de Lisboa, e filho de Ioaõ Fernandes, e Cecilia Rodrigues taõ dotados dos beneficios da graça, como dos bens da fortuna. Na primeira idade mostrou genio inquieto, e turbulento armando de motivos leves pendencias graves que serviaõ de universal escandalo. Penetrado de hum mysterioso sonho mudou de condiçaõ, e estado de vida recebendo o habito de Conego Secular do Evangelista amado em o Real Convento de Santo Eloy de Lisboa no faustissimo dia da Assumpçaõ da Senhora, e ebaixo de taõ feliz auspicio começou a sogeitar a rebeldia da carne às leys do espirito jejuando quartas, sextas, e sabbados, e comendo na Quaresma, e Advento manjares grosseiros, que nem satisfaziaõ o apetite com a quantidade, nem o deleitavaõ com o sabor. Todos os dias se açoutava duas vezes com disciplina de ferro fazendo mais penetrantes os golpes a actividade do impulso, e a dureza do instrumento. Eleyto Reytor do Convento de Villar reedificou a Igreja para cuja obra concorreo o Ceo com maõ invizivel. Armado de zelo apostolico se oppoz à execuçaõ de hum subsidio Ecclesiastico, que ou por falta de conselho, ou por excesso de ambiçaõ impuzera o Arcebispo de Braga D. Luiz Pirez da Cunha. Depois de ter governado quatorze annos o Convento de Villar sendolhe revelado o termo da sua peregrinaçaõ se despedio dos Padres de Santo Eloy por huma carta. Tolerada com grande resignaçaõ a ultima enfermidade pelo espaço de tres semanas em que triunfou de diversas sugestoens diabolicas, recebidos os Sacramentos com ternura expirou placidamente a 27 de Fevereiro de 1478. Fazem delle mençaõ o Illustrissimo Cunha Hist. Eccles. de Brag. Part. 2. cap. 55. Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 1. pag. 534. e o Padre Francisco de Santa Maria Chron. dos Coneg. Secul. liv. 3. cap. 60. 61. 62. e 63. Compoz.

Tratados espirituaes.

Officios, e Hymnos a S. Gregorio Magno, S. Jeronimo, Santo Ambrosio, S. Clemente Martyr, S. Nicolao Bispo, e outros Santos.

Officio de Nossa Senhora chamado Vigilia que todos os sabbados se cantava nas Cazas da Congregaçaõ como escreve o Padre Francisco de Santa Maria na Chronica assima allegada pag. 821.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João da Natividade

Fr. IOAÕ DA NATIVIDADE natural da Villa de Torres Vedras do Patriarchado de Lisboa. Professou o Instituto da Ordem Trinitaria em o Convento de Lisboa no anno de 1675. onde foy Ministro dos Conventos de Lagos, e Aluito. Soube eminentemente a Arte da Musica na qual compoz diversas obras taõ gratas aos ouvidos, como conformes aos preceitos desta Faculdade. Naõ teve menor talento para o  pulpito onde conciliou a atençaõ erudita de muitos ouvintes. Falleceo no Convento de Lisboa a 26 de Junho de 1709. Tendo prompto para a impressaõ tres Tomos dos seus Sermoens dos quais unicamente se fez publico o seguinte.

Oraçaõ Funebre, e panegyrica nas Honras que à Serenissima Senhora D. Maria Sofia Izabel Rainha de Portugal se celebraraõ na Igreja Matriz da Cidade de Lagos. Lisboa por Filippe de Souza Villela. 1700 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João da Natividade

Fr. IOAÕ DA NATIVIDADE religioso da Ordem dos Descalsos da Santissima Trindade cujo sagrado Instituto professou em o Convento da Granada. Compoz.

Coronada Historia. Granada 1697 A este author numeraõ entre os Portuguezes Urquiola Sagrad. column. de Espan. liv. 2. cap. 8. pag. 27. e o Padre D. Manoel Caet. de Souz. Exped. Hisp. D. Jacob. Tom. 2. pag. 1327. § 366.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]