D. Júlio de Francisco de Oliveira

D. IULIO FRANCISCO DE OLIVEYRA. Naceo em a Cidade de Lisboa a 12 de Abril de 1693. onde foy virtuosamente educado por seus Pays Antonio Francisco de Oliveira, e Lourença Vieyra. Na tenra idade de quatorze annos entrou a 16 de Julho de 1707. na Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa palestra igualmente de sciencias que virtudes onde aprendidas as faculdades escholasticas as dictou com tanto credito do seu nome, que mereceo ser venerado por hum dos famozos Theologos do seu tempo. Foy admetido á Academia Real em o anno de 1736. Para escrever as Memorias Historicas delRey D. Joaõ o Terceiro. Attendendo a Magestade delRey D. Joaõ o V. Nosso Senhor às suas letras, que se faziaõ mais estimaveis pela exacta observancia do seu Instituto o nomeou Bispo do Funchal Capital da Ilha da Madeira a 11 de Fevereiro de 1739. sendo sagrado pelo Emminentissimo Cardial Patriarcha de Lisboa D. Thomaz de Almeyda em a Basilica Patriarchal a 5 de Março de 1741. Antes que partisse para este Bispado foy nomeado em o de Viseu onde exercita as obrigaçoens pastoraes com igual zelo do culto divino, como compassivo socorro da pobreza. Compoz

Allegaçaõ Juridica a favor da Congregaçaõ do Oratorio da Cidade de Lisboa Occidental em reposta a que mandaraõ fazer, e imprimir os Reverendos Prior, e Beneficiados da Igreja Parochial de saõ Nicolao sobre a controversia, que movem à mesma Congregaçaõ pertendendo impedirlhe o complemento da sua Caza, dividida em tres pares 1. em que se dá huma sincera noticia de todo o facto que se involve nesta controrersia. 2. em que se mostra a justiça da Congregaçaõ. 3. em que se responde á Allegaçaõ feita a favor dos Reverendos Prior, e Beneficiados. Lisboa por Bernardo da Costa Impressor da Religiaõ de Malta 1730. fol.

Oraçaõ recitada no Paço 30 de Abril de 1736. Com que congratulou aos Academicos da Academia Real pela eleiçaõ que fizeraõ da sua Pessoa para seu Collega. Sahio na Collec. dos Docum. da Academia Real do anno de 1736. Lisboa por Iozé Antonio da Sylva Impressor da Acad. Real. 1736 4.

Consultas Moraes M. S. fol. Conservaõ-se na Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Júlio de Melo de Castro

IULIO DE MELLO DE CASTRO. Naceo em a Cidade de Goa Cabeça do Imperio Oriental Portuguez em Setembro de 1658. sendo filho de Antonio de Mello de Castro que pela qualidade do nacimento, e valor de animo mereceo o governo daquelle estado, e D. Anna Moniz filha de Julio Moniz da Sylva cujo nome se lhe impoz em obsequio de seu Avó materno. Dezejando nos primeiros annos seguir os militares vestigios de seus Mayores voltou para o Reyno em companhia de seu Pay, e passando a Villaviçosa foy Tenente da Tropa do General seu Tio Diniz de Mello de Castro primeiro Conde das Galveas Conselheiro de Estado, e Guerra, e Governador das Armas da Provincia do Alentejo o qual pelo espaço de 28 annos foy heroica testemunha dos mais celebres sucessos em que no Tribunal da Campanha se disputava a liberdade desta Monarchia. Restituido à Corte se embarcou com grande parte da nobreza na famoza Armada que se expedio no anno de 1682. a Villa Franca de Niza para conduzir ao Duque de Saboya cujo efeito se frustrou por disposiçaõ de mais alta providencia. A delicadeza do juizo, e a afabilidade do genio de que prodigamente o ornou a natureza lhe conciliaraõ as estimaçoens das primeiras Pessoas assim na qualidade como na erudiçaõ. Naõ houve Academia do seu tempo que com ambiciosa emulaçaõ o naõ pertendesse para seu Collega. Na Instantanea instituida em Caza do Bispo do Porto Fernaõ Correa de Lacerda onde se propunhaõ materias sem escudo antecedente, discorria taõ solidamente como se fora por muito tempo meditado o seu discurso. Em a dos Generosos renacida no anno de 1684. em Caza de D. Antonio Alvares da Cunha, e renovada por seus filhos, D. Pedro, e D. Luiz da Cunha em 1693. foy ouvido com geral aplauzo principalmente quando ocupou o lugar de Presidente. Naõ adquirio menor aclamaçaõ sendo Mestre, e Lente na Academia Portugueza renovada em o anno de 1717. em o Palacio do Excellentissimo Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes onde com elegante fraze, e agudos pensamentos escrevia os Elogios dos Varoens Portuguezes. Em a dos Anonymos, e Illustrados collocou o seu nome entre os Principes da Oratoria, e Poetica até ser numerado entre os sincoenta Academicos da Academia Real Portugueza. no anno de 1720. para escrever as Memorias Historicas dos Monarchas Sancho 1. e Affonso 2. dos quais era decimo sexto neto. Na poezia Castelhana, e Portugueza excedeo aos mais celebres cultores do Parnazo; com prodigiosa fecundidade produzia a sua Musa conceitos agudos, pensamentos discretos, ideas novas em cuja metrificaçaõ eraõ taõ cadentes as vozes que mostrava ter por Mestra a natureza, e naõ a Arte. Igual foy o seu talento para a Historia escrevendo a de seu grande Tio o primeiro Conde das Galveas com tanta elegancia que igualou a valentia da sua penna à da espada daquelle Heroe. Como Varaõ constante tolerou por todo o espaço da sua vida a falta dos bens da fortuna sendo taõ abundante dos dotes da graça até que provada a sua paciencia com huma dilatada, e penosa infermidade falleceo a 19 de Fevereiro de 1721. quando contava 63 annos de idade. Á sua saudosa memoria se dedicaraõ dous Elogios sendo o primeiro recitado a 20 de Fevereiro na Academia Portugueza pelo Excellentissimo Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes; e o segundo a 4 de Março na Academia Real por meu Irmaõ D. Iozè Barboza Clerigo Regular Academico do numero, e Chronista da Serenissima Caza de Bragança. Compoz

Romance à imagem de Santo Thomas de vulto que veyo de Valença com a Santa Reliquia. Começa Tan vivo estàs, que parece Sahio nos Acroamas Panegyricos com que a Santa Cathedral Igreja de Coimbra recebeo, venerou, e aplaudio a Sagrada Reliquia de Santo Thomaz de Villanova. Coimbra por Iozè Ferreira Impressor da Universidade 1690. 4. a pag. 134.

Romance Endecasyllabo em aplauzo de Manoel de Souza Moreira author do Theatro Geneal. da Caza de Souza. Sahio ao principio desta obra.

Vida de Luiz do Couto Felix Guarda mór da Torre do Tombo. Sahio ao principio do Tacito Portuguez do mesmo Luiz de Couto. Lisboa na Officina Deslandesiana 1715. 4.

Romance Endecasyllabo sendo Assumpto Martim de Freytas fallando com o Cadaver delRey D. Sancho II. de Portugal. Sahio a pag. 231. dos Progressos Academicos dos Anonymos de Lisboa. Lisboa por Iozè Lopes Ferreira 1718. 4.

Historia Panegyrica da Vida de Diniz de Mello primeiro Conde das Galveas do Conselho de Estado, e guerra dos Serenissimos Reys D. Pedro II. e D. Joaõ V. Lisboa por Iozè Manescal Impressor da Serenissima Caza de Bragança 1721. fol. & ibi por Antonio Duarte Pimenta 1745. 4.

Romance Heroico em que se descreve em dous mil Versos a vida de Maria Santissima. M. S.

Elogios, e Discursos Varios recitados em diversas Academias, como grande copia de Versos Lyricos, e heroicos. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

João Pedro Porto

João Pedro Porto

JOÃO PEDRO PORTO nasceu nos Açores em Abril de 1984. Tem, até à data, quatro romances publicados. O Rochedo que Chorou (Publiçor, 2011), O 2egundo M1nuto (Letras Lavadas, 2012), Porta Azul para Macau (Letras Lavadas, 2014), e A Brecha – que saiu com a chancela da Quetzal em 2017 e foi finalista do Prémio Casino da Póvoa, Correntes d´Escritas.

Fez parte da primeira antologia coordenada pelo Centro Mário Cláudio, O País Invisível, e tem publicados dois livros de contos, O Homem da Mansarda (Seixo Publishers, 2014) e Fruta do Chão (Letras Lavadas, 2018), o último em versão bilingue, traduzido para o espanhol. São, também, suas as letras dos álbuns musicais Terra do Corpo e Sol de Março, de Medeiros/Lucas.

 

O Rochedo que chorou

Numa estória de laivos surrealistas, contada do fim para o começo, um psicoterapeuta sofre um tétrico processo de metamorfose em que se vê gradualmente transformado em ilha. Será na relação terapêutica com um outro insular que encontrará a remissão e a própria redenção existencial.

 

 

O 2egundo M1nuto

Um velho acorda na alvorada e decide, como último acto, subir a alta montanha que escala o verso do seu chalé. Nessa épica subida, revistará uma vida de contendas por uma utopia do mérito, um inflamado amor e muitos outros episódios que culminam com o seu abandono e estado de solidão.

 

 

Porta Azul para Macau

Num fabuloso cenário surrealista, em que Lisboa se vê engolida pelo Tejo, com canais por ruas e faluas por transportes, duas tramas intrincadas cruzam-se através de gerações rodadas de conservadores e liberais. Em 1910, num asilo, tece-se uma conspiração que rebenta em assassinato. Décadas mais tarde, um grupo de jovens metarrealistas lança um manifesto proibido que lançará em marcha o singular destino da capital.

 

A Brecha

Em noite de exagerado temporal, um misterioso homem encoberto brota do chão de Sagres. Desmemoriado e desnorteado segue pela costa Vicentina. Um outro, aborrecido com a banalidade do seu tempo, decide entrar pela brecha que se rompe pela parede do quarto, esperando recuperar coisas esquecidas, como a exploração, a descoberta e até mesmo a conquista. Haverá um vínculo crescentemente claro entre os heróis. Pela brecha viver-se-á uma epopeia, do lugar em que dois mares se suturam, até à cidade que deu a ruína e um mito fadado a Portugal. Uma morte dada aos deuses, o cruzamento de mitologias, a viagem pela umbra humana, e muitas outras tramas intrincadas, fazem deste livro um santuário da Língua onde se aliam o contemporâneo e a memória. Nestas páginas, a sedução da narrativa épica e a pujança da poesia e do teatro, pedem um leitor pronto à verdadeira aventura literária.

 

 

 

                    

 

José Eduardo Franco

José Eduardo Franco

José Eduardo Franco (1969). Historiador. Investigador-Coordenador com equiparação a Professor Catedrático da Universidade Aberta, Titular da CEG – Cátedra de Estudos Globais/CIPSH e coordenador de linhas de investigação do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). (mais…)