Frei João da Luz

Fr. IOAÕ DA LUZ naceo para o Mundo em a Villa de Aveiro do Bispado de Coimbra a 28 de Dezembro de 1662. e renaceo para Deos recebendo a cogulla Monachal do Patriarcha S. Bento no Convento de Lisboa a 30 de Abril de 1679. onde foy Abbade do Collegio da Estrella, e do Convento de Santarem. Passou a Roma por Procurador da Provincia do Brazil, e Voltando ao Reyno falleceo piamente no Convento de Santarem a 16 de Setembro de 1717.

Compoz

Exclamaçoens Espirituaes. 4. M. S. Conservase na Livraria do Convento de Santarem.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Padre João de Lucena

P. IOAÕ DE LUCENA. Naceo em a Villa de Trancoso do Bispado de Vizeu, e teve por Pays ao Licenciado Manoel de Lucena Ouvidor de Barcellos criado dos Serenissimos Duques de Bragança D. Theodozio primeiro, e D. Ioaõ o primeiro, e a Izabel Nogueira Sarayva de igual nobreza à de seu Consorte, e por irmaõ a Affonso de Lucena Commendador de S. Tiago de Coelhoso, Alcayde mòr de Portel, e Evora Monte, e Secretario da Serenissima Senhora D. Catherina Duqueza de Bragança, do qual se fez mais larga memoria em seu lugar. Em a tenra idade de quinze annos se alistou na Companhia de IESUS em o Noviciado de Coimbra a 14 de Março de 1565. Onde estudadas as letras humanas, e sciencias severas em que se distinguio pela delicadeza do juizo de todos os seus condiscipulos, dictou Filosofia em a Universidade de Evora com aplauzo, sendo mayor o que conciliou em o pulpito por ser ornado de todas as partes constitutivas de hum consumado Orador Evangelico cujo ministerio exercitou pelo largo espaço de vinte annos servindolhe de theatros os mayores Templos, e de auditorio as pessoas mais eruditas, que suavemente atrahidas da sua natural eloquencia, e apostolica eficacia romperaõ em vozes pedindo-lhe continuasse o Sermaõ quando lhes parecia o acabava. Observou com summa exaçaõ todos os preceitos do seu Instituto sendo benefico para os ingratos, charitativo para os pobres, constante nas adversidades, continuo na Oraçaõ, prompto na obediencia, panegirista das açoens alheas, e desprezador das proprias. Todos os dias se preparava com a confissaõ sacramental para celebrar o incruento sactificio da Missa onde derramava grande copia de lagrimas fervorosas testemunhas do incendio, que lhe abrazava o peito. Provada a sua heroica tolerancia com huma dilatada enfermidade se alegrou excessivamente com a noticia de ter chegado o termo da sua peregrinaçaõ, e recebidos os Sacramentos com espiritual ternura espirou placidamente em a Caza de S. Roque a 2 de Outubro de 1600. quando contava 52 annos de idade, e 37 de Religiaõ. He celebrado o seu nome pelas pennas de gravissimos Escritores. Manoel de Faria, e Souza Inform. sobre a Cens. às Lusiad. de Camoens. pag. 119. n. 28. doctissimo, e elegantissimo Theologo Christiano; e pag. 126. n. 40. Gran Escritor. e no Tom. 1. da Asia Portug. nas Advert. Escritor benemerito de toda estima por el juizio con que trata las cosas, y por la elegancia, y por el discurso. Telles Chron. da Comp. de Jes. Da Prov. de Portug. Part. 1. liv. 2. cap. 1. n. 7. insigne Historiador. D. Franc. Man. Cart. dos AA. Portug. escrita ao Doutor Themudo Apostolico Pregador. Nadasi Annus Dier. Mem. S. J. Part. 2. pag. 199. col. 2. patientia, piis lacrymis, & in omnes charitate spectabilis. Fonceca Evor. Glorios. pag. 433. insigne Orador do seu tempo. Bib. Societ. pag. 470. col. 2. vir fuit omnibus ornatus virtutibus. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. 1. n. 47. Litterarum hamaniorum, ac Philosophiae laudatissimus Praeceptor fuit, sed lusitana eloquentia, arte que concionatoria longe clarissimus. Ant. de Leaõ Bib. Orient. Tit. 8. Abreu Vida de S. Quiteria cap. 8. grave, e douto Padre; e 180. grave Escritor. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 552. col. 1. Clarus imprimis eloquentia, facultateque Oratoria. Franco Imag. da Virtud. em o Nov. de Coimb. Tom. 1. liv. 3. cap. 85. Ainda que o seu engenho para tudo era cabal com tudo no talento, e prendas para o ministerio da pregaçaõ era raro; e no Ann. Glorios. S. J. in Lust. pag. 567. Fulsit proeclarissimo ingenio ad magisteria, & dotibus praecellentibus ad Sacra pulpita. Compoz com estilo claro, elegante, e puro pelo qual he numerado entre os mais celebres Historiadores deste Reyno por Antonio de Macedo Flor. de Espan. cap. 22. Excel. 6. Ioaõ Pinto Ribeiro Relac.1 n. 83. e o grande antiquario Manoel Severim de Faria Disc. Var. fol. 81. v.º Historia da Vida do P. Francisco de Xavier, e do que fizeraõ na India os mais religiosos da Companhia de IESUS. Lisboa por Pedro Craesbeeck. 1600 fol. Foy traduzida na lingua Italiana pelo P. Luiz Mansonio. Roma por Zanneti 1613 4. e em Castelhano pelo P. Affonso do Sandoval ambos da Companhia de IESUS. Sevilla por Francisco de Lyra. 1619 4. e em Latim como escreve Manoel Severim de Faria no lugar assima citado.

Commentaria in Mathaeum. M. S. fol. Desta obra que deixou imperfeita se lembra Fonceca Evor. Glorios. p. 433. e Franco Imag. da Virtud. do Nov. de Coimb. p. 785.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

João Lourenço

IOAÕ LOURENÇO Secretario do Illustrissimo Arcebispo do Funchal Primaz do Oriente D. Martinho de Portugal Primo, e Embaxador na Curia Romana delRey D. Ioaõ o III. Pela innocencia da vida, e capacidade do talento mereceo particulares estimaçoens daquelle grande Prelado. Compoz.

Regimento para os Officiaes de huma Caza poderem bem servir seus cargos. fol. M. S. He volume grande, e se conserva na Livraria do Excellentissimo Duque de Lafoens, que foy do Emminentissimo Cardial de Souza.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João Lopes Raposo da Castanheda

IOAÕ LOPEZ RAPOSO DA CASTANHEDA natural da Villa de Torres Novas filho de Manoel Iorge Rapozo, e Domingas Rodriguez, e irmaõ de Fr. Manoel da Resurreiçaõ Agostinho Descalso, Procurador Geral da sua Congregaçaõ em a Curia Romana, e de Luiz de Castanheda Rapozo Freyre da Ordem militar de S. Tiago dos quais se fará mençaõ em seus lugares. Depois de estudar a Iurisprudencia Cesarea na Universidade de Coimbra passou a servir os lugares, que lhe prometiaõ a sua profunda sciencia unida com grande desinteresse, como foraõ Iuiz de fora de Sylves, e da Cidade de Pinhel donde foy provido em a Correiçaõ de Evora. Falleceo na sua patria a 9 de Abril de 1703. Foy muito aplicado a liçaõ da Historia secular, e de Genealogia em que o seu fecundo engenho produzio os seguintes frutos.

Familia dos Alancastros de Aveiro, e das Familias com que aparentáraõ, e outras de Torres Novas. fol. M. S.

Relaçaõ do descubrimento dos Santos da Cidade de Concordia. Dedicada ao Duque de Aveiro; da qual faz mençaõ o Licenciado Iorge Cardozo Agiol. Lusit. Tom. 3. pag. 763. no Commentar. de 20 de Iunho letr. A.

Relaçaõ da chegada a Lisboa do corpo do admiravel varaõ invicto Cavalleiro de Christo, Heroe famoso, e acerrimo defensor da Fé, e generoso Capitaõ do Oriente o Senhor Andre Furtado de Mendoça Governador da India. 4. M. S.

Vida, y muerte del Señor Obispo de Otranto D. Fr. Diego Lopes de Andrade Lusitano de la Orden de S. Augustin. 4. M. S. Consta de 11. Capitulos. Estas duas obras se conservaõ na Livraria do Convento da Graça de Lisboa dos Erimitas de Santo Agostinho onde as vimos.

O moderno addicionador da Bib. Occid. de Antonio de Leaõ Tom. 2. Tit. 23. col. 841. o faz author da Vida do V. Gregorio Lopes porem enganou-se pois (como afirma Pedro Lobo Correa em o Prologo da Vida, q compoz deste servo de Deos impressa em Lisboa por Domingos Carneiro 1675 . 8.) sendo Ministro tirou quatro testemunhas authenticas, que deposeraõ ser o V. Gregorio Lopes natural da Villa de Linhares em a Provincia da Beyra, e naõ de Madrid como escreveraõ algumas pennas Castelhanas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João Lopes de Oliveira

IOAÕ LOPES DE OLIVEYRA natural da Cidade de Evora, e muito perito nos preceitos da Arte Poetica, que cultivou com felicidade sendo mais plausivel o seu talento na Poezia Comica em que compoz muitas obras, que se reprezentaraõ com geral aceitaçaõ dos Expectadores, das quais foraõ as principaes.

Achilles, e Thetis. Reprezentada no anno de 1578. em a Noute de Natal.

O Prodigo. Constava de verso, e proza, e comprehendia 75 folhas a qual foy aprovada pela Inquisiçaõ de Evora a 25 de Agosto de 1590.

Autto da Assumpçaõ de Nossa Senhora. Deste faz memoria o Padre Fonceca Evor. Glorios. pag. 412.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

João Lopes de Leão

IOAÕ LOPES DE LEAÕ natural de Lisboa professor da Iurisprudencia. Canonica, e Civil nas quais recebeo o gráo de Doutor, e celebre Advogado de Causas Forenses na Curia Romana onde assistia em o anno de 1721. Para claro argumento da profunda sciencia, que tinha de hum, e outro Direito publicou.

De Quindenniis tractatus novus in quo ogitur de Quindenniis, quae foco Laudemiorum singulis qindecim annis debentur Dominis directis à manibus mortuis, seu Ecclesiis ex Bonis Emphyteuticis in easdem translatis ad instar Quindenniorum, quae loco Annatorum singulis quindecim annis debentur Camerae, seu Cancellariae Apostolicae à manibus mortuis, seu Ecclesiis ex Beneficiis eisdem unitis. Roma ex Typographia Rochi Barnabò. 1721 fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]