Frei João da Madre de Deus

Fr. IOAÕ DA MADRE DE DEOS natural de Lisboa, e religioso da Sagrada Ordem da Santissima Trindade cujo instituto professou no Convento patrio a 8 de Agosto de 1694. Dictou as sciencias escholasticas até jubilar na Sagrada Theologia. Foy Ministro do Convento de Lisboa, Vizitador Geral, e Presidente da Provincia, e Confessor das Religiosas Trinas do Convento da Soledade de Lisboa. Entre muitos Sermoens, que com aplauzo recitou em os mais authorizados pulpitos desta Corte unicamente se fez publico o seguinte.

Sermaõ no Real Convento de Nossa Senhora do Carmo de Lisboa aos 23 do mez Setembro de 1727. na solemnidade com que o dito Convento celebrou a Canonizaçaõ de S. Ioaõ da Cruz. Lisboa por Miguel Rodrigues 1728. 4. Sahio nas Memor. Histor. Paneg. e Metric. do Sagrado culto com que o Convento do Carmo de Lisboa celebrou a Canonizaçaõ de S. Joaõ da Cruz desde pag. 185 . até 221.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Frei João da Madre de Deus

D. Fr. IOAÕ DA MADRE DE DEOS. Naceo em Lisboa, e depois de estudar a lingua Latina, e o Canto de Orgaõ no Real Convento de S. Francisco da sua patria afeiçoado a este instituto o professou no Convento de Santarem. Apredidas as sciencias escholasticas de cujos progressos, que nelles fez o seu agudo talento, formou degraos para subir ás Cadeiras, e naõ menos aos pulpitos alcançando a merecida fama de insigne Letrado, e famoso Pregador. Com tanta energia exercitou este evangelico ministerio, que sendo seu ouvinte ElRey D. Ioaõ o IV. em a Capella Real o nomeou seu Pregador cujo lugar conservou em os Reynados de D. Affonso VI. e D. Pedro II. dispendendo o ordenado, que percebia em obsequio do divinissimo Sacramento. Havendo sido Guardiaõ dos Conventos de Coimbra, e Lisboa foy assumpto a Provincial a 19 de Novembro de 1675. em o Capitulo em que prezidio o Comissario Geral Fr. Diogo Fernandes de Angulo. No tempo do seu governo se consumou o edificio do Collegio de S. Boaventura de Coimbra, e se tresladaraõ do Convento Velho para o novo as Religiosas de Santa Clara da mesma Cidade com o corpo da Raynha Santa Izabel. Elevada a Cathedral da Bahia a Metropole atendendo aos seus merecimentos o Principe Regente D. Pedro o nomeou primeiro Arcebispo daquella Diocese a 13 de Janeiro de 1682. e foy sagrado na Capella mór do Convento de S. Francisco a 23 de Setembro do dito anno pelo Illustrissimo Nuncio Apostolico Marcello Durazzo Arcebispo de Calcedonia. Fez a entrada publica na Bahia a 20 de Mayo de 1683. Onde dezempenhou as obrigaçoens de insigne Pastor emendando culpas com prudencia, reformando abuzos com severidade, e dispendendo esmolas com frequencia. Sentindo-se acometido do mal epidemico, que devastava o Estado da Bahia fez doaçaõ de tudo quanto possuia, e recebidos os Sacramentos com grande compunçaõ espirou a 13 de Junho de 1686. Foy universalmente sentida a sua morte principalmente pelo Cabbido, que em memoria do seu afesto lhe celebrou magnificas exequias em que orou o V. Padre Alexandre de Gusmaõ Provincial da Companhia de IESUS, e Fundador do Seminario de Belem. Jaz sepultado junto dos degraos, que sobem para a Capella mòr da Cathedral, e na Campa estaõ abertas as Armas da Religiaõ Serafica com huma Cruz na parte inferior que tem o seguinte Epitafio.

Sepultura do Illustrissimo D. Fr. Ioaõ da Madre de Deos primeiro Arcebispo, que veyo a este Estado. Falleceo a 13 de Junho de 1686.

Compoz.

De Incarnatione. fol. M. S.

De Sacramentis in genere. fol. M. S.

Estes dous volumes, como escreve Fr. Fernando da Soledade Hist. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 5. liv. 4. cap. 40. naõ viraõ a luz do Prelo que tambem faltou aos seus Sermoens dos quaes existem 89 em hum Tomo. M. S. que se conserva na Bibliotheca do Convento de S. Francisco da Cidade.

Aguia de Esdras. He huma interpretaçaõ, e Commento das visoens, que Esdras refere no cap. 11. 12. e 13. do 4. livro. Este tratado he dividido em 3. Partes. a 1. trata dos Sonhos, e visoens, que Esdras teve, e da explicaçaõ, que Deos lhe deu. Na 2. trata do Reyno, Reys, e sucessos do mesmo Reyno mostrando, que Reyno, e que Reys saõ estes? Na 3. trata do Leaõ em que falla nestes sonhos Esdras mostrando quem seja este Leaõ, e como nelle se verificaõ os Vaticinios de Esdras. 4. M. S. Conservase na mesma Bibliotheca.

Duas Censuras por ordem do Dezembargo do Paço ao 1. e 2. Tomo dos Sermoens do Padre Antonio Vieyra; a 1 a 29 de Agosto de 1678. e a 2 a 26 de Fevereiro de 1682. Sahiraõ impressas no principio destes dous Tomos. A 1. Lisboa por Joaõ da Costa. 1679. 4. e a 2. ibi por Miguel Deslandes. 1682. 4. Nellas se admira a elegancia, e discriçaõ de D. Fr. Ioaõ da Madre de Deos hum dos mayores Oraculos do pulpito Luzitano no seculo passado como delle escreve Sebastiaõ da Rocha Pitta Hist. da Americ. Portug. liv. 7. § 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João da Madre de Deus

IOAÕ DA MADRE DE DEOS natural da Cidade de Braga filho de Pedro Lopes, e Izabel Diniz. Antes de entrar na Congregaçaõ dos Conegos seculares do Evangelista Amado era taõ perito na lingua latina, como dextro na Musica, e excellente no Orgaõ. Recebido o habito Canonico se exercitou em virtudes heroicas principalmente na mortificaçaõ com que reduzia a liberdade dos sentidos às severas leys do espirito dormindo na terra, comendo parcamente, e disciplinandose com rigor excessivo. No ministerio de Mestre dos Noviços parecia pela humildade ser delles discipulo. Tolerou com insigne constancia a malevolencia de alguns emulos que convenceo com a apologia da sua justificada vida. O excesso das penitencias lhe abreviaraõ os seus annos fallecendo abraçado com a imagem de Christo Crucificado a 7 de Março de 1674. em o Convento de Villar. Publicou com o nome de Ioaõ Lopes, que tinha em o seculo.

Exercicio quotidiano para todo Christaõ colhido de varios Authores. Lisboa por Domingos Carneiro. 1669 12.

Desta obra, como de seu Author faz mençaõ o Padre Francisco de Santa Maria Chron. dos Coneg .Secul. liv. 4. cap. 34.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João da Madredeus

Fr. IOAÕ DA MADRE DE DEOS natural da Villa de Aldegallega em a Provincia Transtagana. Na tenra idade de quinze annos se resolveo contra a vontade de seus Pays Duarte Rodrigues Pimentel, e Francisca Rodrigues igualmente opulentos que nobres abraçar o austero instituto da Serafica Provincia de Santa Maria da Arrabida ao qual foy admitido em o anno de 1568. pelo Provincial Fr. Damiaõ da Torre. Depois de Professo começou a practicar com tal exaçaõ as virtudes religiosas que servia de exemplar, e estimulo a todos os seus companheiros. Para debilitar o corpo, e fortalecer o espirito naõ comeo carne, nem peixe por toda a vida, alimentandose taõ parcamente das ervas, e legumes que parecia viver independente da natureza. Iejuava a paõ, e agua as Quaresmas, Adventos, Vesperas das Festividades de Maria Santissima, e dos Sagrados Apostolos. Todas as horas, que roubava ao descanso as consumia posto de joolhos escutando no silencio da noute as suaves vozes com que lhe fallava ao coraçaõ o seu Amado. Sendo Mestre dos Noviços os educava mais com as açoens que palavras distribuindo com severa eleyçaõ para si o rigor, e para elles a benevolencia. Exercitou varias Guardianias onde o sacrificio da obediencia lhe fazia toleravel a molestia do governo. Cheyo mais de virtudes, de que annos depois de tentada a sua paciencia com huma dilatada infermidade esperou a morte como se pode conjecturar da sua justificada vida fallecendo no Convento de Santarem a 5. de Iunho de 1625. quando contava 72 annos de idade, e 57. de religioso. Delle se lembra Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 566. col. 2. Fr. Ioan. a D. Ant. Bib. Francisc. Tom. 2. p.189. Fr. Iozé de Ies. Mar. Chron. do Prov. da Arrabid. Tom. 2. liv. 1. cap. 1. n. 4. até 9. Compoz.

Alguns Tratados do Serafico Doutor S. Boaventura em que se contem huma doctrina mui proveitoza, e necessaria a toda a pessoa principalmente religiosa que quizer desarraigar de si os vicios, e plantar as virtudes, e crecer nellas, e darse à Oraçaõ. E alem destes outro Tratado para os Tementes de Deos se saberem confessar, e com pureza de conciencia, e ao fim se poem humas Oraçoens muy devotas para antes, e depois da Sagrada Comunhaõ. Lisboa por Antonio Alvares. 1602 8. O 1. Tratado consta da composiçaõ dos custumes. 2. da reforma da Vida. 3. do  aproveitamento do Estado Espiritual. 4. Ramilhete de exercicios espirituaes. 5. Lembranças para viver Christamente 6. Modo de se confessar com pureza de conciencia.

Concordia Breviarii Romani Pii V. jussu editi cum Breviario a D. Papa Clemente VIII. recognito. Ulyssipone apud Petrum Craesbeeck. 1604 4. Nas aprovaçoens està o nome do Author que naõ tem em o frontispicio.

Processo da Payxaõ de Christo Nosso Redemptor com humas Meditaçoens muy pias, e huma breve, e devota Exposiçaõ dos sete Psalmos Penitenciaes. Lisboa por Antonio Alvares. 1617 8. Desta obra faz memoria Iacob. le Long. Bib. Sacr. pag. mihi 797. col. 2.

 

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João Madeira

IOAÕ MADEIRA Conego da Cathedral de Viseu, e Presbitero de exemplares custumes. Compoz, e imprimio conforme escreve Ioaõ Franco Barreto na Bib. Portug. M. S.

Perfeito Sacerdote.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João Madeira

Fr. IOAÕ MADEIRA natural da Cidade de Elvas em a Provincia Transtagana, e alumno da Illustrissima Ordem dos Pregadores onde illustrou o juizo com as letras, e ornou o espirito com as virtudes. Penetrado excessivamente com a violenta intrusaõ de Filippe Prudente nesta Coroa de que foy fatal consequencia passar o dominio Portuguez a Principe estranho explicava repetidamente o seu sentimento com as palavras do Velho Matathias escritas no 1. livro dos Macabeos cap. 2. Vers. 7. e 13. Vae mihi ut quid natus sum videre contritionem populi mei…. quò ergo nobis adhuc vivere ? Naõ querendo testemunhar as calamidades dos seus naturaes se embarcou para á India no anno de 1582. em companhia de Fr. Lopo Cardoso, e Fr. Ioaõ dos Santos, e chegando a Goa passou aos Reynos de Cambaya, e Sofala onde agregou  infinitas almas ao gremio da Igreja, e destruio muitos Pagodes em que era adorado o demonio. Voltando a Goa se exercitou já decrepito no ministerio de enfermeiro até que chegada a hora de serem premiadas as suas virtuosas obras falleceo no Convento de Goa a 10 de Abril de 1605. Delle fazem honorifica mençaõ Cardozo Agiol. Lusit. Tom. 2. p. 499. e 507. no Coment. de 10 de Abril. letr. F. Santos Etiop. Orient. Part. 2. liv. 2. cap. 7. e liv. 3. cap. 8. Fernand. Concert. Praed. fol. 291. e na Hist. Eccles. liv. 2. cap. 16. Lopez. Chron. da Ord. de S. Domingos. Part. 2. cap. 40. e Souza Hist. de S. Domingos da Prov. de Portug. Part. 1. liv. 3. cap. 32.

Compoz

Compendio da Vida dos Reys de Portugal. M. S. Esta obra que o author entregou a Garcia de Mello seu particular amigo, a deu a Fr. Pedro Caluo Prior que entaõ era do Convento de S. Domingos de Lisboa e do poder deste veyo ao de Fr. Henrique dos Santos, e ultimamente no anno de 1626. a seu sobrinho Fr. Agostinho de Cordes Lente de Prima de Theologia Moral no Collegio de N. Senhora da Escada, Qualificador do S. Officio que morreo no Convento de Lisboa a 4 de Fevereiro de 1662. Tinha o referido Compendio da Vida dos Reys de Portugal alguns motes glossados como vaticinios de futuros sucessos principalmente no fim da Vida delRey D. Ioaõ o I. estava hum que prognosticava a Aclamaçaõ delRey D. Ioaõ o IV. o qual relataõ Fr. Manoel Homem Resurreic. de Portug. cap. 4. p. 54. Almeyda Restaur. de Portug. Part. 1. cap. 40. e Antonio de Souza de Macedo Lusit. Liberat. Apend. ad cap. 1. n. 61. pag. 739. a quem por equivocaçaõ chama Francisco de Macedo Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 557. col. 2. de cujo engano foraõ sequazes Echard Script. Ord. Praed. Tom. 2. p. 328. col. 2. Fr. Pedro Monteiro Claustr. Domin. Tom.3. 53 p. 235. e Franckenau Bib. Hisp. Geneal. Herald. p. 229.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]