Henrique de Sousa

HENRIQUE DE SOUZA natural de Coimbra, e filho do Doutor Joaõ de Mello de Souza Dezembargador dos agravos na Caza da Suplicaçaõ, e nella Chanceller, Fidalgo da Caza Real a quem imitou na sciencia juridica, e afluencia poetica como cantou o insigne Poeta Pedro Sanches na Carta escrita a Ignaciõ de Moraes.

En tibi ni fallor generosa, & vera propago

Praeclari Melli Henricus, qui damna rependit

Etsunt, quod fata mala inflixere Minervae.

Foy Dezembargador da Caza da Supplicaçaõ de que tomou posse no primeiro de Agosto de 1576. Procurador das Ordens Militares, e ultimamente Dezembargador do Paço. Morreo em Lisboa a 15 de Junho de 1605. Compoz.

Decisiones ad Ordines Militares pertinentes. fol. M. S.

Egloga entre Pereiras, e Carvalhos. M. S.

Epigramma in Laudem Lupi Serrani de Senectute scribentis.

Poesias em aplauzo de Santo Antonio de Lisboa. M. S.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Henrique do Quental Vieira

HENRIQUE DO QUENTAL VIEYRA natural da Villa de Santarem filho do Licenciado Rafael do Quental Vieyra, e neto do insigne medico Fernando Alvres  Cabral, e como elle professor da mesma Faculdade em a Academia Conimbricense, onde sahindo nella eminente alcançou as mayores estimaçoens pelo methodo com que triumfava das infermidades mais perigosas. Foy elegante Poeta assim na lingua materna, como Castelhana, Latina, e Italiana sendo as suas composiçoens metricas ouvidas com grande aplauzo na Academia dos Singulares instituida em Lisboa no anno de 1663. do qual era famoso Collega por cuja cauza o numera, e a seu irmaõ entre os milhores alumnos do Parnasso Portuguez, Jacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Lusit. Estanc. 66.

Puede a los dos Quintales eminente

Tanto el Laurel honrar com fin glorioso

Que jàctando-se en ellos de excellente

Passe a ver graves versos de Viçoso.

Morreo em Lisboa a 16 de Junho de 1664. deixando compostas as obras seguintes. Dous Sonetos hum Castelhano, e outro Portuguez à morte de D. Maria de Atayde. Nas Memor. Funeb. desta Senhora. Lisboa na Officina Craesbeckiana 1650. 4.

Quatorze Epigramas latinos. Huma Elegia Portugueza. Poesia latina   Macaronica ao Carnaval. 4 Sonetos 3 Sylvas. 1. Tercetos. 16 Decimas. 1 Romance. 1 Redondilhas a diversos assumptos sahiraõ impressos na 1. Part. da Academia dos Singulares Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1665. 4. & ibi por Manoel Lopes Ferreira. 1692. 4.

Guia de Sangradores. Lisboa por Joaõ da Costa. 1669. 8. & ibi pelo dito Impressor. 1670. 8.

Disceptationes apologeticae de sanguinis missione, & purgatione speculative, & practice. Tom. 1. M. S. volume grande.

Observationum Medicarum practicarum Tomi duo cum Scholiis. Continent centum quadraginta quinque observationes. M. S. fol.

Dialogus de febre maligna. M. S. 4.

Empyrica, sive Secreta Secretorum omnium infermitatum Corporis humani. Tomus primus. M. S. fol.

Todas estas obras conservava com grande estimaçaõ o Doutor Henrique Moraõ Medico da Camara delRey D. Pedro II.

De pulchritudine. Esta obra vio Joaõ Franco Barreto como afirma na Bib. Portug. M. S.

Tratado do Tabaco. M. S.

Delle fazem memoria D. Francisco Manoel de Mello Carta dos AA. Portuguezes ao Doutor Manoel Themudo da Fonceca, e Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Liter. lit. H. n. 9.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Henrique de Penalva

Fr. HENRIQUE DE PENALVA natural do Conselho do seu appellido situado em a Provincia da Beira do Bispado de Viseu, Monge Cisterciense, e muito perito na erudiçaõ sagrada, e profana. Escreveo.

De Accentibus. M. S. fol. Conservase na Bibliotheca do Real Convento de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Henrique de Noronha

Fr. HENRIQUE DE NORONHA naceo em Lisboa a 31 de Março de 1610. E teve por Progenitores a D. Marcos de Noronha, e a D. Maria Henriques filha de D. Francisco da Costa Armeiro mór, e Embaxador a Marrocos, e por Avós a D. Thomaz de Noronha Embaxador de França, e D. Helena da Sylva filha de D. Gil Eannes da Costa Vedor da Fazenda delRey D. Sebastiaõ. Com eleiçaõ prudente preferio ao esplendor do nacimento a austeridade do claustro recebendo o habito de Carmelita da primeira Observancia em o Convento patrio quando estava em a innocente idade de 13 annos a 20 de Iulho de 1623. e professando solemnemente a 17 de Mayo de 1626. Como fosse admitido a Collegial do Collegio de Coimbra a 14. de Novembro de 1629. mostrou na carreira dos estudos escholasticos a viveza summa do seu penetrante engenho. Depois de ter sido Prior do Convento de Camarate; Socio, e Secretario do Provincial Fr. Antonio da Guerra, Prior do Convento de Lisboa, e Prezentado, foy eleito Provincial pela uniformidade de trinta, e quatro votos de que se compunha o Capitulo a 12 de Mayo de 1658. Naõ consentio a morte, que acabasse o tempo deste lugar, que administrava com integridade, e benevolencia arrebatando o intempestivamente a 17 de Fevereiro de 1660. quando contava 50 annos de idade, 37 de Religiaõ. Iaz sepultado no Cemiterio antigo do Convento de Lisboa com este Epitafio.

Aqui jaz o muito Reverendo Padre Presentado Fr. Henrique de Noronha Provincial desta Sagrada Religiaõ, varaõ illustre por geraçaõ. Falleceo no segundo anno do seu Provincialado aos 17 de Fevereiro de 1660.

Compoz com estilo elegante, e conceituozo.

Exemplar politico ideado nas acçoens do seu Outavo Avò o Serenissimo Rey D. Pedro I. deste Reyno. Lisboa por Paschoal da Sylva Impressor delRey. 1723. 8.

Da obra, e do Author faz larga mençaõ Fr. Manoel de Sá Mem. Historic. dos Escrit. da Prov. do Carm. de Portug. cap. 43. §. 270. e seguinte.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Henrique da Mota

HENRIQUE DA MOTA Escrivaõ da Camera delRey D. Ioaõ o III. ornado de genio estudioso, e grande capacidade pela qual lhe ordenou este Principe que fizesse huma descripçaõ de Lisboa, e por quantas pessoas era habitada, cuja incumbencia executou no anno de 1528. escrevendo.

Tratado dos vizinhos, que tinha a Cidade de Lisboa no anno de 1528. Desta obra como de seu Autor faz memoria o celebre antiquario Gaspar Barreiros na Corografia. fol. 54.

Diversas Poesias. Sahiraõ no Cancioneiro de Garcia de Resende. Lisboa por Hermaõ de Campos 1516. fol. desde fol. 201. v.° até 211.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Henrique de Meneses

HENRIQUE DE MENEZES Commendador da Azinhaga em a Ordem de Christo, e Capitaõ de Tangere filho segundo de D Joaõ de Menezes primeiro Conde de Tarouca Mordomo mór delRey D. Joaõ o II. Graõ Prior do Crato, Alferes mór de Portugal, e de D. Anna de Vilhena filha de Fernaõ Telles de Menezes quarto Senhor de Unhaõ, Gestaso, Meinedo, Commendador de Ourique Mordomo mór da Raynha D. Leonor; e de D. Maria de Vilhena Camareira mór da Raynha D. Leonor filha de Martim Affonso de Mello Alcayde mór de Olivença, e Guarda mór dos Reys D. Duarte, e D. Affonso V. Foy muito estudioso da Historia Secular, e suficientemente instruido na Jurisprudencia Civil, de que deu claros argumentos quando exercitou o lugar de Governador da Caza do Civel. Pela summa prudencia, de que era ornado o nomeou ElRey D. Ioaõ o III. Embaxador a Roma alcançando no tempo do seu ministerio a Bulla da ereçaõ do Tribunal do Santo Officio neste Reyno expedida pela Santidade de Paulo III. Para defender a innocencia de seu Irmaõ D. Duarte de Menezes, que depois foy quinto Governador da India, e decimo sexto Governador da Praça de Tangere, que se achava prezo à ordem delRey D. Joaõ o III. fez huma eloquente reprezentaçaõ a este Principe em a Villa de Setuval a 15 de Junho de 1532. estando prezentes os mayores Fidalgos, e insignes Letrados, a qual começava.

Por nos fazer a todos merce, e a seu Real Officio o que deve. Acaba. E para que V. A. assim o determinar, e haver por serviço fará as, e a seu estado, e a esta, taõ antigua Cavallaria o que deve, e a nòs muita justiça, e merce. Compoz mais.

Trabalhos de Hercules. Esta obra allega o Doutor Antonio Francisco de Alcaçova Compend. da Nobrez. e Fidalg. destes Reynos. cap. 1.

Fazem delle mençaõ Couto Decad. 7. da India liv. 7. cap. 2. e o Padre D. Antonio Caetano de Souza Hist. Gen. da Caza Real Portug. Tom. 10. liv. 10. pag. 795.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]