Frei Hilário da Cruz

Fr. HILARIO DA CRUZ chamado no seculo Domingos Vieira naceo em Lisboa sendo filho de Matheos Fernandes, e Maria Fernandes. Professou o instituto de S. Paulo primeiro Ermitaõ em o Convento da Serra de Ossa a 10 de Setembro de 1619. onde pela agudeza do engenho, e penetraçaõ do juizo sahio taõ perito nas sciencias Escolasticas, que dictou pelo espaço de 15 annos Theologia aos seus domesticos até jubilar em taõ sagrada Faculdade. Foy ornado de tantos dotes, que qualquer delles o podiaõ constituir digno da mayor estimaçaõ. Cantava com suavidade, compunha Musica com admiravel idea, e tangia Orgaõ com summa destreza. Teve para a Poesia Latina natural afluencia, para as sciencias severas portentoso talento, e para as Oraçoens Evangelicas elegante facundia. Duas vezes governou a Religiaõ deixando saudozos, e edificados os subditos. Falleceo no Convento de Lisboa a 19 de Setembro de 1665. Compoz.

Epigrammata in Laudem Sanctorum, qui per totum anni circulum ab Ecclesia Universali celebrantur, & alia Poemata. M. S. 4. Conservase no Convento de Lisboa.

Sermoens. 2. Tom. M. S. 4. Constavaõ de Panegiricos de Santos, e Discursos Quadragessimais. Estes tres volumes affirma Joaõ Franco Barreto na Bib. Portug. M. S. que os vira.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Hilário de Brandão

D. HILARIAM BRANDAM filho de Pays nobres quais eraõ Ieronimo Brandaõ, e Maria Aranha. Naceo em a Cidade de Coimbra onde havendo recebido o grao de Mestre em Artes entrou na illustre Congregaçaõ dos Conegos Regulares, e nella estudou Theologia, em que sahio eminente. Todo o tempo que lhe restava das obrigaçoens da Comunidade o gastava na liçaõ de livros asceticos, e na exposiçaõ dos textos mais dificultozos da Sagrada Escritura. Foy Prior do Real Convento de S. Vicente de fora dos muros de Lisboa, e Procurador da sua Canonica Congregaçaõ, cujos lugares exercitou com summa inteireza, e afabilidade. Dictou muitos annos Theologia Moral aos seus domesticos. Falleceo em Coimbra a 22. de Agosto de 1585. Fazem delle mençaõ D. Nicol. de Santa Maria Chron. dos Coneg. Reg. liv. 10. cap. 27. n. I9. e Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Liter. lit. H. n. 32. Compoz.

Voz do Amado.

Cazos de Conciencia. No fim. Exame de Conciencia. Estas duas obras foraõ impressas no Mosteiro de S. Vicente em 1579. por ordem do Geral D. Lourenço Leyte.

Lucubrationes, sive Commentaria in Canticum Canticorum Salomonis. M. S. Consta de 266. folhas. Começa Quanquàm do Cantico Canticornm futurus est sermo. Acaba. Pius ille Deus, & homo verus Salomon Christus Jesus, qui est benedictus in saecula. Amen. Conservava esta obra em o anno de 1604. o Mestre Diogo Serraõ morador na Cidade de Evora como afirma Francisco Galvaõ Maldonado Bib. Portug. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Hesichio de Mugem

Fr. HESICHIO DE MUGEM natural da Villa do seu appellido situada duas legoas de Santarem para o Sul, e doze de Lisboa para o Nacente. Professou o monachal instituto de S. Bernardo, em o Real Convento de Alcobaça cabeça, neste Reyno da Familia Cisterciense, e foy muito versado na liçaõ, e intelligencia da Sagrada Escritura, e Santos Padres, compondo.

Expositio Psalmorum David. M. S. fol. Guarda-se na Bibliotheca do Convento de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Frei Hermenegildo de Tancos

Fr. HERMENEGILDO DE TANCOS cujo appellido denota a Villa da Comarca de Thomar, que lhe deu o berço. Foy Monge Cisterciense em o Real Convento de Santa Maria de Alcobaça onde se exercitou nas virtudes proprias do seu Estado monachal. Escreveo.

Vidas, e Sentenças dos Santos Padres. Horto do Espozo.

Varias Oraçoens devotas.

Todas estas obras M. S. se conservaõ, em folha no Archivo de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Frei Henrique de Távora

D. Fr. HENRIQUE DE TAVORA naceo na celebre Villa de Santarem sendo fîlho terceiro de Fernaõ Cardoso muito estimado na Corte delRey D. Joaõ o III. pelos seus sentenciosos apothegmas, e D. Filippa de Brito irmãa de Manoel Serraõ de Brito. Por insinuaçaõ do Cardial D. Henrique de quem fora moço da Camara recebeo o illustre habito da Ordem dos Pregadores em o reformado Convento de Bemfica (onde havia dous annos professara o mesmo instituto seu irmaõ mais moço Fr. Fernando de Tavora, que depois foy Bispo do Funchal) a cujo actro assistio aquelle Principe mudando em seu obzequio o nome de Jeronimo, que tinha no Seculo em o de Henrique. Passado o anno do Noviciado com exemplar observancia professou solemnemente a 14 de Agosto de 1557. nas mãos do insigne Varaõ Fr. Bartholameu dos Martyres Prior de Bemfica, e tal foy o afecto, que lhe teve pela religiosa modestia, e summa prudencia de que era ornado, que sendo constrangido aceitar a Mitra Primacial de Braga o elegeo por seu domestico em quem descansava parte dos seus cuidados nastoraes. Com o tempo foy crecendo a estimaçaõ que fazia da sua pessoa querendo, que o acompanhasse ao Concilio Tridentino para onde partio a 24 de Março de 1561. Neste veneravel Congresso conciliou Fr. Henrique geral aclamaçaõ fundada na sua virtuosa vida, e profunda sciencia, da qual deu manifestos argumentos pregando a primeira Dominga da Quaresma, que cahio a 15 de Fevereiro de 1562. na prezença daquella authorizada Assemblea onde reprehendeo com apostolica liberdade os vicios, q manchavaõ o puro ouro do Sanctuario, e de que eraõ escandalozos reos as primeiras pessoas da Jerarchia Ecclesiastica. Restituido ao Reyno foy eleyto Prior do Convento de Evora em cujo governo se habilitou para outro mayor sendo nomeado por ElRey D. Sebastiaõ Bispo da Cathedral de Santa Cruz de Cochim em cuja dignidade o confirmou S. Pio V. a 13 de Janeiro de 1567. donde foy promovido para Arcebispo de Goa Primaz do Oriente por Bulla de Gregorio XIII. a 20 de Janeiro de 1578. Como verdadeiro discipulo do zelo pastoral do Ven. Fr Bartholameu dos Martyres vizitou pessoalmente todas as Igrejas de taõ vasta Diocese reformando costumes, extinguindo abuzos, e plantando virtudes até chegar à Cidade de Chaul distante sessenta legoas de Goa contra o Norte, e como a achasse infecionada de enormes vicios se armou com as obras, e palavras a reduzilla ao caminho da penitencia, porem como desta reduçaõ se offendesse hum dos seus moradores para se vingar do zelozo Prelado lhe deu ocultamente veneno, que o privou da vida a 17 de Mayo de 1581. Jaz sepultado no Cruzeiro do Convento de S. Domingos junto ao Altar da Senhora do Rosario. Delle fazem merecida mençaõ Souza Vid. de D. Fr. Bartholameu dos Martyr. liv. 2. cap. 1. e na Hist. de S. Domingos da Prov. de Portug. Part. 2. liv. 2. cap. 12. Cunha Hist. Eccles. de Brag. Part. 2. cap. 83. n. 10. Fernand. Concert. Praed. ad an. 1573. pag. 279. e na Hist. Ecclesast. liv. 2. cap. 12. Lopes Chron. da Ord. de S. Domingos. 4. P. no fim. Santos Etiop. Orient. liv. 2. cap. 13. Cardozo Agiolog. Lusit. Tom. 3. pag. 296. E 302. no Coment. de 17. de Mayo lit. E. Echard. Script. Ord. Praed. Tom. 2. p. 264. col. 1. & 2. Nic. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 432. col. 1. Ioan. Soar. de Brito. Theatr. Lusit. Liter. lit. H. n. 7. & 10. O qual se enganou duplicando em dous, cujo erro seguio Altamura ad ann. 1562. Mont. Claustr. Dom. Tom. 1. pag. 45. n. 32. e pag. 170. n. 5. e Tom. 3. pag. 228. Fontana Monum. Dom. Part. 4. cap. 6. fol. 481. Vasconcel. Hist. de Sant. Edificad. Part. 2. cap. 35. Souza Cathal. dos Bisp. de Cochim. E Arcebispos de Goa. Compoz.

Oratio de Calamitatibus Ecclesiae in Tridentina Synodo habita Dominica prima Quadragessimae 15. Februarii 1562. Brixiae 1562. com todas as Actas do Concilio. Lovanii 1567. fol. a pag. 294. & Parisiis 1672. fol. na ediçaõ de todos os Concilios. Tom. 15. col. 1386. Começa a Oraçaõ. Nemo est SS. PP. qui hujus nostri turbulenti saeculi. Acaba. Divina suppeditante conscientia perfruamur.

Advertencias para o que devem fazer os Confessores. Coimbra. 1560. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Henrique de Sousa de Jesus Maria

Fr. HENRIQUE DE SOUZA DE JESUS MARIA Religioso da Sagrada Ordem do Monte do Carmo da Provincia da Bahia onde exercita com aplauzo o ministerio de Orador Evangelico, publicou.

Sermaõ da Justiça na primeira Outava do Espirito Santo estando presente o Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor Andre de Mello de Castro Conde das Galveas, e Vicerey do Estado do Brazil com toda a Relaçaõ do mesmo Estado pregado no Convento do Carmo da Cidade da Bahia. Lisboa por Domingos Gonsalves. 1745. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]