Francisco Vieira Pinto

FRANCISCO VIEYRA PINTO filho de Francisco Pinto da Fonceca, e de Jeronima Pinto da Fonceca. Foy Reytor da Igreja de S. Pedro de Valongo situada junto a ponte do Rio Vouga em o Bispado de Coimbra em cujo beneficio foy provido sendo D. Ioaõ de Mello dignissimo Bispo desta Cathedral. Era muito aplicado ao estudo da Genealogia escrevendo.

Familia dos Pintos historiada. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Frei Francisco Vieira

Fr. FRANCISCO VIEYRA natural de Villa-Real em a Provincia Transmontana filho de Pays igualmente nobres, que opulentos chamados Gaspar Ferreira de Azevedo, e Izabel Vieyra de Souza. Ainda contava poucos annos de idade, e muitos de madureza quando deixando a Caza paterna elegeu a Religiaõ dos Erimitas de S. Agostinho professando o seu instituto no Real Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa a 6. de Mayo de 1669. Tal era a viveza com que comprehendeo as sciencias severas que ao mesmo tempo cauzava enveja aos condiscipulos, e admiraçaõ aos Mestres. Laureado com as insignias Doutoraes na Faculdade Theologica pela Universidade de Coimbra a 14. de Fevereiro de 1685. A illustrou com o seu Magisterio em as mayores Cadeiras, sendo Lente de Gabriel a 23. de Outubro de 1706. da Escritura a 26. de Ianeiro de 1714. de Vespora em 12. de Novembro de 1716. e ultimamente de Prima em o primeiro de Outubro de 1717. A sua grande literatura se naõ coarctou às especulaçoens da Theologia, mas com excesso a todos os Cathedraticos se extendia à intelligencia das Escrituras, noticia da Historia Sagrada, e Profana, liçaõ dos Oradores, e Poetas amigos como testemunhavaõ todos, que participavaõ da sua conversaçaõ sempre agradavel, e judiciosa. Naõ mereceo menor aplauzo o seu talento no pulpito que na Cadeira sendo as suas declamaçoens Evangelicas deregidas à reforma dos custumes, e extinçaõ dos vicios. Retirado à sua patria se preparou com repetidos actos de observante Religioso para a morte que o privou da vida a 25. de Setembro de 1720 quando contava 71 annos de idade, e 51. de religiaõ. Jaz sepultado no Capitulo do Convento de S. Domingos de Villa Real em cuja Campa se deve gravar por epitafio as palavras que delle escreveo o Padre Fr. Manoel de Figueiredo Flos Sanct. Aug. Tom. 4. pag. 140. Consumado Theologo em todas as Escolas, e plausivel nos argumentos. 

Compoz.

Sermaõ da Terça sexta feira de Quaresma na Capella Real da Universidade de Coimbra. Coimbra por Jozé Ferreira Impressor da Universidade. 1689. 4.

Sermaõ da Anunciaçaõ da Senhora e Encarnaçaõ do Verbo no Collegio da Graça em 1687. Coimbra pelo dito Impressor. 1689. 4.

Sermaõ na ultima Tarde do Triduo que no Convento de Santo Agostinho da Cidade do Porto se celebrou em 28 de Outubro de 1689. na Tresladaçaõ do Sacramento para a nova Igreja dedicada ao mesmo Santo Agostinho com a circunstancia da felice nova do nacimento do Principe que Deos guarde porque chegou quando se dava principio a solemnidade. Coimbra por Manoel Dias Impressor da Universidade 1689. 4.

Sermaõ da Quarta Dominga de Quaresma na Sé de Coimbra. Lisboa por Miguel Manescal 1691. 4.

Sermaõ do Auto da Fé que se celebrou no pateo de S. Miguel da Cidade de Coimbra em 19. de Iunho de 1718. Coimbra na Officina do Real Collegio das Artes da Companhia de JESUS 1718. 4.

Voz Evangelica, que nos mudos characteres da estampa catholicamente brada, e se divulga em quarenta Sermoens Panegyricos festivos, como tambem funebres, e Quaresmaes. Coimbra por Antonio Simoens Impressor da Universidade. 1708. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Padre Francisco Vieira

P. FRANCISCO VIEYRA natural da Villa da Arruda do Patriarchado de Lisboa foy admitido em o Collegio de Coimbra à Companhia de JESUS a 15. De Janeiro de 1544. onde igualmente cultivou as letras, e as virtudes. Depois de ser Superior da Caza de Santo Antaõ em Lisboa dezejozo de pregar o Evangelho nas Regioens Orientaes partio com faculdade dos Superiores a 24. de Março de 1553. em a Náo Santa Cruz de que era Capitaõ Belchior de Souza Lobo em cuja navegaçaõ posto que impelido dos ventos arribasse a Lisboa, exercitou com os infermos todo o genero de charidade. Segunda vez tentou taõ prolongada jornada, e embarcado com o Vice-Rey D. Pedro Mascarenhas em a Náo Saõ Boaventura aportou felizmente a Goa a 23. de Setembro de 1554. Para exercicio do seu apostolico espirito passou com outros companheiros em o anno de 1557. às Ilhas Molucas onde agregou muitas almas ao conhecimento da verdadeira Divindade padecendo na cultura de vinha taõ agreste intoleraveis trabalhos sendo buscado por ElRey de Geilolo para o privar da vida até que recebeo o premio delles na eternidade gloriosa. Fazem mençaõ deste Varaõ Evangelico Telles. Chron. da Comp. De Jesus da Prov. de Portug. Part. 2. liv. 4. cap. 22. §. 7. e liv. 5. cap. 4. §. 1. e cap. 49. §. 2. Maffeo de Reb. Ind. lib. 16. Franc. Ann. glor. S. I. in Lusit. pag. 775.

Escreveo

Carta ao Geral escrita de Ternate a 18. de Fevereiro de 1558. Na qual refere o martyrio do Padre Affonso de Castro, conversaõ de hum Rey, e Christandade daquellas partes. Desta carta se fez hum extracto na Lingua Latina que sahio com outras. Lovanii apud Rutgerum Velpium 1569. 8. a pag. 225.

Carta escrita das Molucas aos Padres da Provincia de Portugal a 9. De Março de 1559. Consta de nove paginas.

Carta escrita das Molucas aos mesmos Padres a 29. de Ianeiro de 1568. Estas duas Cartas com outras duas se conservaõ no Archivo da Caza professa de S. Roque de Lisboa.

Relaçaõ do Martyrio do V. P. Ioaõ Bautista Machado. Conserva-se M. S. no Cartorio do Collegio de Coimbra como afirma o Padre Antonio Franco Imag. Da virtud. do Novic. de Lisboa. Liv. 2. cap. 24. §. 25.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Francisco da Veiga

Fr. FRANCISCO DA VEYGA natural da Villa de Barcellos do Arcebispado de Braga filho do Doutor Thomaz Rodrigues da Veyga lente de Prima de Medecina em a Universidade de Coimbra, e de D. Helena Pinheira irmãa do insigne Jurisconsulto o Dezembargador Thome Pinheiro da Veyga dos quais ambos se fará distinta memoria em seus lugares. Professou o instituto Serafico em a Provincia de Portugal onde depois de estudar as sciencias necessarias para o pulpito exercitou este sagrado ministerio com zelo apostolico reprehendendo as culpas, e ocultando os culpados de que se seguiraõ admiraveis conversoens. Retirado para o Convento da Ilha da Madeira se sepultou em huma cova pelo espaço de seis mezes sendo o seu unico alimento as eruas, que produzia o campo, de cuja rigorosa abstinencia contrahio a infermidade que o afligio largo tempo até ser transferido ao eterno descanço. Compoz.

Perfeiçaõ da Vida Evangelica. 2. Tom. M. S. Os quais estavaõ com despacho do Dezembargo do Paço de 21. de Janeiro de 1634. em que o Author vivia para que os revisse Fr. Martinho Moniz Religioso Carmelita observante.

Fruto do Sangue de Christo sobre as palavras do Capitulo 20. de S. Matheos Calicem meum bibetis. 4. 2. Tom. Estavaõ com aprovaçaõ da Ordem para se imprimirem.

Sermoens diversos de Nossa Senhora, das suas nove Festas do anno, e outras particulares dedicados à Immaculada Conceiçaõ da Virgem Nossa Senhora, honra, Tymbre, solar, devisa, e profisaõ da Ordem Serafica. Começa a Dedicatoria. Quando ponho os olhos, Immaculada Princeza, nas muitas obrigaçoens que a Sagrada Religiaõ Franciscana vos tem em lhe dares a honra de Defensora da vossa Immaculada Conceiçaõ, eu como filho &c. Consta de 29. Sermoens. 4. M. S. Fr. Fernando da Soledade. Hist. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 5. cap. 29. n. 459. faz mençaõ desta obra a qual como a precedente conservava em seu poder Fr. Luiz de S. Francisco sobrinho do Author de quem se fará memoria em seu lugar.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Padre Francisco da Veiga

P. FRANCISCO DA VEYGA natural de Villa Viçosa da Diocese de Evora filho de Francisco Cordeiro, e Maria Fagundes. No Real Collegio desta Cidade se alistou na Companhia de JESUS a 5. de Junho de 1617. quando contava 17. Annos de idade. Aprendeo as letras humanas, e divinas com disvelo, e as dictou com aplauzo, principalmente quando foy Mestre da Sagrada Escritura em a Universidade de Evora. Observou com escrupulosa exaçaõ os preceitos do seu instituto. Foy muito amantissimo da pobreza, e inimigo da comunicaçaõ com Seculares. Prégou com grande fruto dos ouvintes sendo o seu total empenho plantar virtudes, e estirpar vicios. Ao tempo que tinha feito todos os actos literarios para se graduar Doutor em a Faculdade da Theologia foy intempestivamente arrebatado pela morte a 7. de Dezembro de 1643. com 43. annos de idade e 26. de Religiaõ. Delle se lembra Franco Annal. S. J. Lusit. pag. 285. §. 8. Clarescebat ad Scientias tradendas ingenio felici e Ann. Glorios. S. J. in Lusit. pag. 731. Compoz.

Commentaria in Ionam Prophetam. fol. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Padre Francisco Velho

P. FRANCISCO VELHO natural do lugar de S. Andre de Palma termo de Barcellos do Arcebispado de Braga filho de Joaõ Alvares Velho, e de Catherina Affonso. Na tenra idade de quinze annos abraçou o instituto da Companhia de Jesus em Lisboa a 9. de Março de 1620. Dictou humanidades seis annos, e Filosofia no Collegio de Lisboa. Em Roma foy Substituto do Assistente desta Provincia, e Penitenciario em o celebre Sanctuario da Casa do Loureto. Contrahindo huma grande infermidade da assistencia que fazia aos soldados do Exercito de Entre Douro, e Minho ao tempo que se recolhia ao Collegio de Braga falleceo no Hospital de Ponte de Lima, que administraõ os religiosos de S. Joaõ de Deos, a 30. De Novembro de 1662. Foy muito douto nas letras humanas, e antiguidades Ecclesiasticas. Compoz

Vida de Santo Olympio. Desta obra faz mençaõ Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 3. pag. 655. no Comment. de 12. de Junho letr. B. e Nicolao Antonio Bib. Hisp. Tom. 2. pag. 325. col. 1.

Vida de Santo Epitacio Martyr. Faz memoria desta obra Fr. Pedro Poyares Paneg. da Villa de Barcel. cap. 98. pag. 227.

Sendo Mestre de Humanidades compoz huma Elegia à morte do P. Francisco de Mendoça que sahio impressa no principio do seu Viridario. Lugduni apud Laurentium Anisson. 1649. fol.

Tem por titulo a Elegia.

Lugduni, seu Gallici leonis Olyssiponi de obitu Mendocae Epistola. Começa.

Sic ad Ulyssaeam scribit Leo Gallicus Urbem.

Sed tamen ut Lybicus non viget ore leo.

Faz honorifica memoria delle o P. Antonio Franco Ann. Glor. S. I. in Lusit. pag. 718. et in Annal. S. I. in Lusit. pag. 333.§.15.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]