D. Francisco Xavier de Meneses

D. FRANCISCO XAVIER DE MENEZES Quarto Conde da Ericeira segundo Senhor de Anciaõ, e outavo da Caza do Louriçal, Comendador das Comendas de Santa Christina de Sazerdello, S. Pedro de Elvas, S. Cypriano de Angueira, S. Martinho de Frazaõ, S. Payo de Fragoas, e S. Bartholameu da Covilhãa, Deputado da Junta dos Tres Estados, Conselheiro de Guerra, Sargento Mór de Batalha, e Mestre de Campo General naceo na Cidade de Lisboa a 29. De Ianeiro de 1673. para immortal gloria de seus Illustrissimos Pays D. Luis de Menezes 3. Conde da Ericeira, General da Artilharia, Vedor da Fazenda, e Governador da Provincia de Traz os Montes, e D. Joanna de Menezes sua Sobrinha, filha unica, e herdeira de D. Fernando de Menezes 2. Conde da Ericeira do Conselho de Estado, e Guerra, Regedor das Justiças, e Governador de Tangere de quem se fez honorifica memoria em seu lugar. A natureza empenhada a que fosse herdeiro dos dotes scientificos destes dous claros consortes que igualmente se illustravaõ com os rayos de Apollo, lhe illustrou com taõ anticipadas luzes o entendimento que principiou a fallar aos seis mezes de nacido, e comprehender até a puerilidade de outo annos os preceitos da Gramatica, a quantidade das Syllabas, a Mythologia, e Poetica, de cuja Arte sustentou em o anno de 1682. hum exame na presença da principal Nobreza desta Corte, e dos Collegas da Academia dos Instantaneos instituida em Casa do Illustrissimo Bispo do Porto D. Fernando Correa de Lacerda dando-lhe varios assumptos, e alguns de consoantes forçados que elle promptamente compoz causando notavel espanto àquelle literario congresso a subtileza dos conceitos, e a cadencia das vozes com que voava ao cume do Parnazo quando ainda naõ tinha forças para intentar a sua subida. Aplicou-se aos estudos Mathematicos com o insigne Cosmografo Mór Manoel Pimentel de cuja sabia disciplina sahio egregiamente instruido, fazendo em todas as sciencias proprias de hum Cavalhero taõ rapidos progressos que excedia a esfera da comprehensaõ mais penetrante, e da subtileza mais profunda. Nas Academias ninguem lhe disputou a primazia discorrendo a sua eloquencia em diversos Problemas, e Discursos, e metrificando a sua Musa em vario genero de Poesia com igual delicadeza de conceitos, como afluencia de vozes naõ sómente na lingua materna, mas em a Latina, Franceza, Italiana, e Hespanhola, cujos polidos Idiomas fallou com promptidão, e escrevou com pureza, tendo por Mestre da primeira seu Avò, e Tio D. Fernando de Menezes; da segunda a Condessa sua Mãy; da terceira seu Excellentissimo Pay, e da quarta sua Avó D. Leonor Filippa de Noronha. Naõ houve congresso literario instituido neste Reyno, ou fora delle que o naõ pertendesse por Collega querendo authorizar-se com a sublimidade do seu talento. Ainda naõ contava vinte annos quando a Academia dos Generosos renovada no anno de 1693. o elegeo para seu primeiro, e ultimo Presidente. Na Academia Portugueza instituida em 1717. na sua Excellentissima Caza foy Protector, e Secretario, e na Real da Historia Portugueza formada pela Real magnificencia do nosso Monarcha no anno de 1721. foy dos sinco Directores, e Censores, de taõ illustre Assemblea. Nas Conferencias eruditas que se faziaõ no anno de 1715. em Caza do Illustrissimo Nuncio Apostolico Monsegnor Firrao que depois foy elevado à Purpura Romana, lhe tocou a parte critica dos Concilios Universaes, onde o nobre concurso das primeiras pessoas da Corte admiráraõ a profunda sciencia que tinha da Historia Ecclesiastica, Sagrada Theologia, e Canones Pontificios. A Academia da Arcadia, sem que elle o pertendesse, o nomeou seu Collega com o nome de Ormauro Paliseo, como tambem a Real Sociedade de Londres. Em todos os certames literarios mereceo ser arbitro das obras metricas, que nelles se liaõ distribuindo os premios com tanta equidade, que nunca deixou queixoso o merecimento. A fama do seu nome se dilatou com tanto excesso por toda a Europa que chegou a alcançar as mais distinctas atençoens das primeiras pessoas, que respeita o mundo Catholico, pois a Santidade de Innocencio XIII. lhe gratificou por hum Breve expedido a 29. de Abril de 1722. o Panegyrico que à sua exaltaçaõ ao Pontificado recitara em a Academia Real, e a Magestade Christianissima de Luiz XV. lhe mandou o Cathalogo da sua Livraria em 5. Tomos e 21. Volumes de estampas que representavaõ tudo quanto mais raro, e admiravel se admira na Corte de Pariz. A Academia da Russia lhe escreveo huma elegante e oficiosa carta com 12. Tomos das obras dos seus Collegas. Os mais celebres Filologos de Italia, Alemanha, Olanda, França, e Espanha buscaraõ a sua erudita comunicaçaõ recebendo cartas de Muratori, Bianchimi, Crescimbeni, Dumont, Garelli, Leclerc, Bayle, Beuleau Renaudot, Bignon, Salazar, Feijoo, e Mayans em que testemunhavaõ o profundo conceito, que faziaõ da sua vastissima erudiçaõ. Á selectissima Livraria que herdou de seu Pay acrecentou quinze mil Volumes impressos, e mil M. S. com magnificos Globos, e diversos instrumentos Mathematicos a qual como Mecenas dos Estudiosos, e Fautor dos eruditos tinha patente a todos que queriaõ utilizar-se da sua liçaõ. Entre os dotes de que liberalmente o ornou a natureza, mereceraõ a preeminencia a agudeza do juizo, a felicidade da memoria e a candura de animo com que benevolamente sem diminuiçaõ do decoro se comunicava a todas as pessoas que o buscavaõ. Para naõ degenerar do heroico tronco dos Menezes que em todos o seculos brotou victoriosas palmas, seguio a palestra de Marte sem deixar a Minerva, acompanhando a Magestade delRey D. Pedro II. no anno de 1704. quando foy à Campanha da Beira donde de Governador da Cidade de Evora passou no anno de 1707. a Sargento Mór de Batalha do Exercito, e Provincia do Alentejo, e com este posto se achou nas Campanhas de 1708. e 1709. distinguindo-se em açoens heroicas, e no anno de 1735 . foy nomeado Mestre de Campo General, e Conselheiro de Guerra. Cazou a 24. De Outubro de 1688. com D. Joanna Magdalena de Noronha filha de D. Luiz da Sylveira segundo Conde de Sarzedas, e Conselheiro de Estado, e da Condessa D. Mariana da Sylva de Lencastre de quem teve D. Luiz Carlos de Menezes 5. Conde da Ericeira, e 1. Marquez do Louriçal, e Vice -Rey do Estado da India duas vezes: D. Fernando de Menezes Doutor em Canones que deixando o Seculo recebeo o habito Serafico no Seminario do Varatojo com o nome de Fr. Antonio da Piedade: e D. Constança Xavier Domingas Aureliana, que casou com Jozeph Felix da Cunha, e Menezes. Acometido da ultima infirmidade se preparou com catholica resignaçaõ para a morte, e recebidos os Sacramentos espirou placidamente a 21. de Dezembro de 1743. quando contava 70. annos, dez mezes, e 22 dias de idade. Jaz sepultado na Capella Mór do Cõvento da Annunciada Padroado da sua Excelletissima Caza. O seu nome he celebrado pelas vozes de trinta Dedicatorias e pelas penas de diversos Escritores, que uniformemente aclamaõ a sua incomparavel e vastissima erudiçaõ de que saõ honorificos padroens as obras seguintes que compoz assim impressas, como M. S.

 

CATALOGO DAS OBRAS

Impressas.

Soneto, e Romance em aplauso do Theatro Genealogico da Casa de Souza composto por Manoel de Souza Moreira. Pariz por Ioaõ Anisson 1694. fol.

Relaçaõ do sitio, e rendimento da Praça de Miranda, que mandou o Mestre de Campo General D. Ioaõ Manoel de Noronha. Lisboa por Antonio Pedroso Galraõ. 1711. 4. sem o seu nome.

Elogium Pentaglotton Latine, Gallicè, Italicè, Hispanicè, Lusitanicè in laudem R. P. D. Raphaelis Bluteau authoris Lexici Lusitanico Latini. Coimbra no Collegio Real das Artes da Companhia de Jesu 1712. f. Está no principio do Tomo primeiro do Vocabulario do P. D. Rafael Bluteau.

Relaçaõ da Campanha do Alemtejo no Outono de 1712. com o Diario do sitio, e gloriosa defensa da Praça de Campo Mayor recopilada das memorias dos Generaes. Lisboa por Miguel Manescal. 1714. 4. sem o seu nome.

Elogio de Julio de Mello de Castro Academico da Academia Real da Historia Portugueza, e Mestre na Academia Portugueza recitado a 20. de Fevereiro de 1721. tendo espirado em 19. do dito mez. Sahio no principio da Historia Panegyrica da vida de Diniz de Mello de Castro I. Conde das Galveas escrita pelo mesmo Julio de Mello. Lisboa por Jozé Manescal 1721. fol.

Reflexoens sobre o estudo Academico para a Academia Real da Historia Portugueza. Lisboa por Pascoal da Silva 1721. fol. sahio no Tomo 1. da Collecçaõ dos Documentos da Academia Real.

Systema da Historia Secular de Portugal, que ha de escrever a Academia Real da Historia Portugueza. No mesmo Tomo da Collecçaõ Academica f.

Panegyrico na eleiçaõ do Summo Pontifice Innocencio XIII. recitado na Academia Real da Historia Portugueza sendo Director em 5 de Iulho de 1721. f. no mesmo Tomo.

Introduçaõ Panegyrica na Conferencia publica da Academia Real da Historia Portugueza, que se celebrou no Paço na presença de Suas Magestades, e Altezas em 7 de Setembro de 1721. dia dos annos da Rainha N. S. f. sahio no mesmo Tomo.

Elogio de Francisco Dionisio de Almeida da Silva, e Oliveira Fidalgo da Casa de Sua Magestade, e Academico da Academia Real da Historia Portugueza em 19 de Janeiro de 1722. f. Sahio no Tom. 2. da Colleçaõ dos Documentos Academicos.

Declaraçaõ sendo Director da Academia Real da Historia Portugueza na Conferencia de 29. de Janeiro de 1722. de que estava eleito Academico com  approvaçaõ de Sua Magestade o Doutor Manoel Dias de Lima. f. sahio no mesmo Tomo 2.

Noticia dos seus Estudos das Memorias Ecclesiasticas de Evora na Academia Real em 7. de Janeiro de 1723. dia em que tomou posse de Academico o Marquez de Valença. f. sahio no Tomo 3. da Coleçaõ.

Egloga na morte do Senhor Dom Miguel filho d’ ElRey D. Pedro 2. que em 13. de Janeiro de 1724. naufragou no Tejo. Lisboa na Officina da Musica 1724. 4.

Oraçaõ na ultima Conferencia, que a Academia Real da Historia Portugueza fez no dia em que acabou o seu quarto anno em 9. de Dezembro de 1724. Sahio no Tom. 4. das Collec. da Acad.

Conta dos Estudos Academicos no Paço a 7 de Setembro de 1725. f. Sahio no Tom. 5. das Collecçoens.

Introduçaõ Panegyrica em os Annos da Serenissima Rainha N. Senhora em 7. de Setembro de 1725. f. no mesmo Tomo.

Panegyrico ao Serenissimo Senhor Infante D. Antonio na Academia Real concorrendo em quinta feira 15. de Março de 1725. a circunstancia de ser o dia dos seus annos. f. no mesmo Tomo.

Oraçaõ Academica no principio do sexto anno da Academia Real da Historia Portugueza em 3. de Janeiro de 1726. Sahio no Tomo 6. da Colleçaõ Academica.

Oraçaõ Panegyrica no felicissimo Cazamento da Serenissima Senhora D. Maria Barbara Infanta de Portugal, e do Serenissimo Senhor D. Fernando Principe das Asturias recitada no Paço em 13. de Janeiro de 1728. f. Sahio no Tomo 8. da Colleçaõ.

Conta dos seus Estudos Academicos em o primeiro de Abril de 1728. No mesmo Tomo

Introduçaõ Panegyrica na presença de S. Magestades e Altezas em 7. de Setembro de 1728. dia dos Annos da Rainha N. Senhora. No mesmo Tomo.

Introduçaõ Panegyrica na presença de Suas Magestades, e Altezas em 22. De Outubro de 1728. dia dos Annos de ElRey N. Senhor f. no dito Tomo 8.

Fabulas de Ecco, y Narcisso. La primera escrita por el Excellentissimo Señor Duque de Montellano; la segunda respondida por los mismos Consonantes por el Conde de Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes con una idea Epithalamica de las reales Vodas de los Principes celebradas em Caya em 1729. Lisboa en la Imprenta Ferreiriana. 1729. 4. Esta Obra foy remetida no mesmo Correyo em que recebeo o Poema Castelhano.

Introduçaõ Panegyrica celebrando-se os Annos d’ ElRey N. Senhor em 22. De Outubro de 1729. Sahio no Tomo 9. da Colleçaõ Academica.

Elogio de D. Francisco de Souza Capitaõ da Guarda Alemaã de S. Magestade, e Alcayde Mòr da Certaã, e Pedrogaõ, Commendador de S. Salvador da Infesta, e de S. Maria de Belmonte Academico da Academia Real em 17. de Novembro de 1729. f. No dito Tomo 9.

Oraçaõ na ultima Conferencia da Academia Real dando-se fim ao nono anno da sua Instituiçaõ em 9. de Dezembro de 1729. No mesmo Tomo 9.

Paralello de D. Nuno Alvares Pereira Duque do Cadaval com D. Nuno Alvares Pereira Condestavel de Portugal f. Lisboa na Officina da Musica 1730. Sahio nas ultimas acçoens do Duque a pag. 363. Acaba com hum Soneto.  

Declaraçaõ feita no Paço a 17. de Julho de 1730. sendo eleito Academico o Doutor Agostinho Gomes Guimaraens Promotor do Santo Officio de Lisboa. f. Sahio no Tomo 10. da Collecçaõ Academica.

Introduçaõ Panegyrica celebrando-se no Paço os Annos da Rainha N. Senhora em 7. de Setembro de 1730. No mesmo Tomo 10.

Oraçaõ principiando o undecimo anno da Academia Real da Historia Portugueza em 4. de Janeiro de 1731. No Tomo 11. da Colleçaõ.

Conta dos seus Estudos Academicos em 21. de Junho de 1731. No mesmo Tomo.

Oraçaõ Academica na Primeira Conferencia da Academia Real em 3. De Janeiro de 1732. Sahio no Tomo já dito.

Conta dos seus Estudos Academicos em 13. de Março de 1732. no mesmo Tomo.

Elogio Funebre na morte do Senhor Marquez de Abrantes D. Rodrigo Annes de Sà Almeida e Menezes Director, e Censor da Academia Real da Historia Portugueza recitado na mesma Academia em 7. de Mayo, de 1733. f. No mesmo Tomo 12. da Colleçaõ.

Declaraçaõ no Paço em 21. de Mayo de 1733. sucedendo no lugar de Academico pelo Excellentissimo Senhor Marquez de Abrantes o Excellentissimo Senhor Conde de Assumar D. Pedro de Almeida. No mesmo Tomo.

Introduçaõ Panegyrica no Paço celebrando-se os Annos da Rainha N. Senhora em 7. de Setembro de 1733.

Oraçaõ Academica feita no Paço a 24. de Outubro de 1733.

Declaraçaõ na Conferencia de 24. de Outubro de 1733. de estar eleito Academico Sebastiaõ Jozè de Carvalho.

Declaraçaõ de estar eleito Academico o Doutor Manoel Moreira de Souza em 19. de Novembro de 1733. Estes quatro papeis no mesmo Tomo 12.

Juizo Historico do Retrato, e Escritos de Manoel de Faria, e Souza. Lisboa na Officina Ferreiriana. 1733. f.

Quarenta e oito Paralellos de Varoens insignes, e doze de mulheres, addicionados aos Paralellos de Principes, e Varoens da Naçaõ Portugueza compostos por Francisco Soares Toscano. Lisboa na Officina Ferreiriana 1733. 4.

Elogio do Reverendissimo Bluteau Clerigo Regular, e Academico da Academia Real recitado em 4. de Março 1734. f. No Tomo 13. da Colleçaõ Academica.

Romance Heroico, que na triste occasiaõ da morte do Serenissimo Senhor Infante D. Carlos tiveraõ audiencia publica da Rainha, e Princezas Nossas Senhoras, e da Serenissima Senhora Infanta D. Francisca todas as Senhoras da Corte vestidas de luto com adereços, e mantos talares de fumo. Lisboa na Officina Ferreiriana 1736. 4.

Oraçaõ recitada no Paço com a occasiaõ da morte do Serenissimo Senhor Infante D. Carlos em 30. de Abril de 1736. No Tomo 14. da Colleçaõ Academica 4. Grande.

Declaraçaõ sendo nomeado Academico o R. Padre Luiz Cardoso da Congregaçaõ do Oratorio no lugar que vagou pelo Excellentissimo Senhor Manoel Telles da Sylva Marquez de Alegrete, Secretario da Academia de quem se faz tambem o Elogio. No mesmo Tomo.

Oraçaõ Panegyrica no Nacimento da Senhora Infanta filha segunda dos Principes Nossos  Senhores em 7. de Outubro de 1736. No dito Tomo de 4.

Bibliotheca Souzana, ou Catalogo das Obras, que compoz o Rererendissimo P. D. Manoel Caetano de Souza Clerigo Regular do Conselho de Sua Magestade, Pro Comissario Géral Apostolico da Bulla da Santa Cruzada, e Director da Academia Real da Historia Portugueza illustrada com Observaçoens Academicas, e Filologicas. No Tomo jà dito.

Extractos Academicos dos Livros que a Academia de Petersburg mandou à de Lisboa por ordem da Academia. No mesmo Tomo. Saõ Observaçoens Criticas a todas as Obras da Academia Imperial da Russia, que foraõ depois impressos, e traduzidos na lingua Russiana.

Epicedio na morte da Serenissima Senhora D. Francisca Infanta de Portugal. Lisboa. Na Officina de Antonio Isidoro da Fonceca 1737. 4.

Á Profiçaõ da Excellentissima Senhora D. Luiza Maria do Pilar filha dos Excellentissimos Senhores Condes do Assumar, Dama da Rainha N. Senhora Camerista da Serenissima Senhora Infanta D. Maria havendo preferido o Estado de Religioza a hum grande Cazamento que se lhe destinava. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonseca. 1737. Saõ 22. Outavas.

Memoria do valor da moeda de Portugal desde o principio do Reyno atè o prezente escrita a 13. de Dezembro de 1738. à instancia do P. D. Antonio Caetano de Souza Clerigo Regular, e Academico, e impressa no 4. Tomo da Hist.

Genealogica da Caza Real Portugueza composta pelo dito P. Lisboa por Jozè Antonio da Sylva. 1738. 4. desde pag. 419. até 447.

Templo de Neptuno, Epithalamio no felicissimo Cazamento da Excellentissima Senhora D. Joanna Perpetua de Bragança com o Excellentissimo Senhor D. Luiz Jozè de Castro, Noronha, Attaide, e Souza Marquez de Cascaes. Lisboa na Officina Silviana da Academia Real 1738. 4. Consta de 113. Oitavas.

Elogio funebre do Senhor Doutor Francisco Xavier Leitaõ Medico da Camara de Sua Magestade, Cirurgiaõ Mòr do Reyno, e Academico do numero da Academia Real de Historia, recitado no Paço a 18. de Fevereiro de 1740. Lisboa por Miguel Rodrigues. 1740. 4.

Henriqueida Poema Heroico, com advertencias preliminares das Regras da Poezia Epica, argumentos, e notas. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonseca. 1741. 4.

Oraçaõ Panegyrica recitada em 2. de Mayo de 1740. no dia dos Annos do Illustrissimo, e Excellentissimo D. Francisco Xavier Rafael de Menezes 6. Conde da Ericeira tendo-se celebrado no mesmo dia os seus despozorios com a Excellentissima Senhora D. Maria Jozè da Graça de Noronha filha dos Excelentissimos Marquezes de Cascaes. Lisboa na Officina Regia Silviana, e da Academia Real. 1740.

Elogio Funebre na morte de D. Fernando de Menezes filho do Excellentissimo D. Luiz Carlos de Menezes Marquez do Louriçal, e segunda vez ViceRey da India com a Varonia historica, e genealogica dos Menezes da sua illustre Familia. Lisboa na Officina dos Herdeiros de Antonio Pedroso Galraõ. 1742. 4. Estes dous papeis foraõ impressos em nome do P. Manoel de Almeida Correa Capellaõ da Casa do Conde.

 

CATALOGO DAS OBRAS

promptas para a Impressaõ.

Obras Poeticas Portuguezas, que comprehendem trezentos Sonetos, e 150. Romances, e hum Jocoserio de imprecaçoens, que consta de 400. Coplas todas no Assoante V, e E sem repetir Toante, e seguindo hum Romance a este assumpto do insigne Antonio Barboza Bacellar; Oitavas, Elegias, Tercetos, Cançoens, Silvas, Odes, Redondilhas, Decimas, e Glosas. Endimeon, e Diana, Poema Triforme em 127. Oitavas com huma larga illustraçaõ em prosa da Allegoria deste Poema.

Obras Poeticas Castelhanas, que comprehendem 150. Sonetos, Elegias, Tercetos, Cançoens, Redondilhas, Decimas, e 150. Romances.

Astronomia funebre na morte da Serenissima Senhora Infanta D. Izabel em 100. Oitavas. Templo de Imineo. Epithalamio do Conde de S. Joaõ Luiz Alvares de Tavora, e da Senhora D. Anna de Lorena em hum Romance Heroico de 130. Coplas. Vinte Obras Musicas para Theatro. Comedia intitulada, El Tesoro de la Armonia, escrita em vinte horas com quatro mil versos. Outra, a Ligeireza mais firme. Outra, La edad del Impireo representada no Paço comprindo dez annos a Serenissima Senhora Infanta D. Francisca.

Arte Poetica do grande Nicolao Boileau dez Preaux Historiador de Luiz 14. e da Academia Franceza dividida em quatro Cantos, e traduzida de Francez em Oitavas Portuguezas.

Amores da Regra, e do Compasso. Poema de Monsiur Desmaretz traduzido em Oitavas Portuguezes.

Memorias da Vida do Conde da Ericeira D. Luiz de Menezes f.

Memorias para a Vida do Conde da Ericeira D. Fernando de Menezes, das quaes se extrahio o Epitome da vida Latina, que elegantemente escreveo o P. Antonio dos Reys da Congregaçaõ do Oratorio, e se imprimio no principio da Historia Latina do mesmo Conde.

Memorias da Vida de D. Luiz de Menezes I. Marquez do Louriçal, duas vezes Vice-Rey da India. 4.

Obras Academicas, que comprehendem Oraçoens Academicas, em que foy Presidente, e outras com que deo principio, e fim às mais celebres Academias, que houve em Lisboa.

Reflexiones Apologeticas sobre el Theatro Critico, discurriendo sobre cada uno delos Tratados, que comprehenden los nueve Tomos, y los Suplementos de la misma Obra del Reverendissimo P. Fr. Benito Fejó, a quien se dirigen.

Quinze Problemas Moraes Academicos a diversos assumptos. Vinte e oito Discursos Filologicos, sendo os principaes: Definiçaõ, e progressos da Filologia, provando, que naõ há sciencia universal, que se adquira por huma só Arte. Dissertaçaõ, em que se prova que os Versos consoantes agudos podèm admitirse nos Versos heroicos. Leys sobre a propriedade do estilo.

Reflexoens sobre as sete palavras de Maria Santissima. Meditaçoens das suas Dores. 4.

Vida de Soror Maria Magdalena de Jezu Religiosa no Convento Serafico da Madre de Deos situado fora dos muros de Lisboa.

Duzentas Historias memoraveis para se juntarem ao Livro Scitu dignis, que consta de oitenta historias succedidas em Portugal, compostas na lingua Latina por Diogo de Payva de Andrade de cuja obra se fez mençaõ, quando foy feita deste Author.

Methodo dos Estudos, dividido em dez liçoens Academicas. 1. Maximas do Methodo dos Estudos. 2. Methodo dos Estudos dividido pelas idades. 3. Estudos pelas horas do dia 4. Estudos proprios aos Temperamentos. 5. Estudos de hum Principe. 6. Estudos de hum General. 7. Estudos de hum Ecclesiastico. 8. Estudos de hum Embaixador. 9. Estudos de hum Ministro. 10. Estudos de hum Traductor.

Dissertaçoens Criticas. Contem 16. as primeiras seis sobre os Concilios Universaes nas Conferencias Ecclesiasticas, que estabeleceo em Lisboa o Cardeal Firrao sendo Nuncio Extraordinario nesta Corte.

Dissertaçaõ dos Bispos, que o foraõ de pouca idade.

Illustraçaõ das Armas do Cabido da Igreja Patriarchal de Lisboa.

Dissertaçaõ Critica, Filologica, e Geografica sobre o ouro de Tibar.

Dissertaçaõ sobre o nome de Evora.

Cartas Filologicas sobre pontos eruditos a muitos homens doutos de Europa.

Dissertaçaõ sobre a pronunciaçaõ da palavra Idolon.

Observaçoens Criticas a Obras de varios Authores.

Instrucçaõ a seu Neto o Conde da Ericeira D. Francisco de Menezes hoje 2. Marquez do Louriçal quando poz espada sobre o uzo, e abuzo do Duello.

Censuras, e approvaçoens de duzentos, e vinte volumes, de que a mayor parte correm impressas.

Illustraçaõ sobre o numero 22. offerecida a ElRey a quem tributou 22. Moedas Romamas, que appareceraõ junto a Lisboa em 22. de Outubro de 1711. em que S. Magestade compria 22. annos provando em 22. Dissertaçoens que este numero era o mais perfeito.

Cartas Familiares em cinco linguas.

Illustraçaõ do nome de Nuno, dirigida ao Emminentissimo Senhor Cardeal Nuno da Cunha de Attaide.

Tratados Scientificos, que contem 22. Tratados, dos quaes saõ sete sobre as Artes Liberaes; dous sobre a Geografia, e Chronologia, lendo o Autor na Academia Portugueza este assumpto; Qual he mayor erro em hum Historiador, o da Geografia, ou o da Chronologia? Discurso, em que se prova que pela Algèbra, sendo a Arte mais util, naõ se pòdem aprender as outras Sciencias, e Artes: Que Arte he mais nobre, a Pintura, ou a Architectura?

Dissertaçaõ sobre os marés, e sobre a Teorica de Neuton.

Dissertaçaõ sobre os Systemas do Mundo.

Utilidades da Mathematica, e Observaçoens Mathematicas, e Physicas. Systema sobre a cauza das Febres, segundo a doutrina moderna; escrito pelo Author à instancia da Universidade de Coimbra, quando esteve naquella Cidade.

Concordancia da Logica Moderna com a antiga.

Dissertaçaõ, em que se prova que, a Abbada he o verdadeiro Unicornio, com o que os Authores disseraõ, ou verdadeira, ou fabulosamente, feita à instancia do Emperador Carlos 6. quando esteve em Lisboa.

Memoria Metrica. Comprehende em Versos em hum pequeno volume a Geografia, Chronologia, Principios, e Divisoens das Sciencias, e Artes, Mythologia, a Historia Universal sagrada, e profana; a Historia de Portugal, e outros lugares communs, e materias dignas de se conservarem na memoria. Para uzo da Serenissima Senhora Princeza da Beira. 8.

Tratados Historicos. Tratados das honras Civis, que tiveraõ, e tem Ecclesiasticos nas Cortes dos Principes. Tratado da Origem, e exercicio das Guardas dos Reys, e Principes de Europa.

Tratado do modo de estabelecer huma nova Ordem Militar.

Relaçoens, e declaraçoens das Ideas de algumas Ceremonias, e Festas publicas, de que o Author teve a direcçaõ.

Defensa de hum Pintor, que fez verde a Serpente, que he o Timbre das Armas de Portugal, e naõ de ouro como se costuma.

Noticia Historica do direito incontestavel, que tem Portugal ao Estado do Maranhaõ, Parà,. e Terras do Cabo do Norte, com a navegaçaõ, e Comercio do Rio das Amazonas, no anno de 1702.

Relaçaõ Chronologica das Cortes que houve em Portugal com huma breve noticia, do que nellas se tratou, e da sua origem, e Ceremonial.

 

Obras imperfeitas.

Discurso sobre a causa dos Terremotos.

Discurso sobre a incorrupçaõ dos Cadaveres.

Discurso, em que se prova que naõ pòde chamarse propriamente, Heroe, quem o naõ foy pela guerra.

Discurso do uzo, que pode dar hum Cavalhero ás Sciencias, e Artes, provando que he a mais propria a liçaõ da Historia.

Discurso, em que se defende que quem sabe as linguas estranhas, deve corresponderse nellas, e naõ na sua propria.

Apologias, Tratados, e Linhas Genealogicas de muitas Familias Portuguezas, e Estrangeiras. f. 2. Tomos.

Memorias Ecclesiasticas do Arcebispado de Evora para a Academia Real da Historia Portuguesa. 4. 3. Tomos.

Todas estas obras M. S. conserva com a merecida estimaçaõ o Excellentissimo e Illustrissimo D. Francisco Rafael de Menezes II. Marquez do Louriçal, e VI. Conde da Ericeira dignissimo Neto do Author dellas em a sua magnifica Livraria.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Francisco Xavier Mascarenhas

D. FRANCISCO XAVIER MASCARENHAS Sahio à luz do Mundo em a notavel Villa de Santarem a 11 de Agosto de 1689. sendo seus claros Progenitores D. Fernando Mascarenhas segundo Marquez de Fronteira, terceiro Conde da Torre, Governador, e Capitaõ General do Reyno do Algarve, Mestre de Campo General, e Governador das Armas das Provincias da Beyra, e Alentejo, Conselheiro de Estado, Vedor da Fazenda, Prezidente do Paço, e Mordomo mòr da Rainha Nossa Senhora e D. Ioanna Leonor de Toledo, e Menezes filha de D. Ieronimo de Atayde sexto Conde da Atouguia Governador das Armas de Tras os montes, Vicerey do Brazil, Conselheiro de Estado, e de D. Leonor de Menezes. Aquellas virtuosas açoens que canonizaõ a memoria dos Varoens insignes foraõ innocente exercicio dos seus primeiros annos em cuja cultura claramente mostrou que por beneficio da Graça fora nacido no gremio da devoçaõ, e bebera com o Leyte a candura dos custumes. Instruido nos preceitos Gramaticaes entrou por Porcionista do Collegio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra a 11. de Agosto de 1711. onde se aplicou ao estudo dos Sagrados Canones quando já possuia a dignidade de Thezoureiro mór da Guarda, e posto que o seu penetrante engenho unido com feliz memoria fizesse admiraveis progressos naquella Faculdade impellido do genio que tinha para as Armas se resolveo seguir os bellicosos vestigios dos seus Mayores preferindo a campanha de Marte à palestra de Minerva. Anelando o seu espirito copiar na sua pessoa a imagem de hum perfeito Capitaõ se dedicou com incansavel disvelo a aprender as regras da disciplina militar assim terrestre, como naval em que sahio taõ consumadamente perito que ninguem houve que lhe disputasse a primazia ou fosse em as novas evoluçoens, que practicou com o Regimento de que era Coronel, ou no exercicio da Manobra de que escreveo diversos Tratados. Para naõ estar ocioso o valor que lhe animava o peito se offereceo ocaziaõ de o exercitar em beneficio desta Coroa em o mayor theatro das façanhas Portuguezas onde tinhaõ seus gloriosos Ascendentes immortalizado a fama dos seus nomes. Oprimido o Estado da India com as repetidas invasoens do Maratà, e Bonsulo poderozos Regulos da Costa do Reyno de Decan de que se seguiraõ a devastaçaõ das Terras do Norte, e Provincia de Bardès, receandose que a cabeça do nosso Imperio Oriental padecesse a mesma fatalidade, foy mandado por Commandante de quatro Batalhoens com patente de Sargento môr de Batalha embarcado em a Nào N. Senhora do Carmo que acompanhava a Capitania em que hia o Marquez do Louriçal Vicerey do Estado, e sahindo de Lisboa a 7 de Mayo de 1740. ferrou a barra de Murmugaõ a 17 de Mayo do anno seguinte, em cuja penosa viagem se consumio hum anno, e dez dias, infortunio que se naõ experimentou semelhante desde o tempo que os Portuguezes surcaraõ aquelles mares. Lastimado das gravissimas molestias, que padeciaõ os Soldados em taõ prolongada jornada procedidas humas da falta dos mantimentos, e outras da intemperança dos climas se empenhou em o seu alivio com taõ charitativa comiseraçaõ que lhes ministrava com as proprias maõs o alimento, e se despojava dos vestidos para lhe cubrir a desnudez dos corpos. Restituida a gente militar ao vigor, que perdera na viagem, marchou com tres mil, e cem combatentes a castigar o orgulho do Regulo Bonsulo, e buscando para feliz auspicio da Vitoria o dia 13. de Iunho consagrado às sagradas memorias do Thaumaturgo Portuguez Santo Antonio rendeo a Fortaleza de Corjuem, e depois o Forte de Culuale com horroroso estrago dos inimigos, que naõ podendo resistir à violencia do nosso ferro buscaraõ na fugida a sua salvaçaõ, devendose igualmente à direçaõ das suas ordens, como aos golpes da sua espada a recuperaçaõ da Provincia de Bardez no breve espaço de dous dias, que entaõ dilatado tempo nos tinhaõ os barbaros usurpado. Voltando para Goa mereceo publicas aclamaçoens de Restaurador da gloria Portugueza diminuida pela infelicidade dos tempos, e agora renacida pelos impulsos do seu invencivel braço. Querendo o Ceo premiar as suas heroicas virtudes, e darlhe huma Coroa em mais alto triumfo se sentio acometido de huma infermidade que fazendose rebelde á eficacia dos medicamentos se deliberou a cuidar mais da saude eterna, que da temporal. Obrigado das instancias dos Padres Jesuitas do Collegio de S. Roque de Panelim o levaraõ para este sitio como mais saudavel, porem agravandose a infirrnidade que durou o largo espaço de trinta dias, recebidos os Sacramentos com ternura catholica expirou abraçado com hum Crucifixo a 11 de Setembro de 1741. quando contava 52 annos e trinta dias de idade. Foy sepultado ao pè do Altar de S. Francisco Xavier como ordenara em seu Testamento querendo ainda morto gratificarlhe o beneficio que lhe devera em o seu nacimento. Das suas açoens virtuosas, e militares publicou hum Elogio Historico Francisco Iozé Freyre ornado de taõ elegantes expressoens, e discretos pensamentos, que certamente he digno padraõ à immortalidade de Varaõ taõ insigne. Compoz.

As vozes mais proprias de que se deve uzar para o manejo das Armas. 1735. 4. Naõ tem lugar da Impressaõ, nem nome do Impressor.

Operaçoens que o Coronel D. Francisco Xavier Mascarenhas hade fazer no Terreiro do Paço com o seu Regimento. Lisboa na Offic. de Jozè Antonio da Sylva. 1736. 4.

Tratado do Exercicio da Manobra com hum Methodo muy facil para se aprender a mariaçaõ. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca 1737. 4. & ibi por Jozeph Antonio da Sylva. 1737. 8.

Tratado do Armamento, regras, e vozes mais proprias com que se deve mandar fazer o exercicio aos Soldados, e das posturas com que elles as devem executar, e que milhor conduzem para a mais prompta execuçaõ dos mandamentos, e para a mayor conservaçaõ da milhor uniaõ, e regular forma. Dedicado a Magestade delRey D. Ioaõ o V. N. S. 4. Constava de 166. paginas, que vimos.

Tratado de como se deve haver no mar hum Capitaõ em todos os perigos, que padecer a sua Nâo. M. S. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco Xavier Leitão

FRANCISCO XAVIER LEYTAM Naceo em Lisboa a 5. de Julho de 1667. onde teve por Pays a Gaspar Leytaõ da Fonceca Sargento Mòr na Praça de Tangere, e a D. Maria Quaresma Gayoa sua 2. mulher de igual nobreza à de seu Consorte. Tanto se anticiparaõ na puericia as luzes do seu engenho, que estudando os primeiros rudimentos de Gramatica no Collegio de Santo Antaõ dos Padres Jesuitas o atrahiraõ para seu companheiro sendo admetido ao Noviciado de Lisboa a 24. De Fevereiro de 1682. No Collegio de Evora aprendeo as sciencias amenas em que sahio taõ insigne que sempre levou o primeiro premio ou fosse na oraçaõ solta, ou ligada confessando os seus mesmos competidores o conhecido excesso, que lhes fazia o seu talento. Naõ era menos nas especulaçoens da Filosofia sendo os seus argumentos taõ subtis, como nervozos por cuja cauza eraõ ao mesmo tempo timidos, que admirados. Deixando no anno de 1689. a Religiaõ em que taõ virtuosamente se educara voltou a Lisboa onde vacillante entre o estado que seguiria, elegeu o de cazado despozandose em 3. de Mayo de 1691. com D. Margarida Thomazia Coutinho de quem teve tres filhos, e cinco filhas, que acomodou em nobres lugares assim religiosos, como seculares. Deliberado a estudar Medicina frequentou a Universidade de Coimbra, e como era muito inteligente da lingua Latina, e Filosofia penetrou profundamente os mysterios desta Faculdade com tanta aclamaçaõ do seu nome que chegando a Lisboa lhe entregou o Tribunal da Meza da Conciencia a direçaõ do Hospital de N. Senhora da Luz situada no suburbio desta Corte, que foy piedosa, e magnifica Fundaçaõ de Serenissima Infanta D. Maria ultima filha delRey D. Manoel. Pasados sinco annos buscou no anno de 1702. em Lisboa mayor esfera em que girasse o influxo da Arte, que professava alcançando tanto aplauzo com o methodo, que aplicava às infermidades mais perigosas, que o elegeraõ por seu Medico as Cazas mais illustres, e as Comunidades mais graves. Esta bem merecida fama da sua sciencia moveo a Magestade delRey D. Ioaõ o V.  para o nomear Medico da sua Camera na ocasiaõ, que acompanhou ao Excellentissimo Marquez de Alegrete Fernando Telles da Sylva quando partio a 25. de Setembro de 1707. a concluir os augustos despozorios daquelle Monarcha com a Serenissima Archiduqueza de Austria, e no giro que fez por Londres, Holanda, e Alemanha se instruio com a comunicaçaõ dos mayores sabios da sua profissaõ, que admirados respeitavaõ a profundidade do talento, e subtileza do juizo com que fallava, e discorria em varias materias scientificas. Restituido à patria como estivesse livre dos vinculos do matrimonio querendo milhorar de estado se ordenou de Presbitero no anno de 1720. conferindo-lhe as Ordens o Emminentissimo Cardial Senhor Patriarcha o qual como conhecia a sua grande capacidade lhe deu licença sem limitaçaõ para exercitar os Ministerios de Confessor, e Prégador, e o nomeou por hum dos seus Medicos. Partindo desta Corte o Emminentissimo Cardial da Cunha para assistir na eleiçaõ de Summo Pontifice no anno de 1721. foy destinado entre os Varoens insignes de diversas profissoens para acompanhar a este Principe, e tanto que chegou a Roma mereceo universaes estimaçoens pela natural elegancia com que fallava a Lingua Latina, e Italiana contrahindo amizade com os Medicos Romanos e os da Corte de Turim, que lhe comunicaraõ as suas observaçoens, e lhe mostraraõ varios Gabinetes depozitos de raras antiguidades. A instancia do grande Medico de Saboya escreveo huma Dissertaçaõ sobre a origem das febres purpureas, e das que foraõ desconhecidas pelos Medicos antigos. Em Pariz vio como curioso, e observou como Sabio os Jardins das plantas Medicinaes cultivados pelos Botanicos; os instrumentos de que usaõ os Chimicos para a calcinaçaõ, e manipulaçaõ dos remedios. Por morte do Secretario de Estado Diogo de Mendonça Corte Real Academico da Academia Real foy eleito Collega desta Real Sociedade no anno de 1736. onde recitou huma elegantissima Oraçaõ digna de ser invejada pelos Mestres da Eloquencia Grega, e Romana, sendo ainda mayor a que fez em aplauzo do Mysterio da Immaculada Conceiçaõ da Senhora na Solemne Festa que annualmente lhe dedica a Academia Real em que competia a novidade da idea com a subtileza do discurso. Sendo nomeado Cirurgiaõ Mór no anno de 1738. naõ permitio a morte que possuisse este lugar o breve espaço de hum anno, pois acometido de huma dissimulada doença, que mostrou ser vencida pelos remedios o assaltou com taõ grande impulso que recebidos os Sacramentos com piedade Catholica, o privou da vida a 13. De Dezembro de 1739. quando contava 72. annos 5. mezes, e 8. dias de idade. Jaz sepultado na Parochia de Saõ Iozeph a cujo Funeral asistio illustre, e numeroso concurso. Entre os Poetas Latinos mereceo o principado admirando-se na metrificaçaõ dos versos heroicos a Magestade de Virgilio, e a discriçaõ de Claudiano, e nos Elegiacos a ternura de Ovidio, e a fraze de Propercio. Igual genio teve para a Poesia vulgar nunca deixando de ser judiciosa ainda quando era jovial. Na eloquencia latina, e Portugueza foy peritamente exercitado como publicaõ os discursos, e Oraçoens que recitou, e escreveo onde se admiravaõ felismente unidas pureza de fraze, com subtileza de juizo. Ainda que sempre venerou o engenhoso artificio da Dialectica de Aristoteles foy acerrimo sequaz da Filosofia de Renato Descartes em cujo Sistema descubrio solidos principios para a Medecina que professava. De muitas obras assim em Proza como em verso somente se fizeraõ publicas as seguintes.

Oraçaõ com que congratulou a Acad. Real quando foy admetido por seu Collega. Lisboa por Iozeph Antonio da Sylva Impressor de Academia. 1736. 4.

In Nuptiis Excellentissimi Domini D. Francisci Xavierii Menesii, & Excellentissimae Dominae D. Mariae à Gratia Norognia Epithalamium. Ulyssipone apud Antonium Pedrozo Galraõ 1738. 4. Consta de 306. Versos heroicos.

Sermaõ da Purissima Conceiçaõ da Virgem Nossa Senhora na Festa, que como a sua Protectora lhe faz a Academia real da Historia na Capella do Paço do Duque a 14. de Dezembro de 1737. Lisboa na Officina Sylviana, e da Academia Real. 1739. 4.

Epigramma Latino ao insigne Capitaõ Antonio Galvaõ que sahio na parte inferior do seu Retrato aberto na sua obra dos Descubrimentos antigos, e modernos. Lisboa na Officina Ferreiriana. 1731. fol.

Epigramma Latino ao Retrato do Conde da Ericeira D. Fernando de Menezes impresso na Historia de Tangere composta por este Fidalgo. Lisboa na Officina Ferreiriana. 1732. fol.

Epigramma Latino em aplauso dos Epigrammas do Excellentissimo Conde do Vimioso D. Iozé Miguel Ioaõ de Portugal. Lisboa por Miguel Rodrigues. 1732. 8.

 

Obras M. S.

Descripçaõ do Collegio dos PP. Iesuitas de Evora. Em Verso heroico Latino. Poema à feliz entrada em Coimbra da Serenissima Senhora D. Catherina Rainha da Graà Bretanha. Verso heroico Latino.

Epicedion in obitu P. Dominici Louzado Collegii, et Academiae Eborensis Rectoris. Elegia Latina.

Sequentia Missae Defunctorum Dies irae, dies illa &c. reduzindo cada tres Versos que saõ Leoninos a tres heroicos, e estes a dous dystichos, e ultimamente todos os pensamentos dos tres ao argumento de hum só verso Exametro.

Vida de dous Arcebispos de Lisboa em Latim recitadas na Academia Real.

Discurso sobre os Iardins de Semiramis, e Muros de Babilonia.

Discurso sobre a existencia do Pelicano. Foraõ lidos estes discursos na Academia Portugueza instituida em caza do Excellentissimo Conde da Ericeira D. Frãcisco Xavier de Menezes.

Sermaõ da Festa dos Santos Reys.

Sermaõ das Dores de N. Senhora.

Observaçoens, e Consultas Medicas. fol.

Epitome da sua vida escrita em estilo jocoserio.

Varios Epigramas Latinos entre os quais he celebre o epitafio ao D. Manoel Alvares Pegas insigne Iurisconsulto que se lerà impresso quando delle se fizer mençaõ.

Diversos Romances, serios, e jocosos. Intentava escrever.

De Morbis, & medicina Principum.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Francisco Xavier

Fr. FRANCISCO XAVIER Naceo em Lisboa sendo filho de Ioaõ Botelho, e Margarida de JESUS. Professou o sagrado instituto de Carmelita Calçado no Real Convento da sua Patria a 29. de Mayo de 1718. Estudou Artes, e Theologia em o Collegio de Coimbra, e em o de Evora dictou esta sublime Faculdade. Naõ he menos estimavel o seu talento para a Cadeira, que para o pulpito de cujo ministerio publicou por primicias.

Sermaõ na Solemnissima Festa do Corpo de Deos prégado no Convento do Carmo de Lisboa no anno de 1738. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca. 1738. 4.

Demonstraçaõ Theologico Canonica da verdadeira cor do habito que devem vestir os Religiosos do Carmo da antigua, e regular observancia. Lisboa por Miguel Rodrigues Impressor do Emminentissimo Senhor Cardial Patriarcha. 1742. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco Xavier

FRANCISCO XAVIER Naceo em Lisboa a 2. de Dezembro de 1685. Sendo seus Pays Antonio Dias, e Catherina do Espirito Santo. Quando contava 15. Annos de idade foy admetido à Congregaçaõ do Oratorio da Villa de Estremós a 19. de Março de 1701. onde estudadas as sciencias escholasticas exercitou o officio de Missionario Evangelico por diversas terras da Provincia do Alentejo em que colheo copioso fruto. Obrigado do preceito dos Medicos deixou a Congregaçaõ por serem os achaques que padecia incompativeis com os ministerios de Congregado. Retirouse à Villa de Peniche onde experimentando por beneficio do clima alivio em as suas queixas foy chamado pela Abbadessa do religiosissimo Convento de Marvilla de Religiosas de Santa Brigida situado nos arrebaldes de Lisboa para seu Confessor, cujo lugar exercita com louvavel procedimento. He muito perito na intelligencia da lingua Latina, letras humanas, e Mythologia. Quando assistia na Congregaçaõ compoz.

Escravidaõ, e filial entrega a Maria Santissima Senhora Nossa, exercicio utilissimo no qual se deve empregar todo o Catholico proposto à praxe dos devotos . Lisboa por Jozé Lopes Ferreira 1715. 16. e muitas vezes reimpresso em Lisboa, e Coimbra.

Depois que sahio da Congregaçaõ publicou.

Rudimenta Litteraria Studiosae juventuti, opus excultum in duas partes divisum . Ulyssipone apud Antonium Pedrozo Galraõ. 1732. 4.

Sermaõ da grande Matriarcha Santa Brigida pregado na sua Igreja em o anno 1737. no seu proprio dia 8. de Outubro. Lisboa na Officina dos herdeiros de Antonio Pedrozo Galraõ. 1740. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Padre Francisco Xavier

P. FRANCISCO XAVIER natural de Lisboa filho de Domingos Ioaõ, e Domingas Pedroza recebeo a roupeta de S. Filipe Neri em a Congregaçaõ do Oratorio da sua patria a 26. de Abril de 1688, onde dictou Filosofia, e Theologia com profundidade, e pregou com elegancia. Foy Qualificador do Santo Officio, e duas vezes Propozito da Caza de Lisboa, e huma em a da Villa de Estremos. Teve o aspecto grave, genio afavel, comprehensaõ sublime, e coraçaõ pio. Ornado de todas as virtudes, que constituhem hum perfeito Regular falleceo em a Congregaçaõ de Estremos a 6. de Novembro de 1732. depois de tolerar com admiravel resignaçaõ as molestias de hum prolongado achaque. Foy taõ sentida a sua morte que em 11 de Dezembro se lhe dedicaraõ sumptuozas exequias na Igreja de Santo Andre da Villa de Estremos fechando todo este funebre obzequio o Doutor Manoel Martins Fontes da Sylveira, que fez das suas virtuosas açoens hum elegante Panegyrico. Compoz

Parecer sobre a controversia dos Rererendos Padres da Congregaçaõ do Oratorio com os Reverendos Parochos, e Clero secular do Patriarchado de Lisboa sobre a precedencia na Procissaõ do Corpo de Deos. Escrita em Lisboa a 6. de Iunho de 1719. fol. Impresso 1722. sem lugar nem nome de Impressor, mas do caracter se conhece ser em Olanda.

Sermoens Varios 1. Tomo. Lisboa na Officina da Congregaçaõ do Oratorio 4.

Sermoens Varios 2. Tomo. Ibi na mesma Officina 1736. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]