D. Francisco de Melo

D. FRANCISCO DE MELLO Alcayde mòr da Cidade de Lamego Commendador de S. Pedro da Veyga de Lila, e de S. Martinho de Ranhados, S. Miguel de Linhares, e Santa Maria da Torre, e de Eita na Ordem de Christo, Trinchante mòr do Serenissimo Principe Regente D. Pedro, teve por Patria a Cidade de Lisboa, e por Pays a D. Gomes de Mello Cõmendador de S. Pedro da Veyga de Lila, e S. Mamede de Mogadouro, e D. Marinha de Portugal filha herdeira de Nuno Cardozo Homem de Vasconcellos Senhor do Morgado da Taipa, e dos Reguengos de Folhadal, e Paramos, Capitaõ mór de Lamego. Foy egregiamente instruido na Poesia, liçaõ da Historia Sagrada, e profana, e muito versado na intelligencia das linguas mais polidas. Pelo prudente juizo de que era ornado, acompanhou a Raynha D. Catherina a Inglaterra quando se foy despozar com Carlos II. servindo a esta Princeza de seu Camareiro mòr donde passou com o titulo de Embaixador aos Estados geraes de Olanda em o anno de 1668. e com o mesmo caracter assistio em Inglaterra, e França desempenhando em taõ famosas Cortes as obrigaçoens do seu ministerio principalmente em Olanda. Falleceo na Corte de Londres a 9. de Agosto de 1678. Foy insigne Poeta cujas obras metricas admiraraõ as Academias do seu tempo, das quaes se podiaõ formar hum volume de justa grandeza, e sómente sahio no Tomo 5. da Feniz renacida, ou obras Poeticas dos melhores engenhos Portuguezes. Lisboa por Antonio Pedrozo Galraõ 1728. 8. desde pag. 348. atè 385. os versos seguintes

Introduçaõ Academica quando foy Presidente. He Romance

Aos annos de Ruy Fernandes de Almada. Romance

A certo Conde, que naõ acabava de dar huma volta, que lhe prometera. Redondilhas

A una fuente en que se via una Dama. Decimas

La Segadora. Decimas

Affectos de Amor. Lyras

Introduçaõ Academica presidindo em dia de Entrudo. Romance

Como a taõ grande professor da Poetica lhe dedicou o Capitaõ D. Miguel de Barrios o seu Coro de las Musas impresso em Bursellas 1672. 12. onde se vè primorosamente aberto o seu Retrato, e na parte inferior com estas duas engenhosas emprezas. Consta a primeira de huma maõ que  sustenta o Caduceo de Mercurio em que allude às suas Embaxadas com a letra Quò jussa Tonantis. Na segunda està a Lyra de Apollo enlaçada com huma trombeta com a letra Ex utraque Melos em que allude ao seu appellido ser igualmente perito na escola de Marte como em a de Apollo. D. Francisco Manoel de Mello nas Obras Metricas Samfonha de Euterpe  lhe escreve a Carta 11. e na Viola de Talia na Oraçaõ Academica em que foy Presidente fallando delle o elogia com estes termos

Pois que direy de hum Mello

Que tras a melodia em paralello

Porque segundo a grega Analogia

Disse, quam dico Melos, Melodia.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Francisco de Melo

D. FRANCISCO DE MELLO naceo em a Villa de Estremos da Provincia do Alentejo em o anno de 1597. sendo filho primogenito, e herdeiro da Caza, e Estados de D. Constantino de Bragança, e Mello Commendador de Moreiras Conselheiro de Estado, e Presidente da Junta instituida por Filippe III. para cobrança do tributo, que se lançou aos Christãos Novos, e de sua segunda mulher D. Brites de Castro filha de D. Fernando de Castro Capitaõ de Chàul, e D. Izabel Pereira, e netto de D. Francisco de Mello 3. Conde de Tentugal, e segundo Marquez de Ferreira. Instruido com aquelles documentos proprios do seu claro nacimento passou a Madrid onde pela sua natural afabilidade, profundo talento, e discreta conversaçaõ atrahio os affectos de toda a Naçaõ Castelhana particularmente de Filippe IV. que atendendo ao Caracter da sua Pessoa ornada de tantos dotes o creou Gentilhomem da sua Camara, primeiro Conde do Assumar por carta passada a 3. De Mayo de 1630. e depois Marquez de Ilhescas e Torre Laguna, Conselheiro de Estado, e Mordomo mòr da Rainha D. Izabel de Borbon. Naõ mereceo menor applauzo o seu nome pela prudencia com que exercitou as Embaxadas de Genova, Roma, e Alemanha; os Vicereynatos de Sezilia, Aragaõ, Catalunha, e o honorifico posto de Governador, e Capitaõ General dos Paizes Baxos, em que sucedeo ao Cardial Infante D. Fernando, como pelo valor, e disciplina militar com que sendo Generalissimo das Armas Hespanholas triunfou a 26. de Mayo de 1642. em Honnecourt lugar situado na Picardia do exercito Francez, que mandava o Conde de Guiche, depois Marichal de Grammont, suposto, que em 17 de Mayo do anno seguinte experimentou diversa fortuna perdendo a Batalha de Recroy, que felismente ganhou o Duque de Anguien. Sendo Plenipotenciario delRey Catholico na Corte de Viena esquecido do parentesco, que tinha com a Serenissima Caza de Bragança cõcorreo indignamente para a prizaõ do Senhor Infante D. Duarte em cuja negociaçaõ sempre injuriosa ao seu nacimento deixou eternamente manchada na posteridade a fama das suas heroicas acçoens. Tendo governado Flãdes pelo espaço de dous annos voltou para Madrid no anno de 1644. atè que em o de 1651. passou de mortal a eterno, quando contava 54. annos de idade. Foy cazado com D. Antonia de Vilhena filha de Henrique de Souza primeiro Conde de Miranda, e de D. Mecia de Vilhena filha herdeira de Fernaõ da Sylva Commendador de Alpalhaõ, e Capitaõ da Torre de Belem, e de D. Brites de Vilhena de cujo consorcio teve a D. Gaspar Constantino de Mello Marquez de Ilhescas, e Conde do Assumar; D. Brites Apollonia de Vilhena, que cazou com D. Joaõ Miguel Fernandes de Heredia 1. Marquez de Mora; filho herdeiro do Conde de Fuentes em Aragaõ: D. Mecia de Mello primeira mulher de D. Pedro de la Cueva Ramires de Zuniga 3. Marquez de Flores de Avila Senhor de Castelejo, de quem naõ teve sucessaõ, e a D. Maria Thereza de Vilhena, que se despozou com D. Diogo de Avila 1. Marquez de Navalmorquende Senhor de Montalvo Cardiel, e Villatoro, a qual morreo sem deixar filhos. Fazem mençaõ de D. Francisco de Mello varios Escritores, como Imhof. Stem. Reg. Lusit. pag. 40. clarissimum sibi virtute sua Sagi, &Togae artibus instructa nomen amplissimosque honores peperit. Caramuel na dedicatoria que lhe fez da Repuest. al Manif. de Portugal impresso em Amberes por Balthezar Moreto 1642. Grandes tiene España, y entre ellos V. Excelencia es el Sabio. Tiene sabios tambien, y entre ellos V. Excelencia es el grande; pues uniendo por union hypostatica el estruendo militar de Marte con el sociego de Minerva guerrea con sabidoria, y dà mucho, que escribir con la espada. Menez. Portug. Restaurad. Tom. 1. liv. 3. pag. 186. Souza Theatr. Geneal. de la Caza de Souza. pag. 795. Galeazzo Gualdo Hist. Part. 3. liv. 3. Birago. Hist. de Portug. liv. 5. pag. 379. Girardi Diario a 29. de Abril, e 26. de Mayo. Salazar Hist. Geneal. de la Cas. de Sylva liv. 12. cap. 3. pag. 746. la Clede Hist. Gen. de Portug. Tom. 2. pag. mihi 444. 448. e 449. Anselme Hist. Geneal. e Chronol. de la Mayson Royale de Franc. Tom. 1. pag. mihi 644. Banòs Hist. Pontif. Part. 6. liv. 10. cap. 11. e liv. 11. cap. 5. Souza Hist. Gen. da Casa Real Portug. Tom. 10. liv. 9. cap. 19. Escreveo

Carta relatoria a Su Magestad de la insigne vitoria que Dios nuestro Señor se hà servido dar a su real exercito en la frõtera de Francia junto a Xetelet a 26. De Mayo deste ano de 1642. Madrid por Diego Dias de la Carrera. 1642. 4. e Sevilha por Juan Gomes Blas. 1642. 4. He huma extensa Relaçaõ deste sucesso.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Francisco de Melo

D. FRANCISCO DE MELLO segundo Marquez de Ferreira, e segundo Conde de Tentugal teve por claros Progenitores a D. Rodrigo de Mello 1. Marquez de Ferreira, e D. Leonor de Almeyda filha do insigne Varaõ D. Francisco de Almeyda primeiro Vicerey da India. Foy ornado de maduro juizo, summa prudencia, e de zelosa fidelidade para os interesses da Serenissima Caza de Bragança, da qual com o sangue herdara o amor da sua conservaçaõ. Por ordem delRey D. Joaõ o III. acompanhou no anno de 1554. a Princeza D. Joanna de Austria quando se restituhio a Castella, em cuja funçaõ se admiraraõ os excessos da sua generosa profusaõ. Animado do sincero zelo com que servia aos seus Principes disuadio com eficazes rezoens a ElRey D. Sebastiaõ do temerario intento, que meditava da jornada da Africa, e como conhecesse a inflexibilidade do seu animo, não podendo acompanhallo pelo numero de seus annos, e achaques, sacrificou em obsequio do Reyno em taõ deploravel tragedia a vida de seu primogenito D. Rodrigo de Mello, e a liberdade de D. Nuno Alvares Pereira de Mello, e D. Constantino de Bragança seus filhos, que foraõ resgatados por summa copia de dinheiro. Na larga diuturnidade da sua vida conheceo a quatro Monarchas em o Trono de Portugal dos quaes naõ recebeo o premio devido aos seus grandes merecimentos. Obsequioso para com Deos acabou em a Villa de Buarcos o Convento de S. Francisco, que seu Pay principiara, e concorreo liberalmente para a nova Fundaçaõ do Mosteiro das Religiosas Carmelitas em a Villa de Tentugal. Falleceo em a Cidade de Evora em o mez de Dezembro de 1588. e jaz sepultado na Convento dos Conegos Seculares do Evangelista, Jazigo da sua Excellentissima Caza. Cazou em o anno de 1549. com a Senhora D. Eugenia filha dos Serenissimos Duques de Bragança D. Jayme, e D. Joanna de Mendoça de quem teve D. Rodrigo de Mello, que infaustamente morreo na Batalha de Alcacer: D. Nuno Alvres Pereira de Mello 3. Conde de Tentugal, que cazou com D. Marianna de Castro filha de D. Rodrigo Osorio de Moscoso Conde de Altamira: D. Joaõ de Bragança Bispo de Viseu; D. Constantino de Bragança Commendador de Moreiras na Ordem de Christo, e Conselhero de Estado: D. Joanna de Mendoça, que heroicamente desenganada pela intempestiva morte do Senhor D. Duarte Duque de Guimaraens, e Condestavel de Portugal com quem estava para se receber contrahio mais sublime despozorio com o divino Cordeiro em o S erafico Convento das Chagas de Villa-viçosa onde professou solemnemente com o nome de Joanna da Trindade. Teve fóra do matrimonio de Maria Nunes mulher nobre a D. Jozè de Mello Arcebispo de Evora: D. Francisco de Almeyda Thesoureiro mòr da Sè de Lisboa, e Conego em a Metropolitana de Evora, e a D. Maria de Mello Religiosa Cisterciense em o Mosteiro de Cellas. Entre muitas, e judiciosas cartas, que escreveo das quaes se podia formar hum volume, he muito digna de memoria a seguinte, que tras impressa o P. D. Antonio Caetano de Souza Hist. Gen. da Caz. Real Portug. Tom. 10. liv. 9. pag. 189.

Carta escrita da Villa de Agua de Peixes a 24. de Março de 1575. Ao Serenissimo Duque de Bragança.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Francisco Manuel de Melo

D. FRANCISCO DE MELLO naceo em Lisboa onde teve por Progenitores a Manoel de Mello Alcaide mòr de Olivença Reposteiro mòr delRey D. Joaõ o II. E terceiro Governador de Tangere, e a D. Brites da Sylva filha de D. Joaõ da Sylva quarto Senhor de Vagos Alcaide mòr de Monte mór o Velho, e Camareiro mòr delRey D. Joaõ o II. e de D. Branca Coutinho sua segunda Prima. Nos annos da adolescencia mostrou taõ profunda capacidade para as letras, que se resolveo ElRey D. Manoel, que fosse estudar à Universidade de Pariz onde satisfez com tal excesso ao conceito deste Princepe, que alcançou naquella famosa palestra estimaçoens de insigne Letrado assim nas especulaçoens Theologicas, como em as observaçoens Mathematicas. Restituido ao Reyno foy Mestre dos Serenissimos Infantes filhos delRey D. Manoel instruindo-os em as Disciplinas Mathematicas em que foy profundamente perito, como testemunha seu grande amigo Andre de Rezende na Oraçaõ, que recitou na Universidade de Coimbra em o 1. de Outubro de 1534. Non Franciscum Mellium transibo summa elegantia, summa in scribendo facilitate, summa sapientia virum, qui Christianae Philosophiae non contentus, linguae nitorem addere Mathematicis Scriptis jam clarus nomen suum ab oblivionis injuria vindicauit. Desta faculdade foy taõ estudioso, que juntamente com Filippe Guilhen Castelhano hum dos mayores Mathematicos daquelle tempo practicou o artificio do Astrolabio, e a navegaçaõ de Leste a Oeste por cuja cauza lhe dedicou estes Versos Gil Vicente no liv. 5. das suas obras Poeticas.

O graõ Francisco de Mello

Que tem sciencia a vondo

Diz que o Ceo he redondo

E o Sol sobre amarelo:

Diz verdade naõ o escondo,

Que se o Ceo fora quadrado

O Sol naõ fora redondo.

Sendo muito douto nas sciencias severas o foy igualmente em as amenas. Fallou com pureza a lingua materna, e cultivou com particular applicaçaõ os preceitos da Rhetorica, que se admiraraõ felizmente practicados nas Oraçoens, que recitou nas Cortes celebradas por ElRey D. Joaõ o III. nos annos de 1525. e de 1533 . e no solemne acto em que foy jurado successor desta Coroa o Principe D. Manoel a 13. de Junho de 1535. Tendo alcançado aquelle Monarcha da Santidade de Paulo III. a erecçaõ da Cathedral da Cidade de Goa por Bulla expedida a 3. de Novembro de 1534. o nomeou primeiro Bispo desta Diocese, de cuja dignidade naõ tomou posse impedido pela morte, que o privou da vida em Evora no anno de 1535. Foy eleito seu  sucessor D. Fr. Joaõ de Albuquerque da Provincia da Piedade por Bulla passada a 11. de Abril de 1537. Fazem memoria de D. Francisco de Mello àlem dos Authores citados Nicolao Clenardo Epistol. ad Christianos pag. 191. Da ediçaõ de Hanovia Typis Wechelianis 1606. 8. onde naõ somente confessa a sua grande literatura, mas a benevolencia com que lhe offereceo hospedagem em a Cidade de Evora quando vinha a ser mestre do Infante D. Henrique Erat etiam non postremae notae D. Franciscus Mellonius genere, ac litteris adeo praeditus et inter Aulicos proceres dignitatem, & inter eruditos claram famam teneret; qui advenienti qui Eboram primus hospitis nomine se se cõmendavit, & omnibus in rebus summum fautorem praebuit. Sed non licuit multo tempore hoc bono gaudere, nec perpetua necessitudinis vincula constringere quod sublatus è vita maerorem acerbum amicis, cladem flebilem intulit Aulae Lusitanicae, tantum vir ille consiliis, prudentiaque Rempublicam juvare consuevit magis natus juvandae patriae, quam spectandis privatis commodis. Salazar Hist. Geneal. da Casa de Sylva liv. 8. cap. 4. n. 15. Monforte Chron. da Prov. da Pied. liv. 3. cap. 35. §. 7. e cap. 36. §. 2. Souza Cathal. dos Arceb. de Goa. §. 1. Onde com manifesta equivocaçaõ escreve que fora D. Francisco de Mello eleito primeiro Bispo de Goa no anno de 1532. quando ainda naõ estava erecto este Bispado, o qual foy em o anno de 1534. como elle mesmo diz no principio do referido Cathalogo, e no Tom. 3. da Hist. Gen. da Cas. Real Portug. Tom. 3. liv. 4. cap. 14. p. 485. Compoz

Falla que fez nas Cortes que celebrou ElRey D. Joaõ o III. na Villa de Torres Novas a 29. de Setembro anno de M. D. XXV. dia de S. Miguel na Igreta de S. Pedro. Lisboa por Joaõ Alvares Impressor delRey. 1563. 4.

Oraçaõ recitada nas Cortes que celebrou ElRey D. Joaõ o III. em Evora no anno de 1533.

Oraçaõ recitada em Evora no Juramento do Principe D. Manoel filho primogenito delRey D. Joaõ o III. em 13. de Junho de 1535. Desta Oraçaõ faz memoria o P. Souza Hist. Gen. da Cas. Real Portug. Tom. 3. liv. 4. cap. 14. pag. 536. onde o intitula Varaõ douto.

Tratado sobre as Malucas cahirem na demarcaçaõ de Portugal. M. S. Conserva-se no Collegio dos Padres Jesuitas de Coimbra. Desta obra se lembra o moderno addicionador da Bib. Geografic. de Antonio de Leaõ Tom. 3. col. 1710.

Commentario sobre a Perspectiva especulativa de Euclides. Dedicado a ElRey D. Manoel. M. S.

Comento a Archimedes. Este livro escrito em pergaminho, e illuminado excellentemente o conservava com grande estimaçaõ Luiz Serraõ Pimentel Cosmografo mòr do Reyno, e Lente da Mathematica, da qual fez donativo ao Marquez de Liche na occasiaõ, que este Cavalheiro, que era muito applicado à Mathematica, foy ver à sua Livraria.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Francisco de Melgaço

Fr. FRANCISCO DE MELGAÇO cujo appelido denota a sua patria que está situada no Termo da Villa de Barcellos em o Arcebispado de Braga Religioso Cisterciense professando o Instituto monachal no Convento de Santa Maria de Bouro. Como era igualmente pio que douto escreveo as seguintes obras que se guardaõ M. S. em hum Tomo de folha no Real Convento de Alcobaça, e consta das materias seguintes

Espelho de Monjes

Vida de S. Bernardo

Quaes devem ser os Abbades, e Prègadores.

Pensamentos, que o homem deve ter para se conhecer a si mesmo.

Disciplina dos Monjes para bem governar as vidas composta por S. Bernardo

Causas porque Deos permite peccar os homens.

Explicaçaõ das obras da Misericordia.

Bens que resultaõ a quem comunga muitas vezes, e modo com que se deve receber a Christo.

Regras para se conhecer, e fugir o peccado mortal.

Decisoens de varios cazos.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco de Matos de Sá

FRANCISCO DE MATTOS DE SÁ natural da Villa de Frexo de espada à cinta em a Provincia da Beira taõ nobre por nacimento como insigne na Poesia assim heroica, como Lyrica de que saõ testemunhas as obras seguintes

Livro de Nossa Senhora do Desterro. Lisboa por Joaõ Rodrigues 1620. 8.  Dedicado a Antonio Gomes da Matta Correyo mòr do Reyno.

Tratado da pura Conceiçaõ da Virgem Maria Nossa Senhora. Lisboa pelo dito Impressor. 1620. 8. Dedicado a Luiz Alvares de Tavora Conde de S. Joaõ. He em verso.

Entrada, y triumfo, que la Ciudad de Lisboa hizo a la C. R. M. delRey D. Filippe III. de las Españas, y II. de Portugal con la explicacion de los Arcos triunfales que se levantaron a su felicissima entrada. Lisboa por Jorge Rodrigues. 1620. 4. Consta de 168. Outavas, e huma Elegia Portugueza à partida de S. Magestade cõmentando a Lamentaçaõ de Jeremias Quomodo sedet sola Civitas. Antes das Outavas Castelhanas tem huma Cançaõ excellente. Desta obra como do seu Author faz elegante memoria o P. Antonio dos Reys Enthus. Poet. n. 85.

Sada triumphales arcus quibus inclyta Regem Urbs senis Aeolidae veniente excepit,

& udos

Á lacrymis vultus ipso redeunte, liquenti

Voce canebat adhuc velatus tempora juncis

Quos Tagus è bibulo convulsos margine sertum

Nexuit in viridans argutae praemia frontis.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]