Francisco de Santa Teresa

FRANCISCO DE SANTA THEREZA naceo na Cidade do Porto a 2. de Julho de 1685. onde deveo á virtuosa educaçaõ de seus Pays Antonio da Costa, e Ignacia Pinta a eleiçaõ de largar o mundo, e receber a murça de Conego Secular do Evangelista em o Convento de Villar de Frades a 11. de Fevereiro de 1700. Tendo aprendido os primeiros rudimentos na patria acabou de estudar Grammatica em o Real Collegio das Artes em Coimbra, e no Collegio, que a sua Congregaçaõ tem nesta Cidade aprendeo, e dictou as Sciencias de Filosofia, e Theologia em cuja sublime Faculdade lhe conferio a Academia Conimbricense o grào de Doutor a 26. de Julho de 1714. Foy Reytor do mesmo Collegio, e Provedor do Hospital Real de Coimbra. Nesta Cidade com as suas declamaçoens evangelicas converteo innumeraveis estudantes da vida licenciosa para o caminho da penitencia sendo cada palavra hum trovaõ, que despertava aos que jaziaõ sepultados em seus vicios. Falleceo no Collegio de Coimbra com geral opiniaõ de virtuoso a 17. de Novembro de 1739. quando contava 5 4. annos de idade. Com o suposto nome do P. Manoel Correa da Azambuja Cura da Freguesia de Nossa Senhora da Graça da Torre de Val de todos do Bispado de Coimbra. Publicou

Tratado do Cerimonial da Missa rezada confórme as Rubricas do Missal Romano reformado. Coimbra por Antonio Simoens Ferreira. 1733. 8.

Compendio de Indulgencias, e devoções em duas partes dividido. Na primeira se trata das Indulgencias em comum, e em particular, e no fim se poem o Decreto de Innocencio XI. das Indulgencias apocrifas. Na segunda se explica, que cousa seja verdadeira devoçaõ, e se propoem varias devoçoens extrahidas de Authores pios para se aproveitarem dellas os que forem devotos. Coimbra pelo dito Impressor. 1734. 8.

Tinha composto com grande estudo, que deixou imperfeito. Commentaria in Magistrum Sententiarum. fol. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Francisco de Santa Teresa

Fr. FRANCISCO DE SANTA THEREZA naceo em a Cidade do Funchal Capital da Ilha da Madeira onde teve por Pays a Francisco da Costa, e Maria das Neves. No Real Convento do Carmo de Lisboa recebeo o habito a 14. de Outubro de 1669. cujo sagrado Instituto solemnemente professou a 15. do dito mez do anno seguinte. Como era perfeitamente instruido nas letras humanas, e lingua Latina foy admitido por Collegial no Collegio de Coimbra a 13. de Outubro de 1673. Onde aprendeo com disvelo as sciencias escholasticas, e as distou com applauso recebendo o grào de Doutor na Faculdade Theologica em aquella Universidade, sendo hum dos melhores Oppositores às Cadeiras de que o privou intempestivamente a morte em o anno de 1698. Foy singular Poeta assim em a lingua Latina como Materna, e Castelhana, e excellente Orador, e profundo Escriturario. Delle se lembraõ honorificamente Carvalho Corog. Portug. Tom. 3. liv. 2. Trat. 8. cap. 47. e Fr. Manoel de Sà Mem. Histor. dos Escrit. do Carm. Da Prov. de Portug. pag. 173. Deixou composto ainda que imperfeito hum volume, que se conserva M. S. em o Collegio de Coimbra intitulado

Alphabetum Theologicum duplici delineatum regula scholastica una, & concionatoria altera. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco Tavares Pacheco

FRANCISCO TAVARES PACHECO cuja Patria, e estado de vida ignoramos. Escreveo

Relacion de las Fiestas, que se hizieron en Villaviciosa Corte del Excelentissimo Señor Duque de Bragança, y las capitulaciones de su cazamiento  con la Excelentissima, y Serenissima Señora D. Luiza Francisca de Gusman hija del Señor Duque de Medina, y Sidonia. fol. Naõ tem anno nem lugar da Impressaõ, da qual vimos hum exemplar.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco de Sousa Tavares

FRANCISCO DE SOUZA TAVARES filho de Gonçalo Tavares Senhor de Mira, Cõmendador da Ordem de Christo, e de D. Izabel de Castro foy exemplar de proezas militares, e de ações virtuosas. Militou na India Oriental com o posto de Capitaõ do Malabar contra os inimigos do Estado de quem alcançou multiplicados triunfos. Querendo conquistar o Ceo se alistou em outra mais nobre milicia qual foy a reformada Provincia da Piedade onde practicando com exacta observancia os preceitos do Serafico Instituto passou a coroar-se na eternidade em o Convento de Santo Antonio da Villa de Aveyro. Foy cazado com D. Maria da Sylva filha de Joaõ de Mello da Sylva de quem teve a D. Magdalena de Vilhena, que foy cazada com D. Joaõ de Portugal neta de D. Francisco de Portugal primeiro Conde do Vimioso a qual supondo, que morrera na batalha de Alcacer passou as segundas vodas com Manoel de Souza Coutinho os quaes santamente se divorciaraõ recebendo elle o habito de S. Domingos com o nome de Fr. Luiz de Souza em o Convento de Bemfica, e ella em o Mosteiro do Sacramento chamando-se Soror Magdalena das Chagas. Sendo Francisco de Souza Tavares Testamenteiro do insigne Capitaõ, e zeloso Apostolo das Ilhas Malucas Antonio Galvaõ publicou no anno de 1563. em Lisboa na Impressaõ de Joaõ Barreira

Tratado dos descobrimentos antigos, e modernos, &c. que achara entre outros seus escritos, e o dedicou a D. Joaõ de Lancastro Duque de Aveiro cuja larga Dedicatoria sahio impressa ao principio do mesmo Tratado, que se reimprimio. Lisboa na Officina Ferreiriana. 1731. fol. Publicou mais

Livro da doutrina espiritual. Contem os Tratados seguintes. 1. que cousa he Oraçaõ, e da necessidade e obrigaçaõ della. 2. Esposição do Padre Nosso. 3. Avizos para os principiantes, ou peccadores se exercitarem na consideração dos beneficios de Deos. 4. Documentos para o principiante espiritual andar com a mente em Deos. 5. Defensaõ da vida espiritual, e oraçaõ. 6. Admoestaçaõ charitativa. 7. Opusculo do Estado da contemplaçaõ. 8. Outro do Estado da Cruz. 9. Admoestação do Anjo ao espirito, que guarda para o persuadir a se unir a Deos com humildade. Lisboa por Joaõ Barreira. 1564. 8. Fazem delle memoria Joan. Soar. de Brit. Theatr. Lusit. Litter. lit. F. n. 76. Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 2. pag. 140. Cõment. de 11. de Março letr. C. Fr. Joan. à D. Ant. Bib. Francisc. Tom. 2. pag. 438. col. 2. Fr. Luc. de S. Catherina Hist. da Prov. de S. Domingos de Portug. Part. 4. liv. 3. cap. 11.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Francisco de Sousa da Silva Alcoforado Rebelo

FRANCISCO DE SOUZA DA SYLVA ALCOFORADO REBELLO Senhor da Torre de Alcoforado quatro legoas distante do Porto na Freguesia de Lordello, filho de Antonio de Souza da Sylva, e D. Antonia Bernardina de Lobera, e Sylva naceo na Quinta de Sylva situada na Freguesia de S. Juliaõ do Calendario de Neyva no Termo de Barcellos do Arcebispado de Braga a 25. de Outubro de 1697. O feliz engenho de que o dotou a natureza lhe fez brevemente comprehender os preceitos da Grammatica Latina, e as especulaçoens da Filosofia, e Theologia, a cujas Faculdades se applicou curioso, e sahio egregiamente instruido assim como em a liçaõ da Historia Sagrada, e Profana, e na intelligencia das linguas Castelhana, Franceza, Italiana, e Ingleza. Tem publicado

Vida de Soror Ignez de JESUS Religiosa Conversa no Convento da Annuciada desta Cidade de Lisboa insigne em virtudes. Lisboa por Mauricio Vicente de Almeyda. 1731. 8.

Vida, e morte tragica de Maria Stuart Rainha de França, e Escocia, e pertencente da Coroa de Inglaterra. Lisboa por Antonio Correa de Lemos. 1737. 4.

Manual Politico. Lisboa por Mauricio Vicente de Almeyda. 1733. 12. He huma instruçaõ para hum homem viver na Corte. Sahio com o nome suposto de Luiz Florencio da Sylva.

Vida de Alcibiades. 4. M. S. Nesta obra intenta formar hum Princepe Politico reprehendendo os vicios, e louvando as virtudes daquelle celebre Grego. Faz memoria do seu nome o Doutor Anselmo Caetano Munos de Abreu na Dedicatoria da Segunda Parte da Ennaea, ou aplicaçaõ do entendimento sobre a pedra Filosofal. Lisboa na Officina de Mauricio Vicente de Almeyda. 1732. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco de Sousa Cerqueira

FRANCISCO DE SOUZA CERQUEIRA natural de Lisboa filho de Manoel de Souza Cerqueira Mamposteiro mòr dos Cativos, e Capitaõ das Ordenanças da Corte, e de Catherina da Sylva. Foy naturalmente estudioso da Historia profana, e principalmente da Genealogia, em que fez grandes progressos com a disciplina de D. Antonio Alvares da Cunha Senhor de Taboa, e Trinchante mòr, em cuja Casa se educou. Foy Secretario do primeiro Marquez de Alegrete Manoel Telles da Sylva em cuja Livraria se conserva escrito da propria maõ

Arvores de Costados de varias familias de Portugal, e Castella. fol.

Desta obra, que muito louva, como de seu Author, que falleceo, em Lisboa a 11. De Agosto de 1711. faz mençaõ o P. D. Antonio Caet. de Sous. Apparat. á Hist. Gen. da Cas. Real Portug. pag. 151. §. 177.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]