Frei Feliciano Coelho

Fr. FELICIANO COELHO natural do lugar de S. Martinho termo da Villa de Cea em a Provincia da Beira. Ainda contava poucos annos de idade, e muitos de prudencia quando deixada a casa de seus illustres pays Antonio Coelho de Albuquerque de Carvalho, Commendador de Santa Maria de Cea na Ordem de Christo, Governador do Maranhaõ, e Angola, e D. Ignez Maria Coelho sua segunda mulher, e Prima, se adoptou por filho do Princepe Cisterciense S. Bernardo recebendo a cogulla Monachal em o Convento de Santa Maria de Salzedas. Nos estudos Escolasticos sahio taõ eminente, que depois de as ensinar aos seus domesticos foy laureado com as insignias doutoraes de Theologo em a Universidade de Coimbra. Foy Reitor do Collegio desta Cidade no anno de 1618. Abbade do Convento de Nossa Senhora do Desterro desta Corte em 1624. Donde subio em o de 1627. a Geral da sua Congregaçaõ, em cujo governo se fez taõ amavel aos subditos, que ao tempo que lhe celebraraõ o Funeral em o anno de 1642. nenhum podia entoar os Psalmos, e Antifonas impedidos das lagrymas, e suspiros com que lamentavaõ a sua falta. Emprendeo a famosa obra do Noviciado de Alcobaça, em cuja fabrica deixou hum eterno padraõ da grandeza do seu espirito, naõ sendo menor a prudencia com que pacificou as controversias que havia entre os moradores da Villa de Alcobaça, e os Religiosos do Mosteiro sobre o campo da Roda levantando nelle os moradores em memoria da convençaõ pactada com os Monges huma Capella dedicada a Nossa Senhora da Paz. Compoz

Tractatus Orandi, & Meditandi ad Novitiorum exercitium editus. Ulyssipone apud Petrum Craesbeeck. 1624. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Feliciano dos Anjos

Fr. FELICIANO DOS ANJOS  natural de Lisboa, filho de Joaõ da Costa Vidigal, e Josefa da Encarnaçaõ. Professou o penitente Instituto de S. Francisco no Convento de Setuval da Provincia dos Algarves a 20. de Setembro de 1718. Foy Guardiaõ dos Conventos do Torraõ, e de Beja, e Secretario da Provincia. Publicou

Sermaõ do Banquete com o Santissimo Sacramento manifesto prégado de tarde na Quarta Dominga da Quaresma no Real Convento de Santa Clara de Beja anno 1740. Lisboa na Real Officina Sylviana, e da Academia Real. 1740.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Feliciano de Almeida

FELICIANO DE ALMEIDA natural de Lisboa, e filho de Luiz de Almelda, e Maria da Sylva. Instruido nos preceitos da lingua Latina se aplicou ao estudo da Cirurgia, em que sahio insigne alcançando mais profunda intelligencia desta Arte assim na Theorica, como na Practica, quando assistio no Reyno de Inglaterra, e Republica de Olanda. Restituido à Patria foy Cirurgiaõ dos Exercitos das Provincias da Beira, e Alentejo, e ultimamente depois de ser Mestre em o Hospital Real de todos os Santos desta Corte foy Cirurgiaõ da Casa da Augusta Magestade d’ElRey D. Joaõ o V. nosso Senhor. Morreo em Lisboa a 9 de Outubro de 1726. Publicou

Cirurgia reformada dividida em dous Tomos. O primeiro se divide em tres partes segundo a ordem das tres regioens do corpo humano. O segundo vay dividido em tres livros em os quaes se trata em geral de todas as feridas, apostemas, chagas, &c. Lisboa na Officina Deslandesiana 1715. fol. & ibi por Antonio Pedrozo Galraõ. 1738. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Feliciana de Milão

D. FELICIANA DE MILAM naceo na Cidade de Lisboa a 8. de Outubro de 1632., e professou o Sagrado Instituto do Mellifluo Doutor S. Bernardo em o Real Convento de S. Diniz de Odivellas. Foy ornada de juizo penetrante, graça natural, e discriçaõ sublime. Eternamente será celebrado o seu nome pela sentenciosa agudeza de seus apothemas, que sendo repentinos pareciaõ meditados por muito tempo, ou fossem sobre materias serias, ou jocosas, dos quaes publicaraõ grande parte Pedro Jozè Supico de Moraes Collec. Polit. de Apoth. liv. 3. pag. 215. e Damiaõ de Froes Perim, aliás Frey Joaõ de Saõ Pedro no Theatr. Heroin. Tom. 1. pag. 376. atè 382. Naõ foy menos estimavel o seu talento em as Cartas onde retratou a mais viva imagem do seu espirito que bem mereciaõ (como escreve o Author do Theatr. Heroin. pag. 375.) o beneficio da estampa para se conservar com a memoria das suas discriçoens os partos do seu fecundissimo juizo. Compoz muitos versos em que a elegancia competia com a agudeza merecendo a sua Musa ser coroada pelas nove do Parnaso. Com profunda madureza escreveo hum largo Discurso sobre a Existencia da Pedra Filosofal, do qual fallando Diogo Manoel Ayres de Azevedo no Portug. Illustr. pelo sex. Femin. pag. 104. n. 51. affirma que só elle podia qualificar o seu elevado juizo. Conhecendo que era chegada a ultima hora da sua vida se dispoz catholicamente com fervorosos actos, que edificaraõ a toda a Communidade, que lhe assistia, a quem recõmendou que sobre a sua sepultura se lhe escrevesse o seguinte epitafio, que tinha composto em toda a sua vida.

Aqui jaz a peccadora.

Falleceo no anno de 1705. quando contava setenta e tres de idade.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Faustino de Trancoso

Fr. FAUSTINO DE TRANCOSO natural da Villa de seu appellido situada na Provincia da Beira. Professou o instituto Monachal de S. Bernardo no Real Convento de Alcobaça, onde exercitou por muitos annos o ministerio de Orador Evangelico deixando para testimunho da applicaçaõ a este genero de estudo.

Sermoens em as Festividades de Christo, Nossa Senhora, e Varios Santos, cujo M. S. se conserva na Bibliotheca de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]