Fr. GONÇALO DE VALBOM naceo no lugar, que tomou por apellido distante huma legoa da Cidade do Porto podendo gloriarse de que sendo pouco conhecido se fizesse celebrado pela produçaõ de hum taõ insigne filho. Ainda contava poucos annos quando superiormente inclinado ao estado Religioso deixou o secular, e recebeo o habito Serafico em o Convento do Porto onde crecendo igualmente na especulaçaõ das sciencias, como na practica das virtudes passou de Ministro da Provincia de Castella ao Generalato de toda a Ordem sendo eleito no Capitulo celebrado em Pariz em o anno de 1304. cuja eleiçaõ foy aprovada com grandes aplauzos pela Santidade de Benedicto XI. Eternamente será venerado o seu nome em todo o Orbe Serafico por ser o glorioso instrumento das mayores excellencias, que logrou taõ dilatada como penitente Familia no tempo do seu prudente governo. Alcançou de Benedicto XI. que a Igreja universal celebrasse a mysteriosa impressaõ das Chagas do Redemptor do mundo em o corpo de seu  admiravel Patriarcha. Transferio para hum sumptuozo mausoleo as prodigiosas cinzas do Thaumaturgo Portuguez Santo Antonio quando celebrou Capitulo na Cidade de Padua. Expedio Patente para receber as insignias doutoraes em a Universidade de Pariz a Ioaõ Duns Scoto conhecido antenomasticamente por Doutor Subtil de cuja doutrina como de vasto Oceano se derivaraõ as caudalosas fontes, que fecundaraõ toda a Religiaõ dos Menores. Aplicou o mayor disvelo para conservar o instituto Serafico na sua primitiva observancia prohibindo com severas leys aos seus subditos a superfluidade dos habitos, e ornato das Cellas. Arrazou muitos edificios sumptuozos como improprios à profissaõ do instituto Serafico reduzindo-os àquella forma, que lhe prescreveo a Evangelica pobreza do Serafico Francisco. Naõ lhe impediaõ os cuidados do governo de taõ immensa Familia a contemplaçaõ das celestiaes delicias, e o exercicio dos mais abatidos ministerios da Comunidade servindo de exemplar aos domesticos, e de exemplo aos estranhos. Atenuado com o continuo disvelo da reformaçaõ religiosa, e perseguido da emulaçaõ menos reformada falleceo piamente no Convento de Pariz a 13 de Abril de 1313. sendo manifesta a algumas pessoas a gloria, que possuia na eternidade. Fazem illustre memoria deste insigne varaõ Wadingo Annal. Minor. Ad Ann. 1304. usque ad 1313. et de Script. Ord. Min. p. 147. Artur Martyrol. Franciscan. p. 163. Alvaro Pelagio de Planctu Eccles. lib. 2. cap. 33. e 67. D. Antonins Hist. 3. Part. Tit. 24. cap. 9. §. 13. Pisano Conformit. lib. 1. fruct. 8. Part. 2. Fr. Marc. de Lisboa. Chron. da Ord. Part. 2. liv. 6. cap. 28. e liv. 7. cap. 19. e 21. Willot Athenas Franciscana. lit. G. Possevin. Appar. Sac. pag. 648. Macedo Flor. de Esp. cap. 23. Excel. 3. Brandaõ Mon. Lus. Tom. 6. liv. 18. cap. 77. Fr. Manoel da Esper. Hist. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 2. liv. 7. cap. 26. Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 2. pag. 538. e no Comment. de 13 de Abril letr. D. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Vet. lib. 9. cap. 1. §. 28. e Fr. Joan. a D. Anton. Bib. Francisc. Tom. 2. pag. 20. col. 2.

Compoz

Tractatus de praeceptis eminientibus & aequipollentibus Regulae Seraphicae. Sahio impresso in Enchirid. Minor. Hispali 1535. Começa. Regula nostra Fratres charissimi non sit nobis confusa. Esta exposiçaõ, que fez sobre a Regra Serafica foy cauza de Clemente V. promulgar a celebre Extravagante no Concilio Vienense onde assistio Fr. Gonçalo de Valbom, e começa Exivi de Paradiso, e se incorporou no Direito Canonico.

Epistola ad Ministros Provinciales. Está impressa no 1. Tomo do Orbis Seraphici. pag. 145.

A certeza de que Fr. Gonçalo Valbom fosse Portuguez, e naõ Gallego prova com evidentes rezoens Fr. Manoel da Esperança, e o Licenciado Iorge Cardoso nos lugares assima citados onde se podem ver, alem de outros Authores estranhos, que seguem a mesma verdade como saõ Fr. Henrique Willot Franciscano, e o Padre Antonio Possevino Jesuita.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]