Manoel de Barros, aquele que é conhecido como uma das vozes mais originais da poesia em língua portuguesa, não dava entrevistas. Tinha nada para falar. Em verdade, como ele orgulhosamente afirmava, sobre o nada tinha profundidades. Por isso em 1996 publicou o ‘Livro sobre nada’, que viria a ser uma de suas obras mais conhecidas. Em vão jornalistas de todo o Brasil e mesmo do exterior tentavam contactá-lo para gravar uma conversa. Conquanto seus poemas voassem vistosos como pássaros selvagens, ele não fazia questão nenhuma de aparecer, sequer nos meios literários, o que contribuiu para que fosse tão tardiamente descoberto e celebrado