D. FRANCISCO MANOEL DE MELLO Cavalleiro da Ordem Militar de Christo, e Comendador de Santa Maria da Assumpçaõ do lugar de Espichel, e Oyam, e de Santa Maria do Hospital, e S. Simaõ de Vianna teve por berço a Cidade de Lisboa do que elle repetidamente se jacta em muitas partes das suas obras, onde naceo a 23. de Novembro consagrado à memoria do Summo Pontifice S. Clemente do anno de 1611. e por Pays a D. Luiz de Mello, e D. Maria de Toledo de Maçuellos filha de Bernardo Carrilho de Maçuellos Gentil-Homem de boca do Cardeal Alberto, e Alcaide mòr de Alcala de Henares, e de sua mulher D. Izabel Correa de Leaõ. A natureza o dotou de taõ anticipada comprehensaõ para as sciencias, que na idade de dez annos se distinguio entre todos os seus Condiscipulos em o Collegio de Santo Antaõ, quando ouvio Rhetorica, e letras humanas dictadas pelo P. Balthezar Telles igualmente perito nas especulaçoens da Filosofia, e Theologia, como em todo o genero de erudiçaõ sagrada, e profana. No tempo, que contava desesete annos de idade succedeo a intempestiva morte de seu Pay, e preferindo a palestra de Bellona à de Minerva assentou praça de Soldado, em cujo nobre exercicio foraõ o mar, e a terra os theatros em que deu claros argumentos de valor heroico, e animo destemido. Foy hum dos celebres Aventureiros, que escapou do fatal naufragio que padeceo a Armada Real em a Corunha no anno de 1627. De que era General D. Manoel de Menezes, para a qual tinha alistado grande numero de Soldados das Comarcas de Elvas, Porto, Pinhel, Miranda, e Moncorvo. No conflicto da Armada Castelhana de que era General D. Antonio de Oquendo no anno de 1639. contra a de Inglaterra governada pelo General Tromp occupou o lugar de Mestre de Campo de hum Terço composto de mil cento e setenta Praças. As Campanhas de Flandes, e Catalunha foraõ testemunhas da sua disciplina militar, ou fosse obedecendo como Soldado, ou mandando como Official. Igual era o valor do animo à prudencia do juizo competindo no seu talento com gloriosa emulaçaõ as maximas politicas com as instrucções militares. Para serenar a perturbaçaõ, que em Madrid tinhaõ causado os tumultos da Cidade de Evora no anno de 1638. o mandou por seu Agente àquella Corte o Serenissimo Duque de Bragança D. Joaõ cuja incumbencia exercitou com tanta sagacidade, que o elegeo o Conde Duque por companheiro do Conde de Linhares D. Miguel de Noronha para que fosse a Evora informarse dos authores do tumulto prometendo-lhes da parte do seu Soberano perdaõ de taõ enorme delicto muito mais injurioso a huma Naçaõ qual era a Portugueza, que nunca faltara à fé prometida, porém como desta negociaçaõ se naõ concluisse o fim pertencido, voltou a Madrid onde padeceo com inalteravel constancia a prizaõ de quatro mezes a que injustamente o condenou o ministerio de Castella. Ao tempo que militava em Flandes com o posto de Mestre de Campo como fosse de genio muito brioso, naõ dissimulou huma acçaõ que lhe fez pessoa de grande authoridade, de que resultariaõ perniciosas consequencial se as naõ atalhara prudentemente o Cardeal Infante D. Fernando Governador daquelles Estados mandando-o a Alemanha a negocio de grave importancia o que naõ executou impedido de huma enfermidade. Estando destinado para Governador de Bayona se acendeo com tal furor a guerra de Catalunha, que passou a Biscaya para assistir ao Marquez de los Veles que mandava o exercito Castelhano onde continuou atè que foy acclamado Principe desta Monarchia o Serenissimo D. Joaõ o IV. e depois de discorrer por Inglaterra, e Olanda se restituhio à Patria, na qual experimentou fataes calamidades maquinadas pela malevolencia dos seus emulos, sendo a mayor a falsidade com que foy culpado no assassino de Francisco Cardoso de que resultou estar prezo na Torre Velha pelo largo espaço de nove annos. Para justificar a sua innocencia escreveo hum Memorial à Magestade delRey D. Joaõ o IV. com razoens taõ concludentes que evidentemente mostravaõ naõ ter sido reo do crime que lhe imputavaõ merecendo em atençaõ do que relatava ser absoluto da menor condenaçaõ, e restituhido à sua liberdade. Patrocinou taõ justa causa a soberana authoridade del Rey Christianissimo Luiz XIII. significando a ElRey D. Joaõ o IV. por huma carta escrita em Pariz a 6. de Novembro de 1648. o seu empenho com estas palavras. D. Francisco de Mello Vassallo de V. Magestade, e que de presente està prezo na Torre Velha de Lisboa por causa de huma falsa acusaçaõ, que lhe foy levantada por seus inimigos, os quaes aproveitando-se da sua retençaõ com escurecer manifestamente a verdade acertaraõ de maneira, que por este respeito elle foy condenado a servir a V. Magestade na India. Mas por quanto he Fidalgo de merecimento, e que os serviços, que nos fez em nossos exercitos nos convidaõ a compadecermo-nos da desgraça, que lhe há succedido escrevemos esta Carta a V. Magestade para lhe rogar com toda a affeiçaõ que nos he possivel lhe queira conceder a graça que lhe he necessaria para que elle naõ satisfaça tal condenaçaõ, &c. Depois de tolerar com paciencia Christãa, e constancia heroica tantas adversidades se embarcou para o Brazil onde assistio algum tempo, e voltando a Portugal depostas as armas com que venceo os inimigos estranhos, e nunca triunfou dos domesticos, se applicou com mayor disvelo a continuar, e imprimir as suas obras, que no espaço de trinta e seis annos tinha composto taõ diversas nos assumptos, como copiosas em o numero pois excediaõ o de cem volumes. Desde o anno de 1628. atè o de 1664. gemeraõ as Impressoens com os partos de seu fecundo engenho podendo gloriar-se que ao mesmo tempo trabalhavaõ incessantemente as de Varesi, Falco, Mancini em Roma; a de Boessat, e Remous em Leaõ de França; a de Joaõ Stenop em Londres, e a de Craesbeeck, e Oliveira em Lisboa admirando os Leitores em as suas composiçoens felizmente practicados os documentos de Filosofo Moral, as maximas de consumado Estadista, os preceitos de Historiador elegante, e as agudezas de Poeta sublime. Foy inimitavel no estilo jocoserio, em que nunca degenerando em pueril criticou sem paixaõ, e reprehendeo sem ofensa os costumes do seu tempo temperando com tal artificio o rigor da invectiva, que fez appetecida a reprehensaõ, e deleitosa a censura. Sendo acredor dos mayores despachos merecidos pelas acçoens feitas em serviço da Patria nunca alcançou dellas a menor remuneraçaõ satisfazendo-se com a gloria de a merecer, sem a ambiçaõ de a procurar. Nas mayores Cortes do mundo conciliou com a sua discreta conversaçaõ o affecto das principaes pessoas assim na qualidade, como na sciencia que nellas floreciaõ, particularmente em a Cabeça do mundo, onde como Emporio de todas as Faculdades foy summamente Venerado do P. Athanasio Kircher Oraculo das disciplinas Mathematicas, Fr. Lourenço Brancati de Lauria Corifeo da Theologia Escholastica, que sobre o Sayal Franciscano vestio a Purpura Romana, e o nosso insigne Fr. Francisco de Santo Agostinho Macedo, que naquelle tempo illustrava as Cadeiras com a doutrina, os Pulpitos com a elegancia, e os Tribunaes com o conselho. O influxo que teve para Poesia foy taõ cadente, e copioso, que bem mostrou recebera os seus preceitos menos da arte, que da natureza compondo na idade de 14. annos hum Canto de outavas Portuguezas em que celebrou a restauraçaõ da Bahia em o anno de 1625. imitando o estilo do incomparavel Luiz de Camoens. Foy taõ excellente Historiador, que na imitaçaõ que observou dos Curcios, Livios, e Thucidides fez que a copia excedesse muitas vezes a taõ venerados Originaes assim na elegancia da frase, profundidade do conceito, como agudeza da discriçaõ. Fallou com igual pureza que expediçaõ as linguas mais polidas da Europa explicando a fineza dos seus conceitos em qualquer dellas com tanta propriedade que parecia nacera em Madrid, Pariz, ou Roma. Da Oratoria teve taõ vasta noticia como da Poesia, de que foraõ theatros as mais celebres Academias que competiaõ qual o havia de ter por Collega sendo em a famosa dos Generosos por varias occasioens Presidente, e alcançando em os mayores certames litterarios os primeiros premios. Falleceo em Lisboa a 13. de Outubro de 1666. e naõ de 1667. como modernamente escreve o P. Souza no Tom. 9. liv. 6. da Hist. Geneal. da Cas. Real Portug. Jaz sepultado no Convento de S. Jozè de Riba-mar de Religiosos Arrabidos. Nunca casou deixando hum filho natural chamado D. Jorge Manoel de Mello fiel imitador das suas proezas militares de que deu heroicos argumentos na Batalha de Senef em o anno de 1674. onde morreo valerosamente sendo Capitaõ de Cavallos. O seu nome exaltaõ com elogios poeticos, e historicos diversos Escritores, como saõ Nicolào Antonio Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 322. col. 2. Virum longiore vita dignum. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. Liter. F. n. 39. Vir styli elegantia, sive ligatam, sive solutam orationem desideres, excellens, facilis, & faecundus. Fr. Andre de Christo Juiz. Histor. ao Poem. Virginid. de Manoel Barbuda de Vasconcellos Grande sogeito de nossos tempos, bem conhecido, como applaudido pela multidaõ, e excellencia de seus escritos assim em proza, como em verso. Cordeiro. Hist. Insul. liv. 5. cap. 6. n. 38. celeberrimo compositor. D. Antonio Caetano de Souza Apparato à Hist. Gen. de Portug. pag. 114. §. 123. Bem conhecido pelas suas obras que imprimio, e outras que deixou, e na Hist. Geneal. da Cas. Real Portug. Tom. 5. liv. 6. pag. 453. cujas obras correm com universal applauso dos doutos, e saõ huma irrefregavel testemunha da sua erudiçaõ, e no Tom. 9. liv. 8. pag. 220. de grande entendimento cultivado na applicaçaõ das boas letras como o testificaõ as suas obras que correm impressas, e M. S. com geral estimaçaõ dos eruditos. Jacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Lusit. Estanc. 16.

D. Francisco Manoel pompa gloriosa

De las Musas amparo en su assistencia

Puede solo con mano poderosa

Restituirnos faltas de su auzencia:

Que es su pluma feliz tan deleitoza

Que mereciendo applausos su excellencia

En su termino ilustre, y modo urbano

Le conduze el Laurel por soberano.

Manoel de Galhegos Templo da Memor. liv. 4. Estanc. 201.

As lagrimas de Dido bem choradas

Ó D. Francisco Manoel de Mello

Vivem por vosso canto eternizadas

Com as que a Aurora esparze en parellelo.

Ah quam felice este sogeito fora

Se como lá chorais, cantais agora.

P. Antonio dos Reys Enthus. Poet. n. 65.

……………………….…………Cinctus

Subnigrae foliis buxi Manuelinus Orbè

Nominis in toto magni, seu verba resolvat,

Seu liget, enarrat queribunda voce labores,

Quos tulit, expertus superá dum vescitur aurá

Perpetuò sortis ludibria.

 

Cathalogo das obras impressas por ordem Chronologica.

Doze Sonetos por varias acciones en la muerte de la Señora D. Ignes de Castro muger del Princepe D. Pedro de Portugal. Lisboa por Matheus Pinheiro. 1628. 4.

Politica miltiar em avizos de Generales escrita al Conde de Liñares Marquez de Viseo Capitan General del mar Oceano del Concejo de Estado de Su Magestade, y su Gentil-Hombre de la Camara. Madrid por Francisco Martines 1638. 4. e Lisboa por Mathias Pereira da Sylva, e Joaõ Antunes Pedrozo. 1720. 4.

Declaracion que por el Reyno de Portugal ofrece el Doctor Geronimo de Santa Cruz a todos los Reynos ,y Provincias de Europa contra las calumnias publicadas por sus emulos. Lisboa por Antonio Craesbeeck de Mello. 1643. 4.

Demonstracion que por el Reyno de Portugal agora ofrece el Doctor Geronimo de Santa Cruz a todos los Reynos, e Provincias de Europa, y ofrecida contra las calumnias publicadas de sus emulos, y en favor de las verdades por el tiempo manifestadas. Lisboa pelo dito Impressor. 1644. 4.

Eco politico responde en Portugal a la voz de Castilla, y satisfaze a un papel anonymo ofrerido al Rey D. Felippe IV. sobre los interesses de la Corona Lusitana. Lisboa por Paulo Craesbeeck. 1645. 4.

Historia de los movimientos, y separacion de Cataluña. Lisboa por Pedro Craesbeeck. 1645. 4. Sahio com o suposto nome de Clemente Libertino. Creo (escreve elle na Carta 8. da primeira Centuria dellas ao Doutor Joaõ Bautista Morelli) nò hà perdido nada el libro faltandole mi nombre, ni mi nombre faltándole el libro.

Manifesto de Portugal. Lisboa por Paulo Craesbeeck. 1647. 4. Nelle declara a detestavel acçaõ de Castella quando intentou privar da vida perfidamente ao Serenissimo Rey D. Joaõ o IV. acompanhando a Solemne Procissaõ de Corpus Christi a 17. de Junho de 1647.

El mayor pequeno, vida, y muerte del Serafin humano Francisco de Assis. Lisboa por Manoel da Sylva. 1647. 12.

El Fenix de Africa Augustino Obispo Hyponense primera parte. Augustino Filosofo. Lisboa por Paulo Craesbeeck. 1648. 12.

El Fenix de Africa Augustino Obispo Hyponense. Segunda parte Augustino Santo. Lisboa pelo dito Impressor 1649. 12. Estas tres obras sahiraõ reimpressas Roma por Falco, e Varesi. 1664. 4. com o titulo de Segunda parte do 1. Tomo das obras Moraes.

Las tres Musas de Melodino. Lisboa na Officina Craesbeeckiana. 1649. 4.  Sahiraõ em Leaõ de França por Horacio Boessat, e Jorge Remeus. 1665. 4. Com este titulo

Obras Metricas, y segundo Tomo de sus obras. Contienen las tres Musas, el Pantheon, las Musas Portuguezas, el tercero Coro de las Musas.

Pantheon a la immortalidad del nombre Itade. Poema Tragico dividido en dos soledades. Lisboa por Paulo Craesb. 1650. 16.

Melpomene junto ao tumulo da Senhora D. Maria de Ataide lamenta suas magoadas saudades nesta Ode. Sahio nas Memor. Funeb. da dita Senhora. Lisboa na Officina Craesbeeckiana 1650. 4. a fol. 31. vers.

Relaçaõ dos successos da Armada, que a Companhia geral do cõmercio expedio ao Estado do Brasil o anno passado de 1649. de que foy Capitaõ Geral o Conde de Castello-Melhor. Lisboa na Officina Craesbeeckiana. 1650. 4. sem o seu nome

Carta ao Doutor Manoel Themudo da Fonseca Vigario Geral do Arcebispado de Lisboa. Impressa ao principio das Decisoens do mesmo Doutor Themudo. Lisboa por Domingos Lopes Roza. 1650. fol. e reimpressa na 1. parte das Cartas Familiares a qual he a 1. da 4. Centuria. Roma por Filippe Maria Mancini. 1664. 4.

Carta de guia de Cazados para que pelo caminho da Prudencia se acerte com a Caza do descanso. Lisboa na Officina Craesbeeckiana. 1651. 16. & ibi por Diogo Soares de Bulhoens. 1670. 16.

Epanaphoras de varia historia Portugueza em cinco Relaçoens de successos pertencentes ae ste Reyno, que contem negocios publicos, politicos, tragicos, amorosos, bellicos, triumphantes. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1660. 4. & ibi por Antonio Craesbeeck de Mello. 1676. 4.

Antidoron, ou remuneracion ao Leytor desta Historia (qual he a da Etiopia Alta) pelo afecto, pelo reconhecimento da doutrina, que ao M. R. P. M. Balthezar Telles da Companhia de JESUS Provincial da Provincia Lusitana deve seu mayor amigo, e menor discipulo D. Francisco Manoel. Sahio impresso no principio daquella Historia. Coimbra por Manoel Dias. 1660 fol.

Obras Morales Tomo primero. Contiene. Vitoria del hombre sobre el combate de virtudes, y vicios, triunfo de la Filosofia Christiana contra la Doctrina Estoica. Roma por el Falco 1664. 4. Comsta de nove livros.

Segunda Parte del primer tomo de las obras Morales. Roma por Falco, y Varesi 1664. 4. Comprehende as vidas de S. Francisco, e Santo Agostinho, de que assima se fez mençaõ.

Primeira Parte das Cartas familiares escritas a varias Pessoas sobre assumptos diversos. Roma por Filippe Maria Mancini 1664. 4. O caracter desta obra descreve com elegantes expressoens o P. Fr. Francisco de Santo Agostinho Macedo na censura, que lhe fez dizendo. Daõ-se aqui as mãos, o honesto, util, e deleitozo: correm parelha a elegancia, e a propriedade; a facilidade, e o decoro: a composiçaõ, e o despejo: a gravidade, e a galantaria: a variedade, e a semelhança. Encontraõ-se lendo equivocos graciosos, proverbios agradaveis, descripçoens apraziveis, anexins galantes, digressoens alegres, documentos proveitozos. As palavras saõ proprias, a fraze lidima, o estilo corrente. Pica com agudeza, remoquea com graça, conta sem proluxidade, pede sem importunaçaõ, reprezenta sem blocos, queixase sem melindres. Se olho para a facilidade parece natureza, se para a elegancia parece arte, se para o dezengano parece confiança.

Auto do Fidalgo Aprendiz, farça que se representou a suas Altezas tirada das obras de D. Francisco Manoel. Lisboa por Domingos Carneiro. 1676. 4.

Aula Politica, Curia militar, Epistola Declamatoria ao Serenissimo Principe  D. Theodozio. Lisboa por Mathias Pereira da Sylva, e Joaõ Antunes Pedrozo 1720. 4.

Apologos Dialogaes. Obra posthuma a mais politica, civil, e galante, que fez seu Autor. Lisboa pelos ditos Impressores. 1721. 4. Constaõ de quatro Apologos, o primeiro intitulado Relogios Fallantes. Interlocutores hum Relogio da Cidade, e outro da Aldeya. O segundo Escritorio Avarento, Interlocutores hum Portuguez fino, hum Dobraõ Castelhano, hum cruzado moderno, e hum vintem Navarro. 3. Visita das Fontes. Interlocutores Fonte Velha do rocio. Apollo. Fonte nova do Terreiro do Paço, Soldado 4. Hospital das letras, Interlocutores os livros de Justo Lypsio, Trajano Bocalini. D. Francisco de Quevedo e o Author desta obra. Tratado da Sciencia da Cabala, ou noticia da Arte Cabalistica. Lisboa por Bernardo da Costa de Carvalho Impressor do Serenissimo Senhor Infante 1724. 4. Obra posthuma.

 

Cathalogo das obras M. S.

Theodozio del nombre II. Princepe de Bragança Duque setimo de su Estado, natural señor de  los Portuguezes. Historia propria, y universal del Reyno de Portugal, y sus Conquistas en Europa, Africa, Asia, y America con suficiente noticia de los sucessos del mundo al tiempo de la Vida deste Princepe. Escrita del Orden del muy alto, y muy poderoso Rey nuestro Señor D. Juan el quarto su hijo, y Padre de la Patria. Offerecida a Su Magestad por D. Francisco Manoel Parte primera dividida. Quare? Anno Christiano 1648. O original, que meu Irmaõ D. Jozè Barboza conserva na sua Selectissima Livraria, estava prompto com as licenças da Inquisiçaõ passadas a 28. de Março de 1678. para a impressaõ. Desta obra faz mençaõ o P. D. Antonio Caetano de Souza. Hist. Geneal. da Caz. Real Portug. Tom. 6. liv. 6. pag. 562.

Justificaçaõ das suas acçoens ante Deos, ante Sua Magestade, e ante o mundo contra as falsas calumnias impostas dos seus inimigos. He hum Memorial à Magestade delRey D. Joaõ o IV. que consta de quatro folhas de papel, que lemos. Começa. Senhor. Os Romanos custumavaõ ouvir em seu Senado aos Reos; entendiaõ, que a justificaçaõ propria de ordinario periga na pena, e na voz alheya. Acaba. Isto conheço, isto promulgo, isto protesto fazer.

Vidas dos Serenissimos Reys de Portugal illustradas com medalhas. Desta obra como já quasi concluida faz mençaõ em o Memorial precedente.

Apparato Genealogico de los Reys de Portugal. Desta obra composta no anno de 1648. faz memoria na vida de D. Theodozio Duque de Bragança, a qual sahio com os Retratos dos Reys abertos em Lisboa por Lucas Voosterman, e se estavaõ imprimindo em Anveres. Fallando o Autor desta obra em huma Carta sua escrita a hum Cavalhero em 8. de Dezembro de 1649. cujo original vimos, diz.  Tenho desta obra feito dez vidas de Principes com suas memorias por estilo novo, e elegante.

Tratado da Paciencia. Dedicado ao Serenissimo Eleytor do Imperio Filippe Christovaõ Arcebispo de Treveris. Consta da segunda Carta da Centuria 5. das suas Cartas Familiares escrita a este Principe.

Nobiliario de Damiaõ de Goes addicionado com varias noticias. Cujo original conserva o eruditissimo Jozé Freyre Monterroyo Mascarenhas na sua Livraria, e delle faz mençaõ o Padre Souza Apparat. à Hist. Gen. da Caza Real Portug. pag. 114. §. 123.

Descripçaõ do Brazil intitulada. Paraizo de Mulatos, Purgatorio de Brancos, e Inferno de Negros.

Feyra dos Annexins.

Segunda Parte das Epanaphoras de Varia Historia.

Relaciones del Oriente. Constava dos successos do primeiro anno do governo do Conde de Linhares em a India. Dedicado ao Duque de Maqueda, e Naxera, a cuja instancia compoz esta obra.

Concordancias Mathematicas. Compoz esta obra quando tinha 17. annos de idade, e estava prompta para a impressaõ, como affirma na Carta assima allegada de 8. de Dezembro de 1649.

Las finezas mal logradas. Novella dedicada a huma Dama chamada Margarita Luzinda, escrita na idade de 18. annos Anno critico, e climaterico se naõ da vida, da quietaçaõ dos homens, e taõbem por isso muitas vezes da vida. Como elle escreve na referida Carta.

Desculpas del ocio 1. e 2. Parte. Poesias.

Los Caprichos de Amarilis. Discurso a huma Dama desmayada em sua prezença, dedicado a D. Manoel de Castro seu grande amigo, o qual depois recitou na Academia, que se fazia em caza de seu Tio D. Agostinho Manoel de Mello, sogeito (como elle diz) conhecido igualmente por suas partes, e Tragedia, que ellas pòde ser lhe grangeassem.

Labyrintho de Amor. Comedia

Los secretos bien guardados. Comedia

De Burlas haze amor veras. Comedia

El Domine Lucas. Comedia burlesca

El Verano en Sintra. Novela

Las noches escuras. Novela

La Dama Negra. Novela

Historia General de Portugal, que comprehende el govierno de la Princeza Margarita.

Juizio de las maravillas de la naturaleza. Deu motivo a este Discurso o diluvio de fogo, que cahio na Ilha de S. Miguel no anno de 1638.

Satisfaciones a Sylvio.

El Hombre. Descrevese o caracter de hum Princepe perfeito.

Lagrimas de Dido. Poema heroico dedicado a D. Francisco de Borja Principe de Esquilache, que o queria imprimir, se o Autor lho naõ impedisse.

Elogio ao Senhor Infante D. Duarte Irmaõ do Serenissimo Rey D. Joaõ o IV. quando segunda vez se preparava para a jornada de Alemanha. Imitou o elogio do grande Joaõ de Barros feito à Serenissima Infanta D. Maria.

De la Aflicion, y confortacion. Obra muito erudita ornada de Sentenças dos Santos Padres, e Filosofos antigos.

Triunfo da Verdade. Apologia por certo Ministro falsamente calumniado.

Memorial de la honra. Dirigido a Filippe IV. Nelle reprezenta à Nobreza a violencia de hum tributo, que se lhe queria impor no anno de 1632.

Memorial ao Conde Duque por parte de Diogo Soares Secretario de Estado.

Memorias da sua vida escritas no anno de 1641. quando estava prezo em Madrid.

Verdades pintadas, e escritas. Constava de cem Emprezas moraes dibuxadas pela sua maõ, e illustradas com discursos. Ao tempo que estava compondo esta obra lhe chegou às mãos o livro das Emprezas Politicas, e moraes de D. Diogo de Saavedra, e nellas achou quatorze com o mesmo corpo, e letra, e allegoria sem nunca se ter comunicado com aquelle  Politico.

Punto en boca. Invectiva jocosa contra Castella

La Impossible Tragedia Castelhana imitando o estilo de Joaõ Bautista Guarino.

Officio de S. Joaõ Bautista. Com hymnos, responsorios, e Oraçoens publicado com o suposto nome de Innocencio da Paixaõ.

Canto de Babilonia. Parafraze do Psalm. Super Flumina Babilonis. Em copias Portuguezas.

Discurso acerca dos inimigos, que o vexavaõ tomando por argumento as palavras de David oderunt me gratis. Dedicado a D. Rodrigo da Cunha.

O invisivel Concelheiro. Discurso politico.

Mare de Rosas. Invectiva contra hum livro poetico.

Relaçaõ Historica das Alteraçoens de Evora.

Cartas de la Razon. Idea politica. Fallando desta obra na Carta referida, diz. se Deos for servido de mo deixar acabar felicemente espero seja a honra, e meta de todos os meos escritos.

Commentarios ao livro da Providencia de Seneca.

El Christiano Alexandro. Historia politica de Jorge Castrioto Principe, e Restaurador de Albania.

Espiritos moraes. Discursos sobre as Domingas de Quaresma. Dedicado a D. Fernando de Andrade, e Sotto-mayor Arcebispo de Burgos, e depois de SaõTiago.

Discurso moral, e politico sobre o verso 9. do Psalmo 18.

Homilia sobre as palavras. Misit Herodes Rex.

Defensa universal deste Reyno em que se propoem todos os meyos practicos para evitar todos os perigos, que nelle pòde haver cauzados por mar, e terra.

Do modo de empregar na guerra a Fidalguia.

Discurso sobre a interpresa de Badajòs.

Da Fortificaçaõ das Praças.

Das Precedencias das Naçoens. Deu materia a este discurso quererem as nàos da Coroa de Inglaterra preceder às mercantes de Olanda em o Porto de Lisboa.

Do modo de servir dos Reformados.

Discurso sobre o Officio de Marichal do Reyno.

Discurso sobre as competencias dos Officios da Caza Real.

Memorial dos Moradores da Capitania de Pernambuco.

Relaçaõ do Nacimento do Infante D. Pedro. Relaçaõ do Sitio de Olivença.

Relaçaõ da Vitoria, que alcançaraõ os Portuguezes dos Olandezes em os Gararapes.

Annotaçoens às Sentenças do Conde de Vimioso.

Ancias de Daliso. Poema, que consta de verso e proza.

Annotaciones a las Epistolas de Francisco de Sà.

Historia de los Infantes.

El Cezar de ambos mundos.

El Daniel perseguido.

Modo de emplear la Nobleza.

Politica Familiar.

Curia Politica.

Manifiesto de los Palatinos.

Segunda Parte das Cartas Familiares.

Tratado das insignias militares.

Diario del Brazil.

Itinerario da Europa 1. e 2. Parte.

De outras muitas obras assim Politicas, historicas, como Metricas se póde ver o cathalogo impresso ao principio da 1. Parte das obras Moraes o qual està dividido por suas classes, das quaes algumas jà estaõ impressas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]