FRANCISCO DE ANDRADE Naceo em Lisboa, sendo filho de Fernando Alvares de Andrade Fidalgo da Caza DelRey D. Joaõ o III. Thezoureiro mór do Reyno, Cavaleiro da Ordem de Christo, Padroeiro do Padroado de Santa Maria de Aguiar, e da Capella mòr do Convento da Annunciada de Religiosas Dominicas desta Corte, e de Izabel de Payva filha de Nuno Fernandes Moreira Escrivaõ da Camera de Lisboa, e de Violante de Magalhaens; Irmaõ de Diogo de Payva de Andrade, e do Ven. Fr. Thomè de JESUS, ambos insignes, o primeiro na especulaçaõ das Sciencias, e o segundo na practica das virtudes. Foy instruido em todas aquellas artes dignas do seu illustre nacimento concorrendo para a brevidade com que as comprehendeo natural genio, juizo penetrante, e memoria feliz. Applicouse com particular disvelo à liçaõ da Historia, principalmente desta Monarchia em que sahio taõ doutamente versado, que substituhio no lugar de Chronista mór do Reyno, e Guarda mór da Torre do Tombo a Antonio de Castilho. Nesta occupaçaõ dezempenhou as obrigaçoens de hum excellente Historiador como o intitula Antonio de Souza de Macedo Flor. de Espan. cap. 8. Excel. 9. escrevendo a Chronica DelRey D. Joaõ III. na qual relatou com pena mais difusa as acçoens Militares, que as politicas deste Principe. Naõ foy menos perito na Poetica, que na Historia, sendo os muitos versos assim Lyricos como heroicos, que compoz claras testemunhas de facil veya, e natural afluencia, que teve para taõ divina Arte. Foy Commendador de S. Payo de Fragoens da Ordem de Christo, e do Conselho delRey. Cazou com D. Helena da Costa, filha de Salvador Correa de Menezes, e D. Violante da Costa, de quem teve Diogo de Payva de Andrade igualmente douto na liçaõ da Historia, como nos preceitos da Poesia Latina. Falleceo em Lisboa no anno de 1614. Fazem delle memoria Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 307. col. 1. Joan. Soar. Brit. Theat. Lusit. Litter. lit. F. num. 29. Ant. de Leon. Bib. Orient. Tit. 3. Manoel Telles da Sylva Marquez de Alegrete no Prolog. da Hist. da Acad. Real. Publicou sem o seu nome.

Filomena de S. Boa Ventura. Lisboa por Germaõ Galharde 1566. 12.

Começa.

Filomena suave , que cantando

O fim do bravo inverno denuncias

E a vinda do Veraõ alegre, e brando!

Chronica do valeroso Castrioto Scandebergo. Lisboa por Marcos Borges 1567. folha. Traduzio esta obra da lingua Latina escrita por Martinho Barlesio, que depois foy vertida em Castelhano por Joaõ de Uchoa. Sahio com o seu nome.

O primeiro cerco, que os Turcos puzeraõ à Fortaleza de Dio, nas partes da India defendida pelos Portuguezes. Coimbra 1589. 4. Naõ tem nome do Impressor. Consta este Poema de vinte Cantos do qual faz mençaõ o moderno addicionador de Ant. de Leaõ Bib. Orient. Tom. 1. Tit. 3. col. 61. e o Padre Antonio dos Reys no Enthus. Poetico num. 44.

. . . . . . . .Certamina celsum

Quae cècinit Lusos inter Turcasque furentes

Andradio meruère locum.

Chronica do muito alto, e muito poderoso Rey destes Reynos de Portugal D. Joaõ o III. deste nome. Lisboa por Jorge Rodrigues 1613. folha. Foy dedicado pelo Author a Filippe II.

Insituiçaõ DelRey Nosso Senhor. He traduçaõ da Latina, que fez Diogo de Teyve, insigne Mestre de Humanidades quando ElRey D. Sebastiaõ cumpria sete annos de idade. Sahio impressa no livro do mesmo Teyve intitulado Epodon, sive Jambicorum Carmen libri tres. Olyssipone apud Franciscum Correa 1565. 12. fol. 67. Começa.

Doutas habitadoras do Parnaso

Manifestay agora aos Poetas

O sagrado licor das vossas fontes

Com que os seus coraçoens, e engenhos banhem.

Vida, e feitos de D. Vasco da Gama, descobridor da India, e dos mais Fidalgos daquella Familia, que miIitaraõ na India. M. S. Esta obra que estava prompta para a impressaõ, compoz à instancia de D. Francisco da Gama Conde da Vidigueira, extrahindo as noticias mais particulares da Historia da India, escrita por Gaspar Correa.

Dialogo entre o Anjo da Guarda, e o corpo humano. M. S. Estas duas obras se conservaõ na Bibliotheca do Excellentissimo Conde da Ericeira.

Historia de Felicio, e Delia. Obra pastoril. M. S.

Elegia á morte de D. Catherina de Attaide em que saõ Interlocutores Felicio, e Sylvano. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]