MANOEL CABBEDO DE VASCONCELLOS natural da Villa de Setuval onde teve por pays a Miguel de Cabbedo Fidalgo da Casa Real, e D. Leonor Pinheira de Vasconcellos filha de Gonçalo Mendes de Vasconcellos descendente do morgado de Esporaõ, e por irmaõs a Gonçalo Mendes de Vasconcellos Cabbedo, e Antonio de Cabbedo dos quais se fez merecida lembrança em seus lugares. Naõ sómente herdou o patrimonio das letras conservado sempre em a sua nobre familia, mas se distinguio na liçaõ da Historia, e cultura da Poesia sagrada, e profana. Foy Cavalleiro da Ordem Militar de Malta ocupando o lugar de Chanceller no tempo que era Graõ Mestre o nosso Portuguez Luiz Mendes de Vasconcellos. Envejosa a morte dos progressos, que igualmente fazia nas armas, que nas letras o arrebatou intempestivamente na varonil idade de quarenta annos. Para digno ornato da sua sepultura lhe escreveo o seguinte epitafio seu irmaõ Antonio de Cabbedo.

Hospes seu virtuti, & aetati divitiisque confidis, seu generi, & fortitudini, animique tui dotibus nimium arrogas, asta, & certa instabilis vitae documenta perdisce. Hic situs est Emmanuel, qui ut virtute, & genere nemini suorum municipalium cedebat, ita fortitudine, divitiis, & aetate quam plurimis praestabat, vix annum quadragessimum agentem mors eripuit. De tot, ac tantis bonis exiguo contentus pulvere, bene facta tantum secum detulit, caetera repetenti fortunae restituit.

Querendo perpetuar o seu nome na Historia, e na Poesia deixou os seguintes partos da sua penna que claramente manifestaõ o talento que tinha para huma, e outra composiçaõ.

Chronica da Religiaõ de Malta. fol. Era escrita na lingua Latina, e a mais estimavel assim pelas noticias, como pelo estilo que se tinha composto neste assumpto. Por sua morte desapareceo como afirma Jorge Cardozo nos M. S. para a Bib. Portug.

Elegia em Tercetos sobre o cantico Benedicite Domino omnia opera Domini Domino.

Cançaõ sobre o Psalmo Supra flumina Babilonis.

Os Quinze Mysterios do Rosario illustrados. Constava de vinte, ou trinta obras de diverso metro a cada Mysterio. Esta obra levou para Malta com intento de a imprimir.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]