MANOEL CORREA natural da Cidade de Elvas situada na Provincia Transtagana, Licenciado em os Sagrados Canones, Examinador Sinodal do Arcebispado de Lisboa, e Parocho da Igreja de S. Sebastiaõ da Mouraria em a mesma Cidade. Foy muito perito nas letras humanas, e na intelligencia das linguas Latina Grega, e Hebraica. Teve estreita amizade com o insigne Luiz de Camoens a cuja instancia illustrou com eruditos Commentarios o seu Poema dos Lusiadas. Pela sua erudiçaõ historica, e poetica mereceo a correspondencia de varoens famosos entre os quaes se distinguio o celebre Filologo Justo Lypsio que lhe escreveo huma Carta que he a 99. da Centur. ad Ital. & Hispan, em reposta de outra que delle recebera onde faz estas afectuozas expressoens da sua amizade Te, mi Correa, videam, pectori applicer, collo adstringar, atque ipsa hac cogitatione liquesco, & moveor: quid si re frui detur. Fazem honorifica memoria do seu nome Faria Vid. de Camoens impressa antes do Comment. da Lusiad. Marangoni Thezaur. Paroch. Tom. 2. p. 251. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1 . p. 264. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. E. n. 29. Vir eruditissimus, & plurimarum linguarum peritus. Franckenau Bib. Hisp. Gen. p. 104. Antonio de Leaõ Bib. Orient. pag. 26. Compoz

Os Lusiadas do grande Luiz de Camoens Principe da Poesia Heroica Commentados. Lisboa por Pedro Crasbeeck 1613. 4. Publicou esta obra Pedro de Mariz de quem se fará mençaõ larga em seu lugar e na Prefaçaõ fallando de Manoel Correa diz. Compoz esta obra em largos annos com varia liçaõ, e erudiçaõ de boas letras humanas, que della se pode colligir em que o Commentador era taõ famozo; que nas tres linguas Latina Grega, e Hebrea poucos o igualaraõ na Europa. Sahio segunda vez. Lisboa por Joseph Lopes Ferreira Impressor da Augustissima Rainha 1720. fol.

Principios de Grammatica. M. S. Principia em os Nominativos, e acaba na quantidade das Syllabas. Nesta obra estaõ muitos versos Latinos em louvor de Varoens insignes, e outros assumptos. O original se conserva na Livraria dos Padres Theatinos desta Corte, M. S.

Na Arte da Musica de Duarte Lobo, e nos Aforismos de Ambrozio Nunes impresso o 1. no anno de 1602. e o 2. no de 1603. estaõ versos seus em louvor destes dous Authores.

Cornelio Tacito traduzido em Portuguez. 4. M. S.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]