P. ANDRÉ DE BARROS, Jesuita, Mestre de Theologia e Philosophia, Reitor do Noviciado de Lisboa, e Preposito na casa professa de S. Roque, Academico da Academia Real de Historia. Gosou no seu tempo dos creditos de grande prégador. – N. em Lisboa e ahi morreu no anno de 1754 aos 79 de edade. – E.

297) Voz em Roma, ecco em Lisboa na canonisação de S. João Francisco Regis, da Sagrada Companhia de Jesus. Lisboa, na Off. da Musica 1739. 4.º de X‑248 pag. O exemplar que possuo traz um retrato do sancto, que falta em outros que d’esta obra tenho visto. O preço ordinario não costuma exceder de 240 até 300 réis.

298) (C) Vida do apostolico Padre Antonio Vieira, da Companhia de Jesus. Lisboa, na nova Off. Silviana 1746. fol. de XXVI‑686 pag. com o retrato do P. Vieira no acto de cathequisar um indio. Edição feita com esmero. Esta obra não é rara, e os exemplares correm regularmente de 480 até 720 réis, e algumas vezes mais.

Deve‑se tambem á sua diligencia a publicação das Vozes saudosas da Eloquencia etc. do P. Vieira. (V. o artigo relativo ao mesmo Padre.)

Um distincto critico, tractando do merito litterario do auctor, exprime‑se assim: «Na vida do P. Vieira mostra‑se mais panegyrista que historiador; largo e até prolixo em cousas menos importantes, e nimiamente conciso nas mais graves. Emprega o estylo corrupto, que era estimado no seu tempo. Admirando com rasão a simplicidade e candura das relações que escreveu Vieira, nem por isso o quiz imitar na da sua vida.» Apesar d’estes defeitos, o livro foi incluido como classico no Catalogo chamado da Acad.

Quanto á Voz em Roma, etc. é este um dos mais fecundos mananciaes de equivocos e paranomasias que sahiram das escholas jesuiticas. Para desenfado do leitor apontarei aqui os dous seguintes trechos: A pag. 142 para dizer que prégara um frade franciscano, sahe‑se com este rasgo: «Foi elle o R. P. M. Fr. Antonio da Piedade, em tudo grande, e maior ainda por se fazer menor: n’esta occasião porém foi maximo, porque para honrar a minima Companhia quiz subir ao pulpito, etc. etc.» – A pag. 224, querendo significar que prégara um theatino, diz: «Seguiu‑se a seu tempo a prégação. Essa tomou á sua conta a Divina Providencia… Retirado (o prégador) a descansar, depois de distribuir luzes a mares, e estrellas de elegancia sem numero, etc. etc.» E tudo o restante é pouco mais ou menos n’este gosto!

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]