Fr. MANOEL DE DEOS naceo em a Villa da Amieira do Priorado do Crato em o Arcebispado de Evora a 25. de Fevereiro de 1696. onde teve por pays a Antonio Pires Ribeiro, e Maria de Moura. Estudou as letras humanas, e divinas em a Universidade desta Cidade com tanta viveza de engenho, e felicidade de memoria, que foy Collegial do Collegio da Purificaçaõ. Movido de superior impulso deixou o seculo em idade varonil abraçando o Serafico instituto em o reformado Seminario de Santo Antonio do Varatojo, em o anno de 1715. Onde exercitou o ministerio de Missionario Apostolico por varias terras do Reyno devendo-se á vehemente energia dos seus discursos, e suave atraçaõ das suas vozes a conversaõ de muitas almas para o caminho da eternidade. Ao tempo que estava fazendo Missaõ no Campo grande arrebalde de Lisboa falleceo piamente a 6. de Outubro de 1730., quando contava 35. annos de idade. Faz delle honorifica memoria Fr. Joan. a D. Ant. Bib. Franc. Tom. 1. p. 329. col. 1. Compoz.

Pecador Convertido ao caminho da verdade, instruido com documentos importantes para a observancia da Ley de Deos. Lisboa por Miguel Rodrigues 1728. 8. e Coimbra por Antonio Simoens Ferreira 1728. 4. e Lisboa por Miguel Rodrigues 1731. 8.

Catholico no Templo exemplar, e devoto. Mostra se com quanta reverencia deve assistir em lugar taõ santo &c. Lisboa por Miguel Rodrigues 1730. 8. Estas duas obras louva Fr. Martinho do Amor de Deos na Chron. da Prov. de Santo Antonio. Tom. 1. liv. 2. cap. 1. 35. e 93.

Luz, e methodo facil para todos os que quizerem ter o importante exercicio da Oraçaõ Mental acrecentado com a Via-sacra, e Ladainha de Nossa Senhora. Lisboa por Miguel Rodrigues 1729. 24. e Coimbra por Antonio Simoens Ferreira 1735. 8.

Semana espiritual de meditaçoens. Sahio no livro intitulado Caminho do Ceo. Lisboa pelo dito Impressor 1730. 8.

Modestia no exterior ornato, gala decorosa do Christianismo defendida em todo este tratado, em que segundo a verdade das Escrituras, e doutrinas dos santos Padres se condena o luxo reprehensivel, se concede o adorno decente atendida a diferença de qualidades, tempos, Officios, e Estados. Tiraõse com explicaçoens claras as ocasoens de escrupulos; assinase huma mediania suave, que nem declina a austeridade, nem a relaxaçaõ. 4. M. S. Desta obra vimos huma copia primorosamente escrita.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]