FR. ALVARO DE TORRES, Monge de S. Jeronymo, cujo instituto professou no convento de Belem a 14 de Maio de 1534. Foi Mestre em Theologia, pregador insigne, e destrissimo nas artes liberaes, mormente na caligraphia, se é certo o que d’elle conta Barbosa. Foi natural da villa de Torres Vedras, e m. em florente edade affogado no Tejo, na occasião em que se transportava de Lisboa para o seu referido convento. A serem exactas as indicacões apresentadas por Barbosa no artigo que lhe diz respeito, E.

268) (C) Dialogo espiritual, Colloquio de um religioso com um peregrino, onde lhe ensina como e onde se ha de achar a Deus. Lisboa, por João Fernandes 1578. 8.º – Evora, por André de Burgos 1579. 8.º Diz Barbosa «que fora mandado imprimir por D. Gaspar de Leão, primeiro Arcebispo de Goa, por cuja causa alguns imaginaram que era obra d’este prelado.» Porém elle Barbosa é o proprio que, com inexplicavel incoherencìa, no tomo II artigo «D. Gaspar de Leão», reproduz ahi em nome d’este o Dialogo de que se tracta, reconhecendo‑o por seu auctor, sem mais se lembrar de Fr. Alvaro de Torres!

269) (C) Directorio de Confessores e Penitentes pelo P. João Polanco da Companhia de Jesus, traduzido em portuguez. Lisboa, por João Blavio de Colonia 1556. 8.º – Ibi, por Marcos Borges 1556. 8.º Farinha no Summario da Bibl. Lusit. confirma serem duas edições do mesmo anno. Eu só conheço a primeira indicada, de que vi não ha muito tempo um exemplar, que foi comprado pelo sr. conselheiro Macedo por 480 réis.

270) Regra de Sancto Agostinho. Barbosa declara simplesmente que fora traduzida do latim por insinuação da infanta D. Maria, sem todavia affirmar que se imprimisse. Mas Farinha vai mais longe, e diz que esta traducção se publicara, e que vira uma copia em Belem. Acho confuso este modo d’exprimir, porque a palavra copia deve antes significar transumpto manuscripto que exemplar impresso. Assim fico duvidoso sobre o que nos quiz dizer. O Catalogo da Academia menciona, é verdade, na letra R uma Regra de Sancto Agostinho traduzida para portuguez, sem logar, nem anno de impressão, e sem nome do traductor: mas tenho por mais provavel que esta seja a que Barbosa attribue em outra parte a Fr. Antão Galvão, de quem tracto no logar competente.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]