Fr. MANOEL DE FIGUEIREDO natural da Villa de Campo-Mayor em a Provincia Transtagana onde foraõ seus Progenitores Sebastiaõ Pegado de Abreu, e Izabel Pinta igualmente nobres, e opulentos. Professou o instituto dos Erimitas de Santo Agostinho em o Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa a 6. De Abril de 1711. onde aprendeo, e ensinou as sciencias Escholasticas até jubilar na Sagrada Theologia. Com prudencia, e afabilidade exercitou os lugares de Prior do Convento de Angra no anno de 1722. e do Convento de Lisboa em 1726. merecendo pela sua sciencia Theologica, e historica erudiçaõ ser Examinador das Tres Ordens Militares, Consultor da Bulla da Cruzada, e Chronista da sua Religiaõ. Nos mais authorizados pulpitos da Corte recitou diversas Oraçõens Evangelicas  que mereceraõ universal aplauzo. Compoz

Voz allegorica, que sendo o assombro dos homens nas Montanhas de Judea foy o terror dos Leoens no sitio de Campo-Mayor o grande Bautista inclito Protector, e Soberano asilo da mesma Praça exposta em hum Sermaõ Chronologico, Panegirico, e gratulatorio na Igreya do mesmo Santo em acçaõ de graças pelo glorioso triunfo que a dita Praça alcançou no apertado sitio em que havia cinco mezes a tinhaõ posto as armas de Castella; prégado em 27. de Outubro de 1717. Lisboa por Paschoal da Silva 1718. 4.

Sermaõ funebre nas solemnissimas exequias que no Convento da Graça de Lisboa celebrou a nobelissima Irmandade dos Passos em 17. de Fevereiro de 1727. a seu Provedor o Excellentissimo D. Nuno Alvares Pereira de Mello primeiro Duque do Cadaval 4. Marquez de Ferreira, 5. Conde de Tentugal Presidente do Dezembargo de Paço Mestre de Campo General junto á Pessoa, e Governador das Armas da Provincia da Estremadura. Lisboa por Bernardo da Costa de Carvalho 1727. 4. e nas ultim. Acçoens do Duque. Lisboa na Officina da Musica 1730. fol. a pag. 155. até 170.

Sermaõ no setimo dia do solemne Outavario com que os Religiosos da Companhia de Jesus da Casa Professa de S. Roque celebraraõ a Canonizaçaõ de S. Luiz Gonzaga, e S. Estanislao Koska. Lisboa por Manoel Fernandes da Costa 1728. 4.

Festivo dia que a toda a Igreja deu o seu Sol o Principe dos Patriarchas, e Doutor eximio Santo Agostinho aparecendo seu Sagrado Corpo no Ceo de ouro na Cidade de Pavia o primeiro de Outubro de 1691. Lisboa por Bernardo da Costa Impressor da Religiaõ de Malta 1728. 4.

Sermaõ prégado nas exequias que no Convento da Graça de Lisboa em 24. de Mayo de 1735. celebrou a Ven. Ordem Terceira de Santo Agostinho ao seu Prior o Excellentissimo Senhor D. Filippe Mascarenhas Segundo Conde de Coculim, Deputado da Junta dos Tres Estados. Lisboa por Jozé Antonio da Silva Impressor da Academia Real. 1735. 4.

Epitome da Vida, e prodigios de Santa Rita de Cassia Viuva, Religiosa da Ordem dos Erimitas de Santo Agostinho aclamada pela devoçaõ dos povos Advogada dos impossiveis. Lisboa pelo dito Impressor 1737. 8. No fim tem a Novena da mesma Santa que sahio separada ibi pelo dito Impressor. 1737. 12.

Oraçaõ funebre nas solemnes exequias que na Igreja de Santa Justa de Lisboa fez a Irmandade de Santa Cecilia em 11. de Dezembro de 1736. ao seu perpetuo Provedor o Senhor Diogo de Mendoça Corte Real do Conselho de Sua Magestade, e seu Secretario de Estado. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca 1737. 4.

Flos Sanctorum Augustiniano 4. Parte que contem os Santos de Setembro. Lisboa na Officina Rita-Cassiana 1737. fol.

Oraçaõ funebre nas solemnes exequias que na Matriz de Campo-Mayor em 17. de Março de 1737. se fizeraõ ao Serenissimo Senhor D. Antonio Manoel de Vilhena Principe Soberano de Malta, e Gozo, e Graõ Mestre da

preclarissima militar Religiaõ de S. Joaõ do Hospital. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca 1738. 4.

Carmelitano Viridario a R. P. ac S. M. Fr. Stephano á Sãto Angelo in lucem edendo Elogium. Sahio no Tom. 2. desta obra a pag. 437. Lisboa na Officina Regia Silviana 1741. fol. O Elogio he de estilo lapidario. Com o afettado nome de Antonio Dias da Silva, e Figueiredo publicou.

Noticia do lastimozo estrago, que na madrugada do dia 16. de Setembro deste prezente anno de 1732. padeceo a Villa de Campo-Mayor causado pelo incendio com que hum rayo cahindo no armazem da polvora arruinou as torres do Castello, e com ellas as casas da Villa. Lisboa na Officina Augustiniana 1732. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]