MANOEL DE GALHEGOS, nasceo em Lisboa no anno de 1597. sendo filho de Simaõ Rodrigues de Galhegos, e Gracia Mendes Mourato. Entre os canoros cisnes do Parnaso Portuguez, mereceo lugar eminente assim pela cadencia do metro, como pela elegancia das vozes, e discriçaõ dos conceitos, ou fosse metrificando em assumptos heroicos, ou liricos. O sublime enthusiasmo de que o dotou a natureza se admirava ornado de vasta erudiçaõ aprendida por todo o espaço de sua vida imitando, e muitas vezes excedendo os mayores Poetas de diversas Naçoens. Na Corte de Madrid, onde assistio algum tempo, contrahio estreita amizade com o grande Lopo da Vega Carpio, que se admirava do genio que tinha para a Poezia comica em cujo obsequio compoz algumas Comedias, que foraõ applaudidas por hum Varaõ taõ insigne neste genero de Poezia naõ sendo menor a aclamaçaõ dos expectadores, quando se representavaõ no theatro. Foy casado com Luiza Freyre Pacheco de quem teve descendencia, e depois de passar alguns annos viuvo se ordenou de Presbytero. Falleceo na Patria a 9 de Junho de 1665. Quando contava 68 annos de idade. Jaz sepultado na Parochia de Saõ Lourenço. Celebraõ o seu nome os Corifeos da Poezia do seu tempo como saõ Francisco de Sá, e Menezes no principio da Gigantomachia.

Celebrad Cisnes admirando el canto

Del Varon Lusitano,

Del nuestro nuevo Apollo

Resuena horrible, pero dulce tanto

Que igualmente deleita,y mueve espanto.

Antonio Figueira Duraõ Laur. Parnas. Ram. 2.

Gallegus doctae rarissima fama Minervae est

Divisum Imperium Phaebus, & ille tenet.

Sic sua non solum Juppiter astra premit

Sic sua non solus bella Gradivus alit.

Sic sua non solus sydera Castor habet.

Sic sua non solus Tartara Pluto regit.

Lopo da Vega Carpio Laurel de Apollo Sylua. 3.

Quando en tu Lyra Lusitano Orfeo

Manoel Gallegos las batallas cantes

De Encelado,y Tipheo

Nò admite el alto premio tu deseo,

Que alcançaran con versos elegantes

Estrellas por Laureles tus Gigantes.

D. Franc. Manoel de Mello Tub. de Calliop. Sonet. 97. e na Cart. 1. da 4. cent. Das suas Cartas. Heroico, Lyrico, e Comico. Fr. André de Christ. Juizo Poet. fol. 8. Vers. Varaõ estudioso nas letras humanas, e visto na erudiçaõ dos Poetas cujas idéas soube observar na especulaçaõ, como imitar na pratica. Joan. Soar. de Brito Theat. Lusit. Litter. Lit. E, n. 43. e Nicol. Anton. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 267. col. 1. Compoz.

Gigantomachia. Lisboa por Pedro Crasbeck 1628. 4. Poema Heroico de sinco cantos cujo argumento he a guerra dos Gigantes contra Jupiter. No fim. Anaxarte Sylva.

Templo da Memoria Poema Epithalamico nas felicissimas vodas do Excellentissimo Duque de Bragança, e de Barcellos, Marquez de VillaViçosa, Conde de Ourem, de Arrayolos, de Penhafiel, de Neiva, &c. Lisboa por Lourenço Crasbeck. 1635. 4.

Discurso Poetico, e Cançaõ á Ulyssea de Gabriel Pereira de Castro. Lisboa por Lourenço Crasbeck. 1636. 4. Sahio no principio.

Obras varias al real Palacio del Buen Retiro. Dedicadas ao Conde Duque. Madrid por Maria de Quinones 1637. 8.

Relaçaõ do que passou na felice Aclamaçaõ dedicada aos Fidalgos de Portugal. Lisboa por Lourenço de Anvers. 1641. 4. Sem o seu nome.

Das muitas Comedias, que escreveo saõ as mais celebres.

Entrada de Felippe em Portugal.

Affonso de Albuquerque.

El infierno de Amor.

El honrado prudente.

Valor, verdad, y aficion.

Casar a gusto por fuerça.

La Oronte de Chipre.

La Reyna Maria Estuarda.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]