Fr. MANOEL HOMEM, naceo em Lisboa a 29. de Dezembro de 1599. Sendo filho de Athanasio do Amaral Hõmem, e de sua mulher Catherina Monteira de Miranda, cuja amavel companhia deixou na idade de quinze annos abraçando o sagrado instituto da preclarissima Ordem de S. Domingos, que solemnemente professou no Convento patrio em o 1. de Janeiro de 1615. Foy Mestre de Theologia, Examinador das Tres Ordens Militares, e Confessor do Excellentissimo Marquez de Cascaes Alvaro Pires de Castro, a quem acompanhou na Embaixada a Pariz, que no anno de 1644. fez em nome do seu Soberano Dom Joaõ IV. Teve talento politico, e.maduro com que zelou os interesses de Portugal contra as violencias de Castella. Falleceo no Convento de Lisboa a 7. de Outubro de 1662. quando contava 63. de idade, e 47 de Religiaõ. Delle se lembraõ Echard Script. Ord. Praed. Tom. 2. p. 581. col. 2. e Fr. Pedro Monteiro. Claustr. Dom. Tom. 3 p. 280. Compoz

Kalendario Quadrienal conforme o estylo da Ordem dos Prégadores. Resoluçaõ de algumas duvidas graves pertencentes ao Officio Divino: conferencia rubrical de ambos os Breviarios velho, e novo. Declaraçaõ das mysteriosas solemnidades, e Festas do anno como outras muitas curiosdades necessarias para o divino culto. Lisboa, por Paulo Crasbeeck. 1643. 8.

Discriçaõ da jornada, e Embaixada extraordinaria, que fez a França D. Alvaro Pires de Castro, Conde de Monsanto, e Marquez de Cascaes. Pariz, por Joaõ de la Caile. 1644. 4.

Relaçaõ segunda das grandezas do Marquez de Cascaes, e de sua chegada á Cidade de Nantes, e assistencia nella atè partir para Portugal. Nantes, por Guilherme de Monnier. 1645. 4.

Memoria da disposiçaõ das Armas Castelhanas, que injustamente invadiraõ oReino de Portugal no ano de 1580. despertadora ao valor Portuguez para naõ temer; da prudencia, e conselho para ordenar o presente; da prevençaõ, e cautela para dispor o futuro. Lisboa, na Officina Crasbeckiana. 1655. 4.

Resurreiçaõ de Portugal, e morte fatal de Castella. Nantes por Guilherme de Monnier. 4. Sem anno da ediçaõ. Sahio com o affectado nome de Fernaõ Homem de Figueiredo.

Verdade do Antichristo contra a mentira inventada. Dedicado a Medamoyselle

filha do Duque de Orleans Tio de Luiz XIV. Pariz, e em Lisboa.

Obras M. S.

Thesouro do Santissimo Rosario junto das muitas Indulgencias, graças, e Jubileos, e remissoens de peccados, que saõ as verdadeiras riquezas concedidas pelos Summos Pontifices da Igreja de Deos, e seus Legados aos Confrades da Virgem nossa Senhora. Modo de rezar o Santissimo Rosario pelos 15 . Mysterios, devoçoens angulares dos Nomes Santissimos de Jesu, e Maria com outras novas, e muito poderosas com a Divina Magestade Dedicado á Serenissima Rainha de Portugal D. Luiza Francisca de Gusmaõ. Estava na sua Bibliotheca.

Allegaçaõ de Direito, e politico contra a resoluçaõ de naõ ser conveniente imprimirse o livro. Desempenho da Divina Promessa. Offerecido à Magestade delRey nosso Senhor verdadeiro encuberto. 4. Conserva-se na Livraria do Illustrissimo Conde do Redondo.

Defensaõ Catholica da verdade do Purgatorio contra os cegos Hereges deste tempo. 4.

Soccorro Eucharistico, por todas as Almas do Purgatorio da sagrada Communhão que os vivos recebem, e por ellas offerecem a Deos.

Motivos de Portugal divididos em 3. livros, 1. do Direito da Serenissima Casa de Bragança para reinar: o 2. razaõ de Portugal para desobedecer: o3. Injustiças de Castella para possuir.

Desta obra faz mençaõ Jorge Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 2. pag. 507. col. 1. No Comment. de 10. de Abril. Conserva-se na Livraria de S. Domingos de Lisboa.

Desempenho da Divina Promessa, dividida em tres Tratados. 1. encuberto, e descuberto. 2. exame de profecias, e vaticinios. 3. Reposta ao discurso contrario sobre o Rey prometido a Portugal. 4.

Directorio de Confessores, com hum Tratado de Sacramentis in genere.

Apologia pro excellentissima potestate temporali Domini Papae super universam Ecclesiam 4.

Eucharistiae de perfidia triumfus in tres libros tributus. Primus. Auctoritas cum praesumptione pugnat. Secundus. Ratio cum superbia bellat. Tertius Miraculum cum caecitate congreditur. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]