Fr. MANOEL GUILHERME, naceo em Lisboa a 25. de Novembro de 1658. devendo á virtuosa educaçaõ de seus Pays Nicolao Guilherme, e Anna Ayque, deixar o mundo, quando contava 18. annos de idade, e buscar o Claustro da Illustrissima Ordem dos Prégadores, cujo Instituto professou em o Convento de Azeitaõ a 25. de Abril de 1676. Aprendeo Filosofia no Convento de Evora dictada por Fr. Manoel de Santo Agostinho Deputado da Inquisiçaõ de Lisboa, e hum dos mais celebres Letrados do seu tempo, e Theologia em o Collegio de Santo Thomaz de Coimbra onde foy Collegial. Como o genio o inclinasse mais para o pulpito, que para a Cadeira preferio o exercicio concionatorio ao Cathedratico. Nomeado Prégador Geral, e sendo Prezentado obteve a Cadeira de Theologia Moral no Real Collegio de Nossa Senhora da Escada situado perto do Convento de S. Domingos desta Corte onde se instruem os Clerigos para Parochos, e Confessores. Pelo largo espaço de quarenta annos prégou na Capella Real, e nos mais authorizados pulpitos de Lisboa com geral aceitaçaõ dos ouvintes. Das esmólas adquiridas pelos seus Sermões, e com o lucro de alguns livros, que imprimio, dispendeo em obsequio da sua Religiaõ mais de cem mil cruzados parecendo incrivel, que hum Religioso pobre podesse fazer taõ copioso dispendio. Ornou o Altar mór com seis Estatuas de prata de seis Santos da Ordem Dominicana, e dous grandes resplendores para as cabeças dos dous Patriarchas S. Domingos, e S. Francisco. Do mesmo metal mandou fazer huma estante capaz de sustentar nas  quatro partes della os livros do Choro, e outra pequena, em que se cantaõ as liçoens, e huma casoula. Mandou azulejar o Dormitorio grande, fazer a escada de pedra que dece para o Dorrnitorio inferior; pintar de brutesco os tectos da casa da Portaria, e do Antecoro, e renovar com pinturas, e talha dourada a Igreja de Nossa Senhora da Escada. A toda esta sagrada liberalidade excedeo a Livraria, que he a mayor, que tem Casa Religiosa, a qual ocupa duas casas huma pequena. que guarda os livros M. S. e outra muito espaçosa cercada de duas ordens de Estantes humas superiores ás outras primorosamente fabricadas, e cheyas de livros de todas as Artes, e Sciencias encadernados todos em pasta dourada. Para augmento annual desta Livraria, comprou hum juro de trezentos e sincoenta, e quatro mil reis, dos quaes duzentos e vinte, e nove deputou para augmento, e conservaçaõ dos livros: quarenta mil reis para o Bibliothecario, vinte e cinco para hum leigo que lhe assistisse, e sessenta mil á Communidade para o sustento de ambos. Comprou outro juro no Conselho Ultramarino, de duzentos e quarenta mil reis, cujo producto se empregaria no ornato da Capella mór. Ex quibus constat  eligiosissimum hunc virum confecisse opera immortalitate digna tot numero ut ea vix creditura sit posteritas. Com estas palavras finaliza o Elogio, que dedicou á sua memoria relatando quanto fora benefico para a sua Religiaõ o R. P. D. Manoel Caetano de Sousa, Clerigo Regular Pro-Commissario da Bulla da Cruzada, e Censor da Academia Real na sua obra. Expedit. Hisp. S. Jacobi. Tom. 2. p. 1241. 5. 2856. Foy Qualifcador do Santo Officio, Examinador Synodal do Arcebispado de Lisboa, e do Tribunal da Mesa da Consciencia, e Ordens, e das Igrejas do Padroado. Nos ultimos annos se ocupou na composiçaõ de livros asceticos com que dirigio muitas almas ao caminho da perfeiçaõ. Falleceo piamente no Convento de Lisboa a 16. de Agosto de 1730. quando contava 72. annos de idade, e 54. de Religiaõ. Compoz.

Sermaõ do invicto Martyr, e Protector da Fé S. Pedro Martyr. Lisboa, por Miguel Manescal, Impressor do Santo Officio 1686. 4.

Sermaõ das Quarenta Horas, prégado no Real Convento de S. Domingos de Lisboa, em24. de Fevereiro de 1686. Lisboa, por Miguel Deslandes. 1687. 4. Sahio na Laurea Portugueza a pag. 112.

Sermaõ na Canonizaçaõ dos Santos Stanislao Koska, e Luiz Gonzaga, que celebrou a sagrada Companhia de Jesus, na Igreja de S. Roque. Lisboa, por Antonio Pedroso Galraõ. 1727. 4.

Agiologio Dominicano. Vida dos Santos, Beatos, Martyres, e outras pessoas veneraveis da Ordem dos Prégadores por todos os dias do anno, Tom. 1 que comprehende os mezes de Janeiro, Fevereiro, e Março. Lisboa, por Antonio

Pedroso Galraõ 1709. fol.

Tom. 2. que comprehende os mezes de Abril, Mayo, e Junho. ibi pelo dito Impressor. 1710. fol.

Tom. 3. que comprehende os mezes de Julho, Agosto, e Setembro. ibi pelo dito Impressor. 1710. fol.

Tom. 4. que comprehende os mezes de Outubro, Novembro, e Dezembro. Ibi pelo dito Impressor. 1712. fol.

Para complemento desta obra além das noticias, que colheo das Chronicas da Provincia de Portugal, acrescentou outras muitas extrahidas do Anno Dominicano, que na lingua Franceza escreveo Fr. Estevaõ Thomaz Soveges, concorrendo com outras muitas o P. Fr. Manoel de Lima, que juntou do Diario Dominicano, escrito na lingua Italiana, por Fr. Domingos Maria Marchese, todos da Ordem dos Prégadores.

Conselheiro fiel, com maximas espirituaes para convencer o entendimento, e combater o coraçaõ do peccador esquecido. Primeira Parte. Lisboa por Antonio Pedroso Galraõ 1727. 4.

Segunda Parte. ibi pelo dito Impressor. 1727. 4.

Terceira Parte. ibi pelo dito Impressor. 1728. 4.

Cartas directivas, e doutrinaes repostas de huma Religiosa Capucha, e reformada a outra Freira, que mostrava querer reformarse. Lisboa, por Antonio Pedroso Galraõ. 1730. Sahio com o suposto nome do P. Manoel Velho.

Socorro aos moribundos. Lisboa, na Officina da Musica 1730. 8. com o nome de Manoel Velho.

Cartilha nova, tratado utilissimo, e instruçaõ de huma alma na Doutrina Christã, ordenada á maneira de Dialogo para ensinar aos meninos. Offerecida a Santo Aleixo Protector das Escólas. Lisboa na Officina Joaquiniana da Musica. 1735. 12. Sahio com o nome de Manoel Velho Algarbiense.

Escada Mystica de Jacob para subir ao Ceo da perfeiçaõ. Lisboa, por Paschoal da Sylva 1721. 8. Coimbra, por Jozé Antunes da Sylva 1731. 8. Sahio com o suposto nome do P. Paulo Cardoso, até que depois de varias impressoens se publicou em Lisboa, na Officina Alvarense 1744. 8. com o seu nome, acrescentado de oito reflexoens moraes, por Fr. Jozé da Natividade Dominicano.

Ramilhete espiritual, que offerece aos peitos das Esposas de Christo huma consciencia charitativa. Lisboa, por Antonio Pedroso Galraõ. 1728. 12. Sahio com o nome do P. Paulo Cardoso.

Novena, ou disposiçaõ catholica, para celebrar a Festa do Santissimo Sacramento, com outro modo de Novena para se venerar em nove Ouintas Feiras o mesmo Senhor Sacramentado. Lisboa, na Officina Real Deslandesiana. 1715. 24.

Tratado da Gotta, que contém o modo seguro, e facil de a curar. Lisboa, por Antonio Pedroso Galraõ. 1714. 8. He traduçaõ da lingua Franceza, em que escreveo este Tratado hum Medico de Amsterdaõ, e o traductor lhe acrescentou muitas receitas tiradas de Monsiur Aignan Medico delRey Christianissimo, e do Thesouro Apolineo de Joaõ Vigier.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]