ALEXANDRE DE GUSMÃO, Cav. professo na Ord. de Christo, Fidalgo da Casa Real, Doutor em Direito Civil pela Univ. de Paris e incorporado na de Coimbra, Enviado extraordinario á Côrte de Roma, Secretario particular d’Elrei D. João V, Academico da Acad. Real da Historia Portugueza, e ultimamente Conselheiro do Conselho Ultramarino, etc. – N. na villa de Sanctos, da provincia de S. Paulo no Brazil, em 1695, sendo nono filho de Francisco Lourenço, cirurgião mór do presidio da mesma villa, e de sua mulher D. Maria Alvares. Foi seu padrinho o P. Alexandre de Gusmão (do qual se tractou no artigo precedente) e em obsequio a elle tomou o nome, deixando o appellido Rodrigues, que era o de seu pae. – M. sem descendencia em Lisboa a 30 ou 31 de Dezembro de 1753. – Para a biographia d’este illustre portuguez‑brazileiro podem consultar‑se, além da Bibl. Lus. de Barbosa, e do seu Elogio por Miguel Martins de Araujo, impresso em 1754, os artigos que lhe dizem respeito no Plutarco Brazileiro pelo sr. João Manuel Pereira da Silva, tomo I pag. 207 e 224 (onde com erro notavel não emendado na tabella das erratas, se põe o seu falecimento em 1553!) – e no Ensaio biographico‑critico sobre os melhores Poetas portuguezes por José Maria da Costa e Silva, tomo IX pag. 37 a 51 (no qual por outro similhante erro se lhe indica o nascimento em 1615) – o opusculo Da vida e feitos de Alexandre de Gusmão, etc., pelo Visconde de S. Leopoldo, impresso em 1841; e finalmente a Noticia previa que vem á frente da Collecção dos seus escriptos ineditos, que abaixo se mencionará. – E.

185) Relação da entrada publica que fez em Paris aos 18 de Agosto de 1715 o Excellentissimo Senhor D. Luis da Camara, Conde da Ribeira grande, do conselho d’Elrei de Portugal… seu embaixador extraordinario á Côrte de França, reinando n’esta monarchia Luis XIV, em que se acham varias noticias condernentes ao ceremonial d’esta embaixada. Paris, na Off. de Pedro Emery 1715. 4.° de 23 pag. – Na Bibl. Nac. de Lisboa ha um exemplar d’este raro opusculo.

186) Practica com que congratulou a Acad. Real em 13 de Março de 1732 por ser eleito seu collega. – Sahiu no tomo XI da Collecção dos Documentos e Memorias da mesma Acad., Lisboa, 1732, e foi reimpressa no Patriota, jornal do Rio de Janeiro, num. IV, Abril de 1813.

187) Conta dos seus Estudos academicos dada a 24 de Julho de 1732. – Vem no citado tomo XI da Collecção dos Documentos, etc.

Posthumas se publicaram as seguintes:

188) Collecção de varios Escriptos ineditos politicos e litterarios de Alexandre de Gusmão, dados á luz publica por J. M. T. de C. Porto, na Typ. de Faria Guimarães 1841. 8.o de XV‑319 pag. – N’este volume, que é hoje pouco vulgar ao menos em Lisboa, se comprehendem varias cartas, que já tinham sido, muitos annos antes, insertas em diversos numeros do Investigador Portuguez em Inglaterra. Póde lêr‑se ácerca d’esta publicação a analyse e juizo critico assignado V. (o sr. F. A. Varnhagen?) no Panorama, vol. V, 1841, pag. 392.

189) Complemento dos Ineditos de Alexandre de Gusmão, publicado por Albano Antero da Silveira Pinto. Porto, na Typ. da Revista 1844. 8.o gr. – Tinham sido já insertos na Revista Litteraria, tomo X, pag. 369 a 383, e pag. 411 a 435. – Posto que se digam ineditos, vem entre elles o Calculo sobre a perda do dinheiro que tambem fora muitos annos antes inserto no Investigador Portuguez, e até impresso em separado em 1822 em um folheto de 4.o

190) Discurso (inedito) em que se mostra os interesses que resultam a Sua Magestade Fidelissima e a seus vassallos da execução do Tractado de limites da colonia do Sacramento, ajustado com Sua Magestade Catholica. Começa: O estado em que o rei defuncto, nosso augustissimo monarcha, etc. – Sahiu no Panorama, tomo II da 2.ª serie, 1843, pag. 149 e seg. – É complemento do outro, já publicado na Collecção dos Ineditos (n.° 188) que serve de resposta á impugnação do brigadeiro Antonio Pedro de Vascondellos.

191) Additamentos secretos e mui curiosos, que servem de subsidio para a biographia de Alexandre de Gusmão em varias Cartas suas ineditas. – Sahiram no Panorama, tomo IV da 2.ª serie, 1846‑1847, pag. 271 e 279, etc., por diligencia do sr. Rodrigo Felner.

Corre tambem com o seu nome:

192) Aventuras de Diofanes, imitando o sapientissimo Fenelon na sua viagem de Telemaco: por Dorothea Engracia Tavareda Dalmira. Seu verdadeiro auctor Alexandre de Gusmão. Lisboa, na Reg. Off. Typogr. 1790. 8.o de XII‑328 pag. – Confesso porém que, apesar do que nos diz o editor no prologo d’esta, que é já terceira edição da obra de que se tracta, não posso atinar com razão sufficiente para admittir que Alexandre de Gusmão deixásse publicar a primeira vez, ainda em sua vida, este romance (a ser seu) sob um nome supposto, e que está mui longe de poder considerar‑se anagramma do seu proprio, ao passo que o é perfeito e completo do de D. Theresa Margarida da Silva e Horta, que até então passára por auctora do dito romance. E muito mais estranho que Barbosa, devendo estar sciente d’estas cousas, passadas no seu tempo, e como que á sua vista, se deixasse illudir a ponto de desconhecer completamente o auctor da obra, attribuindo‑a a D. Theresa, com taes e tão especificadas circumstancias que bem mostram a firme persuasão em que estava de que a mesma lhe pertencia. Perdoe‑me pois a memoria de quem quer que foi o editor da terceira edição; mas não posso deixar de duvidar da sua boa fé em querer dar a paternidade da obra a Gusmão sem apresentar indicações seguras, e só sim o frivolo e insustentavel fundamento de uma similhança de nomes, que de certo não existe. (V. D. Theresa Margarida da Silva e Horta.)

Advertirei por ultimo que Alexandre de Gusmão, alem d’esses poucos versos que d’elle se conservam, e que podem vêr‑se reunidos no Ensaio biographico de Costa e Silva, no tomo e logar citados no principio d’este artigo, consta que tambem compozera em 1749 umas Cantigas, muito apreciadas n’esse tempo, como póde vêr‑se no Theatro de Manuel de Figueiredo, tomo XIV a pag. 288.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]