P. MANOEL DA NOBREGA, cuja patria se ignora, mas naõ ser descendente de Familia qualificada, sendo filho do Dezembargador Belchior da Nobrega que mereceo distinctas estimaçoens delRey Dom Joaõ III. pela sua Litteratura, e independencia. Depois de estudar as letras humanas em Portugal passou a Salamanca em cuja Universidade se aplicou á Jurisprudencia Canonica, e continuando em Coimbra a mesma Faculdade de que teve por Mestre o insigne Martim Asplicueta Navarro, recebeo o grao de Bacharel a 14. de Junho de 1541. Despresando o aplauso academico, que tinha conciliado com as oposiçoens ás Cadeiras se recolheo á Companhia de Jesus em o Noviciado de Coimbra a 21. De Novembro de 1544. Nesta virtuosa palestra começou a exercitar as obrigaçoens do seu instituto com tanto fervor, que servia de estimulo, e confuzaõ aos seus mais antigos professores assim na visita dos Carceres, e Hospitaes, como no zelo da conversaõ das almas prégando, e confessando de dia, e noite naõ permitindo o mais breve alivio ao seu ardente espirito, para o qual como julgasse ser breve esféra o Reino de Portugal partio para o Brasil com o seu primeiro Governador Thomé de Sousa em o 1. de Fevereiro de 1549, acompanhado dos Padres Leonardo Nunes, Joaõ de Asplicueta Navarro, e Antonio Pires, e tanto que chegou a destinada baliza das suas apostolicas fadigas he incrivel a ancia com que principiou a cultivar aquella agreste, e dilatada vinha habitada de barbaros taõ ferozes, que se sustentavaõ com a carne dos inimigos que cativavaõ aos quaes de feras converteu em racionaes, como tambem reduzio ao caminho da penitencia a muitos Catholicos que o eraõ sómente em o nome. Semelhantes transformaçoens obrou nas Capitanías de S. Vicente, Espirito Santo, e no Estado de Pernambuco ao qual pessoalmente passou no anno de 1551. quando era Vice-Provincial do Brasil, e depois Provincial onde viviaõ os Ecclesiasticos taõ licenciosamente, que eraõ grave escandalo dos seculares, e suposto que estes resistiaõ á efficacia da sua voz se renderaõ penetrados dos remorsos das consciencias abominando a communicaçaõ lasciva das escravas, e libertando do cativeiro aos Indios. Livre do naufragio que padeceo quando navegava no anno de 1553, com o Governador Thomé de Sousa para a costa do Su1, tanto que chegou á Capitania de S. Vicente ordenou em Piratininga distante 12 legoas desta Capitanìa hum Collegio para instruçaõ dos novos convertidos em cuja empreza se demorou até o anno de 1556. Voltando á Bahia quando governava o Estado D. Duarte da Costa, que tinha chegado com sete Padres Jesuitas dos quaes era Superior o P. Luiz da Grã, Reitor do Collegio de Coimbra, e entre elles se distinguia o Irmaõ Jozé de Anchieta, que depois pelas suas heroicas virtudes mereceo a antonomazia de Thaumaturgo da America, persuadio ao novo Governador que reduzisse a Aldeas os Indios novamente sojeitos, e aos que já eraõ convertidos determinasse lugares commodos em que se eregissem Igrejas para mayor augmento da Christandade. Contrahio grande amizade com Mem de Sá substituto no Governo do Brasi1 de D. Duarte da Costa, e o acompanhou na feliz expediçaõ maritima com que triunfou dos Francezes em o Rio de Janeiro. À sua grande prudencia se deve a Paz celebrada entre os Portuguezes, e Tamoyos sendo elle o arbitro da concordia entre estes barbaros, que causavaõ graves damnos a nossa gente. Conquistado o Rio de Janeiro pelo esforço de Estacio de Sá no tempo em que se fundou a nova Cidade se erigio o Collegio da Companhia, que mandava levantar ElRey D. Sebastiaõ, do qual foy o P. Nobrega o primeiro Superior onde depois de assistir tres annos conhecendo pela attenuaçaõ de forças ser chegado o ultimo termo, recebidos os Sacramentos com summa piedade espirou a 18 de Outubro de 1570, em cujo dia tinha nacido, quando contava 55 annos de idade, e 26 de Religiaõ. Das suas apostolicas acçoens fazem larga memoria o P. Simaõ de Vasconcellos. Chronic. da Comp. de Jes. do Estad. Do Brasil. liv. 1. n. 8. 9. 10. liv. 2. n. 83. 90. 110. liv. 3. n. 5. 10. 17. e liv. 4. n. 115. E 117. Franco Imag. da Viril do Nov. de Coimb. Tom. 2. liv. 2. cap. 1. até 10. Orland. Hist. Societ. Part. 3. lib. 6. n. 75, e 265. lib. 7. n. 71. lib. 9. n. 85. 97. 99. lib. 2. n. 78. e 80. lib. 12. n. 67. & lib. 13. n. 63. e 66. Telles Chron. da Comp. da Prov. de Portug. Part. 1. liv. 2. cap. 26. e liv. 3. cap. 2. Jarricus Thez. rer. Ind. lib. 1. cap. 24. Guerreiro Coroa de Sold. Part. 3. cap. 2. Andrade Var. illust. de la Comp. Tom. 5. Imago primi saecul. S. J. lib. 5. cap. 3. Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 3. no Comment. de 30 de Junho letr. B. Nadasi Ann. dier. mem. S. J. Part. 2. pag. 229. Escreveo

Carta de Bahia em 10 de Agosto de 1545 a seu Mestre Martim Asplicueta Navarro, em lhe relata a sua jornada, e do fruto que colheo com as suas pregaçoens.

Carta ao Provincial de Portugal escrita da Bahia no anno de 1551.

Carta escrita da Bahia a 10 de Julho de 1555 ao mesmo Provincial. Estas Cartas sahiraõ traduzidas em Italiano com outras. Veneza por Michel Tramezino 1559. 8.

Carta escrita do Porto seguro em 6 de Janeiro de 1550 ao Provincial de Portugal em que lhe narra os trabalhos da Missaõ, e dos impedimentos que se offerecem para a conversaõ da Gentilidade. He muito extensa. sahio vertida em Italiano com outras. Veneza por Michel Tramezino 1561. 8.

Carta escrita da Cidade de S. Salvador da Bahia no anno de 1552 ao P. Geral. Sahio vertida em Latim com outras. Lovanis apud Rutgerum Welpium 1569. & ibi per eumdem Typ. 1570. 8. in Epistol. Ind. & Jap.

As Cartas seguintes se conservaõ escritas pela maõ do P. Nobrega em o Archivo da Casa Professa de S. Roque de Lisboa.

Carta escrita da Bahia em Abril de 1549 ao P. Simaõ Rodrigues.

Carta escrita ao dito P. com o supplemento da primeira.

Carta escrita da Bahia a 9 de Agosto de 1545 ao P. Simaõ Rodrigues, com huma Relaçaõ do Brasil. He muito extensa. Della transcreveo grande parte o P. Franco Imag. da Virt. do Nov. de Coimb.Tom. 2. liv. 2. cap. 3. n. 6.

Carta escrita de Pernambuco a 11 de Agosto de 1551. Desta transcreveo algumas clausulas o allegado Franco cap. 4. n. 3.

Carta escrita de Pernambuco a 13 de Setembro de 1551 aos Padres de Coimbra.

Carta escrita da Capitania de S. Vicente no 1 de Julho de 1560 ao Cardeal D. Henrique. He muito extensa.

Carta escrita da Bahia a 5 de Julho de 1560 ao Governador Thomé de Sousa. Consta de nove paginas.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]