MANOEL DAS POVOAS, natural de Lisboa, onde teve por progenitores a Diogo Fernandes das Povoas Cavalleiro professo da Ordem de Christo, e Provedor da Alfandega de Lisboa, e a D. Luiza de Goes de igual nobreza á de seu Consorte. Cultivou a Poezia vulgar com grande engenho, e naõ menor piedade. Foy instruido em todo o genero de erudiçaõ, e obteve hum Canonicato na Cathedral da sua patria onde piamente falleceo em o primeiro de Dezembro de 1625. Jaz sepultado na Capella Collateral da parte da Epistola do Cruzeiro do Convento do Carmo, dedicada a N. S. da Conceiçaõ padroado da sua Casa. Compoz em Tercetos Castelhanos, que comprehendem 30 Cantos.

Vita Christi. Lisboa, por Pedro Crasbeeck 1613. 4.

A esta obra como a seu Author aplaude Manoel de Faria e Sousa Comment. das Rim. de Cam. Tom. 4. pag. 2. es Poema largo, como el de Dante y digno de estima. e na 3. Part. da Fuent. de Aganip. Discurso Prelim. n. 32. En ellos (falla dos Tercetos em que he composto o Poema) escrivio nuestro Povoas la Vida de Christo, y nò infelizmente. Lope da Vega Laurel de Apollo. Sylv. 3.

Y con sus Rimas Tripodas, e Povoas

Que honrò la lengua Castelhana tanto

Cantando en voz qual la materia triste, &c.

D. Franc. Manoel Carta 1. da Cent. 4. das suas Cartas. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 270. col. 2. e Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. E. n. 67.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]