AFFONSO DE BARROS, de quem Nicolao Antonio afirma, ser natural de Segovia, o faz indubitavelmente Portuuez João Franco Barreto na Biblioth. Lusitana M. S. cuja asseveração he conforme à judiciosa critica do insigne antiquário Manoel Severim de Faria. Nós somente amantes da verdade, posto que conheçamos, que a família de Barros seja Portugueza, como nesta Bibliotheca se veraõ muitos Escritores Portuguezes com este appellido, e se naõ ache este entre as famílias Castelhanas das quaes difusamente escreveraõ nos seus Nobiliarios Gonçalo Argote de Molina, e outros Genealogicos, assim como naõ queremos defraudar a Castella deste escritor, assim naõ receamos atribuillo a Portugal. Nesta incerteza da sua verdadeira Patria, o que naõ padece a menor duvida he que foy Affonso de Barros filho de Pays honrados, ornado de vivo engenho, suficientemente instruído nas letras humanas, de grande talento, assim na Corte, como na Campanha, sendo Quartel Mestre dos Reys de Castella Felipe II e III até o fim da sua vida, que foy em Madrid no anno de 1604. Foy sepultado na igreja de N. Senhora do Loreto da mesma Corte. Escreveo: Filosofia cortezana moralizada. Madrid por Pedro de Madrigal, 1587, 12. Perla de Proverbios morales. Madrid, 1601, cujo livro ilustrou, e argmentou com o titulo de Proverbios concordados Bartholameu Ximenes Paton. 1615, 4 e depois em Lisboa porPedro Crasbeeck 1617, 4. Memorial sobre el reparo dela Milicia, que naõ sahio à luz, como outras obras que afirma Mattheos Aleman no elogio que lhe faz aos Proverbios concordados, manifestaõ claramente a grandeza do seu author, de quem faz memoria o P. Antonio dos Reys no Enthusiasm. Poet. Impresso no principio dos seus epigramas, n. 174.

 

[Bibliotheca Lusitana, Historica, Critica e Chronologica, vol. 1]