MANOEL SOEIRO, Commendador de S. Martinho do Bispo da Ordem Militar de Christo, da qual era Cavalleiro professo, e Senhor de Voorden Cidade das Provincias unidas em o Paiz Baixo sobre o Rhim, naceo em a Cidade de Anveres a 20 de Fevereiro de 1580 sendo filho de Francisco Lopes Soeiro natural da Cidade de Loulé, em o Reino do Algarve Consul da Naçaõ Portugueza em Anveres, e de Leonor Soeiro. Estudou no Collegio patrio dos Padres Jesuitas as letras humanas, onde teve por Mestres a Egidio Schondoncko, e Heriberto Rosweido, que acreditaraõ o seu magisterio com tal discipulo, em que competia a felicidade da memoria com a penetraçaõ do juizo. Nas disciplinas Mathematicas foy instruido pelo Doutor Miguel Cogneto nas quaes fez taes progressos que as podia ensinar no tempo de as aprender. Das lingoas mais polidas da Europa teve profunda intelligencia fallando com tal pureza a Castelhana, e Portugueza, como se fora nacido em Madrid, e Lisboa. Foy muito Versado na liçaõ da Historia profana observando o estylo dos mais celebres Escritores, que copiou nas suas obras. Falleceo na Cidade de Bruxellas no anno de 1629, quando contava 42 annos de idade. Jaz sepultado em huma Capella que mandara edificar no Cruzeiro do Convento dos Carmelitas Descalços de Anveres, dedicada a N. Senhora da Conceiçaõ, cuja imagem de estatura natural he fabricada de prata. Sobre o mausoléo situado á parte do Evangelho está a sua estatua em pé vestida de armas sustentando na maõ direita o bastaõ, e de baixo da esquerda alguns livros. Por sua diligencia, e despeza se abriraõ em laminas com todo o primor os Retratos dos Reys Portuguezes que sahiraõ no Anacephaleoses Regum Lusitaniae, que compoz o P. Antonio de Vasconcellos Jesuita, e se imprimiraõ em Anveres no anno de 1621, onde no Prologo lhe faz o seguinte elogio. Vir & multarom linguarum, & optimarum scientiarum laude clarus, et ubique summo foco habitus, tam propter eximias animi, &corporis dotes, quam ob luculentos libros quos edidit, & alios, quos in lucem faetura proxima emittet. A este elogio correspondem Ant. Carol. Wich Bib. Cisterc. In antiquitatibus tum sacris tum profanis versatissimus. Bonucci Hist. di D. Alphons. Henriq. liv. 1. cap. 1. deligente scrittore. Val. Andre. Bib. Belg. p. 203. politissimi vir ingenii, varia rum linguarum, & disciplinarum, imprimis verò Historices, ac Mathematices gnarus fuit. Joann. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. E. num. 80. Vir nabilis, &eruditus Franc. Severtius. Athen. Belgica. p. 228. Vir &multarum linguarum, &optimarum scientiarum laude clarus. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 273. col. 2. Hispaniae nostrae decus. Brandaõ Mon. Lusit. Part. 3. liv. 8. cap. 2. diligente Escritor das cousas de Flandes o addicion. da Bib. Geograf. de Ant. de Leaõ Tom. 3. Tit. unic. col. 1456. Franc. de Santa Maria Diar. Portug. Tom. 3. p. 341. Foy muito noticioso das lingoas, e das sciencias. Compoz

Descripcion breve del Paiz baxo. Anveres por Giraldo Wolschacio. 1622. 8.

Brucellas por Francisco Foppens 1666. 8. & ibi 1668. 12.

Annales de Flandes. Anveres por Pedro y Juan Belleros 1624. fol. 2. Tomos. Em aplauso desta obra cantou Lope da Vega Carpio o seguinte elogio.

Divino Emmanuel gloria del Luso,

Calle Tacito yà, calle Polibio

Con historia más grave y más llustre:

Que el Cielo vivo ingenio te dispuso

Para que fizesses Lusitano Libio

Gloria de España, y de Germania lustre.

Sitio de Bredá rendida a las armas delRey D. Filippe. Anveres na Officina Plantiniana 1627. fol. He traduçaõ da lingoa Latina do P. Hermaõ Hugo Jesuita, como saõ as seguintes obras vertidas elegantemente na lingoa Castelhana da Latina, em que escreveraõ taõ famosos Authores.

Obras de Cayo Cornelio Tacito. Anveres por Pedro, y Juan Belleros. 1613. 4. e Madrid por la Viuda de Alfonso Martim. 1614. 4. He esta traduçaõ estimada sobre todas as que fizeraõ Antonio de Herrera, Balthezar de Alamos, e Carlos Coloma.

Obras de Cayo Crispo Salustio. Anveres, por Juan Resberg. 1615. 4.

Obras de Cayo Velleio Paterculo. Anveres por Juan Cnobbar. 1630. 8.

Governo dos Olandezes, e hum Discurso sobre a riqueza que deu guerra a Flandes. M. S. Conservava-se na Livraria de Manoel Severim de Faria Chantre da Cathedral de Evora.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]