MANOEL SOARES DE ALBERGARIA, natural de Lisboa, e hum dos mais florentes engenhos da sua idade principalmete na metrificaçaõ de Versos vulgares, e Latinos em que a sua Musa se remontava ao Cume do Parnasso para ser dignamente laureado por Apollo. Na Universidade de Coimbra se aplicou ao estudo da Jurisprudencia Cesarea em que sahio eminente, e para mostrar a facilidade com que metrificava, foy o primeiro que fez a sua liçaõ de Bacharel no anno de 1604 em Verso Heroico Latino, e se imprimio com este titulo.

Poetica Repitio Legis Sancimus verssin autem 2. Cod. de Testam. In Bachalaureatus examine intra praefinitum unius diei spatium composita, memoriae que mandata, & publice habita ab Emmanuele Soares de Albergaria. Conimbricae apud Didacum Gomes de Loureiro. 1604. 4.

Escandalizado de algumas injustiças que a Universidade com elle usara se retirou para Madrid, onde recebeo a roupeta de Jesuita conservando entre os eruditos opiniaõ de grande talento assim nas letras amenas, como severas. As suas Poezias vulgares saõ aplaudidas por Manoel de Faria e Sousa, Prol. da 1. Part. da Fuent. deAganip. e no Discurs. aos Sonet. n. 16. Entre o Coro dos Poetas Portuguezes o colloca Jacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Lusit. Estant. 46.

Manoel Suares copia en sus despojos

Lustres del gran poder de Albergaria;

Nunca heroica pluma le diò enojos,

Si de la suya suelta la armonia.

Para la elevacion paran los ojos,

Al decoro, que alienta en la Poesia:

Tan hijo de las Musas me parece,

Que el laurel para honrarse en el florece.

Compoz

Cançaõ á brevidade da Vida. Começa.

Qual Tobias sentado

Na Ribeira do Tigris contemplava, &c. Sahio impressa na Miscel. de Miguel Leitaõ de Andrade. p. 151.

Vita P. Petri Ribadaneirae. S. J. Traduçaõ de Castelhano do P. Luiz da Palma Jesuita em Latim como affirma Gil Gonçalves de Avilla Theatr. de las Grand. de Madrid. p. 248.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]