MANOEL TELLES DA SYLVA, I. Marquez de Alegrete, e II. Conde de Villar-Mayor, Alcaide mòr de Albufeira, e Comendador de Moura na Ordem de Aviz, Gentil-homem da Camera dos Serenissimos Monarchas D. Pedro II. e D. Joaõ V. Concelheiro de Estado, Védor da Fazenda, e Ministro do Despacho, naceo em Lisboa a 13 de Fevereiro de 1641. Foraõ seus claros progenitores Fernaõ Telles da Sylva I. Conde de Villar-Mayor Governador da Relaçaõ do Porto, Regedor das Justiças, Governador das armas da Provincia da Beira, Concelheiro de Estado, e guerra delRey D. Joaõ IV. e Mordomo mór da Rainha Dona Luiza Francisca de Gusmaõ, e D. Marianna de Mendoça, filha de Simaõ da Cunha Trinchante da Casa Real, e Neta de Rodrigo Gomez da Cunha Copeiro mór dos Reys D. Joaõ III., e D. Sebastiaõ. Desde a primeira idade começou a habilitarse para idéa de hum consumado Ministro instruindo-se naquellas Artes, e sciencias proprias do seu nacimento para cuja comprehençaõ competia a viveza do talento com o disvelo do estudo. Entre todas as lingoas lhe mereceo particular affecto a Latina, como Princeza de todas bebendo os mais reconditos mysterios deste idioma das puras fontes dos Ciceros, Cesares, Livios, Paterculos, e Cornelios Nepotes, cuja elegancia se admirava felizmente transferida á sua penna, equivocando-se muitas vezes a copia com taõ insignes Originaes. Do ocio de Minerva passou para o tumulto de Belona assistindo com o posto de Coronel na restauraçaõ de Evora em o anno de 1663. Tanto se lhe anticipou a madureza do juizo á verdura da idade que quando contava 28 annos, foy nomeado Regedor da Casa da Supplicaçaõ, de que tomou posse a 24 de Setembro de 1669, naõ causando pequeno assombro, que neste veneravel Areopago da Lusitania produzisse sazonados frutos em annos taõ florentes. Para conduzir a Serenissima Rainha Dona Maria Sofia Isabel de Neoburg, segunda esposa delRey D. Pedro II. e filha do Eleitor Palatino Filippe Wilhelmo, partio com o Caracter de Embaixador Extraordinario á Corte de Heydelberg em 8 de Dezembro de 1686, e fazendo a sua publica entrada, com pompa magnifica a 30 de Junho de 1687 se restituhio a Portugal a 11 de Agosto do mesmo anno. Havendo exercitado o seu politico talento em obsequio desta Monarchia com igual desinteresse, que vigilancia, falleceo em Lisboa a 12 de Setembro de 1709, quando contava 68 annos de idade. Jaz sepultado na Sancristia do Convento do Carmo de Lisboa, jazigo da sua excellentissima Casa. Foy casado com Dona Luiza Coutinho, filha de Nuno Mascarenhas Senhor de Palma, e de D. Brites de Menezes de Castello-Branco, II. Conde de Sabugal, e Meirinho mór do Reino, de quem teve a descendencia seguinte, que na capacidade do talento naõ degenerou de taõ grande Pay. Fernaõ Telles da Sylva II. Marquez de Alegrete, e III. Conde de Villar-Mayor, Gentil-homem da Camara delRey D. Joaõ V. Concelheiro de Estado, e Embaixador á Corte de Viana, do qual se fez larga memoria em seu lugar: Nuno da Sylva Telles Deaõ de Lamego, Conego de Evora, Lente de Canones em a Universidade de Coimbra, Sumilher da Cortina delRey D. Pedro II. Deputado do Concelho Geral do S. Officio, e da Mesa da Consciencia: Antonio Telles da Sylva Arcediago da Sé de Lisboa, e Lente de Canones na Universidade de Coimbra: Joaõ Gomes da Sylva, IV. Conde de Tarouca por casar com a herdeira desta Casa Dona Joanna Rosa de Menezes, Deputado da Junta dos Tres Estados, General de Batalha, e Mestre de Campo General, Embaixador extraordinario, e Plenipotenciario á Paz de Utrech, Mordomo mór da Rainha D. Marianna de Austria, e Embaixador extraordinario á Corte de Madrid: Dona Marianna de Castello-Branco, que casou com Francisco de Mello Monteiro mór do Reino: D. Margarida Coutinho, Dama da Princeza D. Izabel, que se desposou com D. Pedro Manoel V. Conde da Atalaya: D. Catherina de Menezes, que casou com D. Filippe de Sousa Capitaõ da Guarda Real, Deputado da Junta dos Tres Estados: D. Izabel Autta Religiosa no Convento da Madre de Deos situado fora dos muros de Lisboa, e Dona Francisca Rosa de Menezes, que casou com D. Francisco de Portugal II. Marquez de Valença, e VI. Conde de Vimioso. Fazem honorifica memoria deste Grande Cavalhero o Doutor Ignacio Pereira de Revisionib. cap. 7. n. 10. mayorum sane clarissimo splendore illustris, & morum, virtutum que illustrium mirabili nitore splendidior. O Illustrissimo Conde da Ericeira Paral. de Var. Illustr. na addiçaõ pag. 332. Foy muito sciente, e amante das obras de Cicero. Fr. Franc. da Nativid. Lenit. da dor. p. 241. Exemplar dos Cortezãos, idéa de Politicos, e espelho de Palacianos. D. Anton. Caet. de Sousa Hist. Gen. da Cas. Real Portug. Tom. 9. liv. 8. pag. 609. Foy hum dos mais excellentes Ministros de Estado que teve este Reino, com grande talento para os negocios, e admiravel modo na resoluçaõ delles, com grande erudiçaõ na Historia, e no Apparat. á mesma Hist. p. 160. §. 195. Varaõ grande, e erudito em que se uniraõ virtudes, e partes que o constituiraõ hum dos celebres Ministros do seu tempo. Fr. Manoel de Sá Mem. Hist. da Ord. Do Carm. p. 170. excelso, magnanimo, e erudito. Menchen. Bib. Vir. milit. illustr. p. 447. Acta Erudit. Suplem. Tom. 6. sect. 7. pag. 330. Compoz

De rebus gestis Joannis II. Lusitanorum Regis Optimi Principis nuncupati. Ulysipone apud Michaelem Manescal 1689 4. & Hagae Comitum apud Adrianum Moetjens. 1712. 4.

Carta escrita de Salvaterra em 12 de Fevereiro de 1680 a D. Fernando Correa de Lacerda, em aplauso da Vida de S. Izabel Rainha de Portugal, que escrevera. Sahio ao principio desta obra, Lisboa por Joaõ Galraõ 1680. 4.

De rebus gestis Joannis Primi Lusitanorum Regis. Della tinha escrito quarenta paginas.

Epistolae Familiares. 4. Eraõ 180. Epigrammata, & Elegiae.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]