MANOEL TELLES DA SYLVA, III. Marquez de Alegrete IV. Conde de Villar-Mayor, e Gentil homem da Camara delRey D. Joaõ V. Commendador das Comendas de Albufeira, de S. Joaõ da Villa de Moura, Santa Maria de Rio-Mayor da Ordem de Aviz, e de S. Joaõ de Alegrete, Santa Maria de Soure, N. Senhora de Mortinhos do Porto de Moz, S. Quintino de Monte-Grasso, e de S. Pedro de Fins da Ordem de Christo. Naceo em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1682. Foraõ seus progenitores, Fernaõ Telles da Sylva II. Marquez de Alegrete, III. Conde de Villar-Mayor, Deputado da Junta dos Tres Estados, Embaixador á Corte de Viana, Concelheiro de Estado, Gentil-homem da Camera delRey D. Joaõ V., e Védor da Fazenda, e D. Helena de Noronha Viuva de D. Estevaõ de Menezes, Senhor da Casa de Tarouca, filha de Dom Thomaz de Noronha III. Conde dos Arcos, e Camarista do Principe D. Theodosio, Concelheiro de Estado delRey D. Affonso VI. e Presidente do Concelho Ultramarino, e de sua segunda mulher D. Magdalena de Borbon, filha de D. Luiz de Lima Brito, e Nogueira, I. Conde dos Arcos, e D. Victoria de Cardaillac. Na estudiosa aplicaçaõ das letras humanas, e das lingoas mais polidas naõ sómente imitou, mas excedeo a seus claros ascendentes passando a praticar as disciplinas Mathematicas com profundidade, a Arte de Cavallaria com destreza, e a da Altanaria com agilidade. Da pureza do idioma Latino hereditaria em a sua Casa foy observantissimo cultor, naõ lhe devendo menor disvelo a Poetica da qual exercitou com elegancia, e cadencia, como tambem a Musica, por cujas notas regulava o suave toque de diversos instrumentos. Acompanhou a Magestade delRey D. Pedro em o anno de 1704 na Campanha da Beira, e neste bellicoso theatro deu de seu valor naõ vulgares testemunhos, principalmente nas conquistas das Praças de Valença, e Albuquerque. Sendo instituida em o anno de 1721 a Academia Real da Historia Portugueza o nomeou perpetuo Secretario della seu augusto Protector, cujo lugar exercitou com summo zelo, e vigilancia. Foy ornado de todos aquelles dotes, que conciliaraõ estimaçaõ universal sendo (como eloquentemente descreveo o seu caracter o Illustrissimo, e Excellentissimo Marquez de Valença na Oraçaõ funebre, que recitou na Academia Real) douto sem ser presumido, agudo sem ser imprudente, vasto sem ser confuso, ameno sem ser pueril, maduro sem ser molesto, universal nas Artes sem ser superficial nas sciencias. Do seu prudente juizo formava taõ alto conceito o nosso Serenissimo Monarcha que o consultava em gravissimos negocios onde o seu voto sem injuria da rectidaõ era mais parcial da benignidade, que do rigor. Enfermando gravemente, como conhecesse ser chegado o tempo de pagar o tributo de mortal se preparou com todos aquelles actos catholicos, que lhe mereceraõ morte feliz a 9 de Fevereiro de 1736, quando contava 54 annos, e tres dias de idade. Ao seu nome dedicaraõ discretos, e elegantes Panegyricos os Illustrissimos, e Excellentissimos Marquez de Valença, e Conde da Ericeira, eternizando nestes eloquentissimos Padroens a memoria sempre saudosa deste Cavalheiro de quem faz honorifica mençaõ o P. Sousa. Hist. Gen. da Cas. Real Portug. Tom. 9. liv. 8. pag. 615. e nas Mem. Hist. e Gen. dos Grand. de Portug. p. 62. Foy casado com D. Eugenia de Lorena, filha dos Excellentissimos Duques do Cadaval D. Nuno Alvares Pereira de Mello, e de sua terceira mulher D. Margarida de Lorena, e desta esclarecida uniaõ sahiraõ, Fernaõ Telles da Sylva IV. Marquez de Alegrete, VI. Conde de Villar-Mayor Capitaõ de Cavallos de hum dos Regimentos da guarniçaõ da Corte o qual casou com D. Maria de Menezes, Prima com irmã, e Tia, filha de Joaõ Gomes da Sylva, e D. Joanna Rosa de Menezes IV. Condes de Tarouca: Nuno da Sylva, que sendo Thesoureiro mór da Sé de Lamego, casou em 12 de Junho de 1729 com D. Maria da Graça IV. Marqueza de Niza, e setima Condessa da Vidigueira, de quem deixou descendencia, e falleceo a 17 de Novembro de 1739: D. Margarida Anna Armanda de Lorena, que casou com seu Primo com irmaõ, e Tio D. Estevaõ de Menezes V. Conde de Tarouca: D. Helena de Lorena, que se desposou com D. Manoel de Assis Mascarenhas III. Conde de Obidos, e Meirinho mór do Reino, deixando descendencia, e fallecendo a 5 de Janeiro de 1738: D. Anna Clara de Lorena, que nacendo a 12 de Agosto de 1710, morreo, quando cumpria 3 annos de idade: D. Luiza de Lorena, que casou a 24 de Outubro de 1728 com seu Tio Dom Jozé Miguel Joaõ de Portugal outavo Conde do Vimioso: D. Maria de Lorena, que casando a 17 de Agosto de 1733 com D. Pedro de Noronha III. Marquez de Anjeja, falleceo a 17 de Janeiro de 1742. Compoz

Poematum liber prirmus, & Epigrammatum centuria prima. Ulysipone apud Paschalem á Sylva Regis, ac regiae Acad. Typog. 1722. 8. & Hagae Comitum apud Adrianum Moetjens. 1723. 4.

Historia da Academia Real da Historia Portugueza. Lisboa por Jozé Antonio da Sylva, Impressor da Academia Real. 1727.4. grande.

In laudem D. Joannis à Cruce ante Mariae Dei Genitricis imaginem Rosarii preces fundentis Carmen Elegiacum. Começa.

Jam celebrare preces jubeor quas funderat Heros &c.

Sahio nas Mem. Hist. Paneg. e Metric. do sagrado culto, com que o Convento do Carmo de Lisboa celebrou a Canonizaçaõ do Doutor Mystico S. Joaõ da Cruz. Lisboa, por Miguel Rodrigues 1728. 4. Neste livro estaõ dous Epigrammas do Marquez.

Tres Cartas Latinas a Antonio Rodrigues da Costa. Estaõ impressas no Tom. 1. da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa, por Paschoal da Sylva, Impressor de S. Magestade, e da Acad. Real. 1721. fol.

Conta dos seus estudos Academicos recitada no Paço a 22 de Outubro de 1727. No Tom. 7. da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa, por Jozé Antonio da Sylva. 1727. fol.

Conta dos seus estudos Academicos recitada no Paço a 22 de Outubro de 1728. No Tom. 8. da Collec. dos Docum. da Acad. Real Lisboa pelo dito Impressor 1728. fol.

Jacobo de Castro Sarmento Medico regalis Collegii Londinensis socio S. P.  D. Sahio no Tom. 10. da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa por Jozé Antonio da Sylva 1730. fol. He reposta á carta que lhe escreveo este Medico.

Elogio de Antonio Rodrigues da Costa rcitado na Academia a 13 de Março de 1732. No Tom. 11 . da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa pelo dito Impressor 1732. fol.

Quatorze Dedicatorias á Magestade delRey D. Joaõ V. impressas nas Collec. da Acad. Real, desde o anno de 1721. até 1734. fol.

Obras M. S.

Arte de Cavallaria composta pelo Duque de Neucastel, traduzida da lingoa Franceza na materna, e dedicada a seu cunhado o Duque de Cadaval D. Jayme de Mello insigne nesta Arte. Esta obra está illustrada com varia erudiçaõ extrahida dos escritores antigos, assim Latinos, como Gregos desde a fabula dos Centauros até os verdadeiros triunfos de Grecia, e Roma na Campanha, e os seus festivos exercicios no Hippodromo. fol.

Epitome da Historia de Portugal até o Reinado delRey D. Joaõ III. fol.

Tratado sobre a origem da Impressaõ. 4.

Tratado da Esfera em fórma de Dialogo, dividida em 12 Tratados. Grande parte desta obra recitou em sete Liçoens na Academia Portugueza, instituida em  Casa do Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes. 4.

Instrucçaõ util para os que começaõ ler a Historia com noticia de muitas Artes, e intelligencia de seus principios, e termos. 4.

Concilii Constantinopolitani III. historia in Epitomen poetice redacta.

Concilii Calcedonensis Epitome historicopoetica.

Epigrammatum centuria. Elegiae, & Odes.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]