D. MANOEL TOJAL DA SYLVA. Naceo em Lisboa a 2 de Janeiro de 1670. Teve por Pays a Luiz Tojal da Sylva Juiz da balança da Casa da India quinto Neto de Alvaro do Tojal, Cavalleiro da Ordem de Christo, o qual pelo Valor com que servio em Africa, como pela prudencia, e capacidade do seu talento mereceo que ElRey D. Manoel o nomeasse Thesoureiro de sua filha a Senhora D. Brites, quando se foy desposar com Carlos III. Duque de Saboya no anno de 1521, e voltando desta incumbencia o remunerou ElRey Dom Joaõ III. com o Officio de Juiz da balança da Casa da India, que ficou hereditario na sua familia. Sua Mãy D. Vicencia da Sylva Carneiro era de qualificada nobreza por descender da Familia dos Carneiros huma das principaes da Cidade do Porto. Desde a infancia descobrio tal felicidade de memoria, e perspicacia de juizo que foraõ infalliveis prognosticos do progresso que havia fazer nos estudos. Aprendidos os rudimentos Grammaticaes no Collegio patrio dos Padres Jesuitas se aplicou á Filosofia que dictava na Casa da Divina Providencia o Padre Dom Manoel Caetano de Sousa, de quem se fez memoria em seu lugar, e atrahido suavemente do instituto que professava seu Mestre, recebeo a roupeta Teatina a 25 de Março de 1686 professando solemnemente a 8 de Setembro do anno seguinte. Acabada a carreira dos estudos escolasticos se dedicou ao ministerio concionatorio onde a elegancia do estylo, e a discriçaõ da fraze lhe conciliavaõ as attençoens dos mais eruditos auditorios. Na Poezia Latina, Portugueza, Castelhana, e Italiana se distinguio dos mais celebres cultores do Parnaso dedicando sempre o sublime enthusiasmo da sua Musa a assumptos proprios do estado religioso. Todas as Academias que floreceraõ no seu tempo o pertenderaõ com louvavel competencia para seu alumno; como foy a Ecclesiastica que no seu Palacio instituhio Monsenhor Firrao Nuncio Apostolico, e depois Cardeal da Igreja Romana, onde na lingoa Latina explicou com elegante pureza os Canones mais difficeis dos Concilios. Na Portugueza restaurada no seu Palacio pelo Excellentissimo Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes foy Lente de Filosofia Moral; e ultimamente na Real da Historia Portugueza, se lhe distribuhio a Historia politica, e militar desde a Aclamaçaõ do Senhor D. Joaõ IV. até o tempo presente. Acometido de hum accidente apopletico a 12 de Novembro de 1738, que o privou da voz lhe deixou livre o juizo, com o qual dava claros sinaes da sua contriçaõ, e recebendo os Sacramentos da Eucaristia, e Extrema Unçaõ, falleceo a 29 do dito mez, quando contava 68 annos de idade, e 52 de Religiaõ. Compoz

Sermaõ do Desagravo de Christo Sacramentado no anniversario culto, que lhe consagra a real Irmandade dos seus Escravos na Igreja de S. Engracia, prégado em 16 de Janeiro de 1706. Lisboa, por Bernardo da Costa de Carvalho. 1706. 4.

Voto Metrico, e anniversario de sincoenta Sonetos à Purissma Conceiçaõ da Virgem MARIA Nossa Senhora, compostos desde o anno de 1665 até 1705 pelo Doutor André Nunes da Sylva, e continuados depois da sua morte até o anno de 1715 por outro devoto. Lisboa por Pascoal da Sylva, Impressor delRey 1716. 4. Os ultimos 10 Sonetos saõ compostos pelo P. D. Manoel do Tojal.

Hymno Stabat Mater dolorosa, traduzido em Portuguez. Começa. Junto á Cruz dolorosa . . . Estava a Mãy constante. . . Vendo pendente o Filho agonizante. Lisboa na Officina da Musica 1724. 12.

Elogio funebre do Reverendissimo P. Fr. Bernardo de Castello-Branco Academico da Academia Real. Sahio no Tom. 6. da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa por Jozé Antonio da Sylva 1726. fol.

Conta dos seus Estudos Academicos recitada na Academia a 4 de Janeiro de 1725. Sahio no Tom. 5. da Collec. dos Docum. Lisboa por Pascoal da Sylva 1725. fol.

Conta dos seus estudos Academicos no Paço a 22 de Outubro de 1728. No Tom. 8. da Collec. dos Docum. Lisboa pelo dito Impressor 1728. fol.

Conta dos seus estudos Academicos no Paço de Setembro de 1729. No Tom. 9. da Collec. dos Docum. ibi pelo dito Impressor 1729. fol.

Á morte do Excellentissimo Senhor D. Nuno Alvares Pereira de Mello I. Duque de Cadaval, Glossa da Outava 32 do Canto 8. da Lusiada do Principe dos Poetas Luiz de Camoens. Sahio no livro Ultimas Açoens do Duque D. Nuno. Lisboa, na Officina da Musica 1730. fol. a pag. 340. até 343. Dous Epigrammas Latinos ao mesmo assumpto. a pag. 305 e 306. Hum Soneto em louvor do Duque D. Jaime Author deste livro que está ao principio delle.

Aplauso Dramatico a los felices años de la Excellentissma Señora D. Maria Teresa Xavier Telles, hija de los Excellentissimos Señores D. Rodrigo Xavier Telles Castro y Sylveira, y de la Excellentissima Señora D. Victoria de Tavora Condes de Uñon. ibi por Jozé Antonio da Sylva 1730. 4.

Coroa das Dores da B. V. MARIA, e modo de se ocupar mais algum espaço do tempo do que o costumado na Meditaçaõ das suas rigorosissimas penas para assim merecer melhor o seu amor na vida, e na morte a sua protecçaõ. 12. Naõ tem anno, nem lugar da Impressaõ.

Endechas Endecasylabas á morte da Serenissima Senhora D. Francisca. Lisboa, por Antonio Isidoro da Fonseca 1736. 4. Sahiraõ sem o seu nome nos Accentos saudosos das Musas, &c. Começa Ao pé de hum monumento.

Sermoens 1. Parte. Lisboa por Jozé Antonio da Sylva, Impressor da Academia Real. 1738. 4.

A 2. Parte está corrente com todas as licenças para a impressaõ, e se conserva na Livraria dos Padres Teatinos desta Corte.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]