Sor MARIA MESQUITA PIMENTEL, natural da Villa de Estremoz da Provincia Transtagana, e filha de Joaõ Pimentel da Sylva descendente de nobre geraçaõ que se elevou a mayor grandeza com a produçaõ desta Heroina, que desposando-se com o divino Cordeiro em o Convento Cisterciense de S. Bento de Castris situado fóra dos muros da Cidade de Evora, e naõ de Cellas do Bispado de Coimbra como escreveraõ Nicolao Antonio, e Jorge Cardoso. Foy exemplar de virtudes monasticas assim no estado de subdita, como de Prelada. No fim das horas Canonicas assistia no Coro em Oraçaõ ouvindo mentalmente os documentos com que seu divino Esposo a instruia para fazer mayores progressos na vida espiritual. Liquidava o coraçaõ pelos olhos todas as vezes que ouvia fallar da Paixaõ do Redemptor, a cujo sangue copiosamente derramado pelos homens correspondia com larga corrente de lagrimas. Como se tivera frequentado as aulas discorria profundamente em materias altissimas mostrando, que as aprendera na mesma escola em que foy discipulo o Mestre das Gentes. Recitava todos os dias o Psalterio para alivio das Almas do Purgatorio. Taõ severa se mostrava comsigo, como benevola com as domesticas. Cumulada de tantos merecimentos passou a ser coroada no Imperio, em o 1 de Novembro de 1661, quando contava 80 annos de idade, deixando muito saudosas as suas companheiras, principalmente sua irmãa Escolastica da Sylva e Lemos, que com ella competia no exercicio das virtudes. Fazem mençaõ da sua pessoa Nic. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 71. col. 1. Cardoso. Agiol. Lusit. Tom. 3. p. 442. col. 1. no Coment. de 18. de Mayo letr. E. Fr. Bernardo de Brito Chron. de Cist.  liv. 6. cap. 34. Fonseca. Evor. Glor. p. 385. e 415. Theat. Heroin. Tom. 2. pag. ,76. Compoz

Infancia de Christo, e Triunfo do divino Amor. 1. Parte. Lisboa por Jorge Rodrigues 1638. 8. He composto em 8. rima, e consta de 10 Cantos com seus argumentos onde se conhece a vasta noticia de letras divinas, e humanas em que era versada a Authora.

A 2. Part. Consta da Vida, e milagres de Christo.

A 3. Part. consta da Paixaõ do Redemptor.

Conservaõ-se ambas no Real Convento de Alcobaça.

O P. Antonio dos Reys Enth. Poet. n. 278 louva esta obra, e sua Authora com estas expressoens metricas.

Illa Pimenteliae Gentis nova gloria, Pindo

Nomen in excelso magnum viridantia floru

Serta gerens niveo pulsabat pectine chordas,

Infantique parãs meliora crepundia Verbo

Omnia facta tener quae Tu, bone Christe, puellus

Gessisti conscripta libro tibi donat: Amoris

Divinique canit tenebroso ex hoste triumphos.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]