MIGUEL LUIZ TEIXEIRA. Naceo na Freguesia de S. Gonçalo da Villa da Cachoeira no reconcavo da Bahia a 8 de Setembro de 1716, sendo filho de Simaõ de Abreu Teixeira, e Antonia Luiz de Barros descendentes de familias nobres. Aprendeo as regras da Grammatica, figuras da Rétorica, e preceitos da Poesia com seu tio paterno Gaspar da Cunha Coutinho, e antes de contar 18 annos de idade cantou em hum Poema Epico Latino distribuido em doze livros o Triunfo de Christo Senhor nosso alcançado do peccado, e da morte ornado com sentenças dos Santos Padres, e noticia da Historia Sagrada, e profana. Passou a cultivar os estudos severos no Collegio da Companhia de Jesus da Bahia, onde recebeo o grao de Bacharel, e Mestre em Artes. Ordenado de Presbytero se aplicou á Theologia especulativa, Moral, e exercicio da Predica em que naõ he infeliz o seu engenho. Ultimamente deixada a patria passou á Universidade de Coimbra a frequentar o estudo da Jurisprudencia Canonica na qual recebido o grao de Doutor, exercitou com igual litteratura, que integridade os lugares de Provisor, e Vigario Geral do Bispado do Algarve. Compoz

Periarchon Metricum cui argumentum suppeditat aurea felicitas, praestantissima magnficencia, & pietas optima Serenissimi Augustissimi Domini Joanis V. Regis Lusitaniae, & Algarbiorum, ac ditionum acquisitarum Dominatoris Potentissimi, Invictissimi, Maximi. Conimbricae apud Antonium Simoens Ferreira Univers. Typog. 1747. 4. grande. Consta de 214. distichos latinos, e no fim huma Ode Saphica. Todas as margens estaõ cheyas de allegaçoens em que mostra o Author a vasta noticia de toda a erudiçaõ.

Illustrissimo & Sapientissimo Domino D. Michaeli Lucio de Portugal magnas Canonum Thefes propugnanti. Poema. Consta de 14 distichos latinos. No fim hum Epigrama ao Illustrissimo e Excellentissimo Conde do Vimioso sendo Padrinho do Auto do Doutoramento de seu irmaõ D. Miguel Lucio de Portugal. Conimbricae apud eundem Typ. eod. anno. fol.

Oraçaõ Funebre nas Exequias, que á Magestade Fidelissima do muito alto, e Poderoso Rey, e Senhor D. Joaõ V. celebrou a Cathedral de Faro em 29 de Agosto  de 1750. Lisboa por Francisco Luiz Ameno 1751. 4.

Poema Elegiaco, e Pathetico á Paixaõ de Christo, e Soledade de sua Mãy Santissima. Está ainda imperfeito.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]