MENEGALDO, intitulado Mestre, muito perito na Historia assim sagrada como profana, escreveo com estylo sincero

Historia Mundi Generalis. Principiava. Assyriorum igitur Rex. Acabava. Obtinuit solus. Foy escrita no anno de 1236. a qual se conservava em caracteres gothicos na Bibliotheca do Real Convento de Alcobaça encadernada em bezerro branco, e della se aproveitou Fr. Bernardo de Brito para a composiçaõ da Monarchia Lusitana, e da sua existencia certa no tal Convento o atestou em 15 de Setembro de 1595 o Doutor Jeronymo de Souto, como o fez com a obra de Mendo Gomes de que assima se fez mençaõ. D. Nicolao Antonio Bib. Vet. Hisp. Tom. 2. p. 270. col. 1. teimosamente se empenhou a naõ dar credito a estes, e outros Authores antigos, cujas obras existiaõ no Real Convento de Alcobaça, fundando a sua duvida de que no tempo de Fr. Antonio Brandaõ Monge Cisterciense, e Chronista mór do Reino naõ existia a tal obra, de cuja falta se naõ póde legitimamente inferir que no tempo precedente a Brandaõ naõ se conservasse em Alcobaça, pois se o mesmo Nicolao Antonio escreve que lera, que na Bibliotheca do Real Convento do Escurial havia a obra de Menegaldo, porque razaõ naõ poderia existir em Alcobaça. Para ultima prova de que naõ foy fingimento da penna de Fr. Bernardo de Brito este Escritor, e que certamente existia a sua Historia do mundo a publicou (como ja notamos, quando se fez mençaõ de Angelo Pacense) o celebre Filologo Luiz Antonio Muratori Bibliothecario do Duque de Modena no 4. Tom. dos Anedoctos, donde se conclue contra Nicolao Antonio, que a obra de Menegaldo era parto da sua penna, e naõ fiçaõ de Fr. Bernardo de Brito.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]