PAULO GONÇALVES DE ANDRADE, natural de Lisboa, e hum dos celebres alumnos do Parnaso Portuguez excedendo na afluencia das vozes, cadencia do metro, e elevaçaõ dos pensamentos aos mais celebrados professores da Poetica, assim domesticos, como estranhos exaltando á competencia o seu sublime enthusiasmo, principalmente os seus contemporaneos com os seguintes elogios. Manoel de Faria e Sousa Fuent. de Aganip. Part. 1. Cent. 6. Soneto 79.

Taõ altamente ó Paulo engenho, e arte

No acento teu gentil se remontaraõ,

Que nenhum termo grande me deixaraõ

Para que a ti sem ti possa louvarte.

A imitar desse plectro a menor parte

Desejos de aplaudirte me inflamaráõ,

E de o naõ conseguir me desculpáraõ

Com que era o competirte o imitarte.

Tu só te louva a ti que para tanto

Licenciandote estaõ nossas invejas

Que elogios te haõde ser mais numerosos.

Logra por gloria em nosso mudo espanto

Que quando de envejosos culpa sejas

Serás culpa ufana de envejosos.

Manoel de Gallegos Templ. da Mem. liv. 4. Estanc. 180.

Vós o Lauso amoroso, alegre, e brando,

Que abrazado de Sylvia na luz pura

Furtastes o licor ao doce bando

E a vossa Musa armaste de brandura.

Amor agora desterrado voe,

E em vossos versos só Medina soe.

Ant. Figueira Duraõ Laur. Parnas. Ram. 2.

Per styga Tartareum quod perjuravit Apollo

A potu jussus nectaris abstinuit.

Ille tamen legeret situnc tua camina Paule

Nectare juraret non carvisse suo.

Jacinto Cordeir. Elog. dos Poet. Est. 28.

Pablo Gonzales repetiendo amores

De Sylvia llore la repetida auzencia,

Pues es flor, que a las flores dá colores

Con antepuesta luz por assistencia.

Que gala iguala tan luzidas flores

Que flor su hermosa luz no reverencia.

Sea su misma luz en su alabança

Crepusculo del Sol de su esperança.

A estes elogios metricos correspondem os oratorios intitulandoo D. Francisco Manoel de Mello na Cart. 1. da Cent. 4. das suas Cartas Marino Lusitano. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. P. n. 5. chamando aos seus versos ingeniosissima, & concinatissima, e Fr. Joaõ Bautista Aguilar Theatr. de los Dioses Part. 3. liv. 1. cap. 6. Puede ser copia de la hermosura de Perses el retrato de perfectissima belleza, que con el pincel de la pluma, y colores de la Rhetorica, y Poesia pinto en la tabla del papel el ingenioso Portuguez Pablo Gonzales de Andrade, diziendo

Del thesoro, que Abril prodigo ofrece

El floreciente umbral el año abria, &c.

Publicou

Varias Poesias. Lisboa por Matheos Pinheiro 1629. 8. e Coimbra por Manoel Dias Impressor da Universidade. 1658. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]