PEDRO DE FARIA E SOUSA, naceo em a Cidade do Porto em o anno de 1617, sendo seus Progenitores o insigne Manoel de Faria e Sousa, Cavalleiro professo da Ordem de Christo, de quem se fez larga lembrança em seu lugar, e D. Catherina Machado, aos quaes acompanhou, quando assistiraõ nas Cortes de Madrid, e Roma, donde voltando a Madrid estudou as letras humanas em que sahio eminente. Preferindo o tumulto de Marte ao ocio de Minerva ocupou o posto de Capitaõ de Infantaria, cuja resoluçaõ lhe estranhou seu Pay no Soneto 81 do Cant. 6. da 1. Part. da Fuente de Aganipe.

Pondera Pedro a forte variada

Que em huma propria planta o Ceo ordena

Eu me esqueci da espada pela penna,

Tu te esqueces da penna pela espada.

Tendo contrahido matrimonio no anno de 1644, como sucedesse a morte de seu Pay passou de Madrid a Lisboa no anno de 1652 onde retirado do comercio humano consumia a mayor parte do tempo na liçaõ dos livros extrahindo delles diversas noticias, com que ornava as suas composiçoens. Como fora criado no gremio das Musas poetizava com afluencia, e elegancia admirando-se nos seus metros sublime engenho, summa discriçaõ, e elegante fraze. Entre as obras que intentava publicar se destinguiaõ

Poema a aclamaçaõ do Serenissimo Rey D. Joaõ IV. em 8. Rima.

Arte nova de fazer homens. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]