PEDRO DE ANDRADE CAMINHA, natural da Cidade do Porto, e Filho de Joaõ Caminha Vedor da Casa da Serenissima Infanta D. Izabel depois Emperatriz de Alemanha, e de D. Filippa de Sousa. Foy Camareiro do Senhor D. Duarte Irmaõ delRey D. Joaõ o III. que o estimava com excesso pelo grande talento de que era ornado principalmente na Poezia vulgar que lhe mereceo os encomios dos maiores Poetas seus Contemporaneos como eraõ Diogo Bernardes no Lima. Carta 3.

Andrade honra das Musas, lume nosso

Dos que as seguimos digo, mas naõ sei

Se dellas com razaõ chamarme posso.

E na Carta 11.

Andrade a quem Febo ensina,e encordoa

Com sua propria maõ a doce Lira

Que taõ doce, e taõ branda entre nós soa.

O Doutor Antonio Ferreira Poem. Lusit. liv. 1. das Cartas. Cart. 3.

Teu nome Andrade de que he bem que esperem

O de que ja sempre espantaraõ.

Quantos se vem, quantos depois vierem

Teu raro sprito de que se honraraõ.

As Musas que de ti tanto se deraõ,

E que tarde outro como a ti daraõ:

Os bons escritos teus que mereceraõ

Ou ouro, ou Cedro, pois ja nessa idade

Nos mostras nelles quanto em ti quizeraõ

As Musas renovar a antiguidade &c.

O mesmo Eglog. 10 ao Senhor D. Duarte.

Ja, senhor, o teu Andrade se aparelha

Ao alto canto desta empreza digno,

Ja com todas as Musas se aconselha

Em que modo, em que som mais peregrino

Cante teu Nome: e como colhe a abelha

Da milhor flor o seu licor divino

Assi escolhe o melhor de Apollo, e Marte

Para mostrar ao munfo o graõ Duarte.

Petrus Sanches Epist. ad Ignat. de Moraes.

Bellicus ille senex triplici qui corde tumescit

Praelia, qui cecinit Romani nominis, & qui

Belli ferratos postes, portasque refregit

Andradio cedes nostro, sub pectore cujus

Solùm bina latent sed nullo infecta furore.

Hic Latia jungat lingua si carmina nervis

Ad numeros videas Latias properare Camaenas;

Si Lusitana tentet modulamina voce,

Ad numeros videas Musas properare Taganas.

Foy cazado com D. Paschoela Coutinho Dama da Serenissima Rainha D. Catherina dotada de grande juizo, de cujos sentenciosos ditos se conservava hum livro na Bibliotheca do Chantre de Evora Manoel Severim de Faria. Falleceo em Villa-Viçosa em o anno de 1594. Compoz varias Poezias das quaes conservava hum volume M. S. na sua Livraria D. Antonio Alvres da Cunha Guarda mór da Torre do Tombo. Na Relaçaõ do solemne recebimento, que se fez em Lisboa ás Santas Reliquias, que se levaraõ a Igreja de S. Roque. Lisboa por Antonio Ribeiro 1588. 8. Estaõ as seguintes Poezias. Outava ás Santas Reliquias fol.118. Soneto ao mesmo, Assumpto. fol. 119. Tres Poemas em diverso metro ao dito Assumpto. fol. 119. Até 121. Soneto ao Santo Lenho. fol. 131. outro a N. Senhora fol. 135. outro aos Apostolos,   outro aos Martyres.fol.166.outro aos Confessores fol. 168. outro ás Virgens. fol. 169.

Dous Sonetos á Elegiada de Luiz Pereira

Soneto em louvor da Austriada de Jeronymo Corte-Real.

Epigramma Portuguez em aplauso do segundo cerco de Dio descrito poeticamente por Jeronymo Corte-Real.

Egloga entre dous Segadores Falconio, e Sylvano derigida ao Senhor D. Duarte. Consta de 29 Outavas. Começa

No campo do Mondego ao meyo dia.

Acaba

Terás o corpo ao sol, e a neve ao peito.

Egloga entre Androgeo, e Serrano. Mandou esta obra com hum Soneto que he o vigessimo outavo entre os de Francisco de Sá e Miranda para que lhe revisse, e aprovasse, a quem responde o Sá com o Soneto 29 dos seus impressos.

Nigralamio. Epitalamio jocoserio no cazamento de Diogo Mendes preto da Casa do Serenissimo Duque de Bragança com huma moça branca da mesma Casa. M. S.

Commentarios da Historia de Arzilla no tempo do governo de Antonio da Silveira. M. S. Vir egregius o intitula Cadabal Gravio Brachilogia. dedicando-lhe huns versos latinos que tinha explicado, com este titulo. Ad Generosum, ac inde virtutis studiosum Oratorem, atque Poetam Petrum ab drade Serenissimi, clarissimique Principis Eduardi Cubicularium. Delle se lembra Manoel de Faria e Sousa no Coment. das Rim. de Cam. Part.1. p.140.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]