Fr. PEDRO DE MAGALHAENS, natural da Villa de Torres-Vedras do Patriarchado de Lisboa, sendo filho de Ciriaco de Magalhaens, bisneto de Diogo de Magalhaens, cuja filha Isabel de Magalhaens casou com Joaõ Gomes da Vide, Alcaide mór de Penella, quarto neto de Fernaõ de Magalhaens, Senhor de Briteiros, e quinto Neto de Gil Affonso de Magalhães Senhor de Nobrega irmaõ de Joaõ de Magalhaens primeiro Senhor da Ponte da Barca. A nobreza de seu Pay derivado de taõ qualificados ascendentes correspondeo a de sua Consorte Brites Fragosa podendo ambos virtuosamente gloriarse da produçaõ de hum tal filho, que para augmentar os brazoens do seu nacimento se adoptou na preclarissima Familia Dominicana, recebendo quando contava 16 annos de idade o habito no Real Convento de Lisboa das mãos do Prior Fr. Agostinho de Sousa a 22 de Dezembro de 1610. O talento de que beneficamente o dotara a natureza para as letras impellio aos Superiores para ser admitido no Collegio de Santo Thomaz de Coimbra, theatro onde brilhou a sua profunda subtileza, e vasta comprehensaõ dictando as Sciencias escolasticas aos seus domesticos. Recebido o grao de Doutor na Faculdade de Theologia, foy Deputado da Inquisiçaõ de Evora a 28 de Junho de 1650, donde passou ao honorifico lugar de Deputado do Conselho Geral a 2 de Janeiro de 1653, e como ocupava a primeira Cadeira substituhio pelo espaço de alguns annos o lugar de Inquisidor Geral, que vagara por morte do Illustrissimo D. Francisco de Castro, do qual fora Confessor até tomar posse delle a 24 de Dezembro de 1671 o Excellentissimo Duque de Aveiro D. Pedro de Alencastre. Do ordenado que percebia do Santo Officio, e do lucro dos seus livros erigio no Convento de S. Domingos huma Capella a S. Pedro Martyr, e fabricou o sumptuoso sepulcro que serve de deposito ao Santissimo Sacramento desde Sexta feira Mayor até Domingo de Pascoa, e para que ardessem em obsequio do mesmo Senhor doze tochas, e setenta e quatro cyrios de arratel e meyo com varios profumes todo o tempo que nelle estivesse collocado, comprou hum juro de quarenta mil reis, dos quaes cobraria sinco annualmente hum religioso leigo em premio do cuidado que havia ter no dito sepulcro. Proveo de preciosos ornamentos a Sancristia, deixando por estas  religiosas dadivas saudosa memoria entre os seus domesticos. Falleceo piamente no Convento de Lisboa a 11 de Fevereiro de 1675, quando contava 81 annos de idade, e 65 de Religiaõ. Fazem honorifica lembrança do seu nome Echard Script. Ord. Praed. Tom. 2. p. 644. col. 1. Vir eximia probitatis, &eruditionis, spectataeque religionis. Nic. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 168. col. 2. Fr. Pedro Monteiro Cathal. dos Deput. da Inquisiç. de Evora. n. 68. Foy Religioso muy reformado, e dos mais doutos Theologos que neste Reino teve o seu seculo, e no Cathal. dos Deput. do Cons. Ger. n. 49. Foy religiosissimamente observante, e douto, e no Claust. Domin. Tom. 3. p. 293. Fr. Lucas de S. Catherina Hist. de S. Doming. da Prov. de Portug. Part. 4. liv. 1 cap. 3. e a p. 491. Compoz

Tractatus Theologicus de Sciencia Dei ad quaestionem xiv. primae partis S.

Thomae in duas partes distributus. Ulysipone apud Joannem da Costa 1666. 4.

Tractatus Theologicus de Praedestinationis executione in duas partes distributus, unam de efficacia, alteram de necessitate Gratiae ad quaestionem xxiii primae dictae partis. ibi apud eumdem Typog. 1667. 4. & Lugduni apud Joannem Thioly 1674. 8.

Tractatus Theologici ad primam Partem D. Thomae de voluntate, de Praedestinatione, de Trinitate. Ulyssipone apud Joannem da Costa 1669. 4.

Carta escrita a V. M. Sor. Brigida de S. Antonio religiosa de S. Brigida, da qual foy director espiritual. Sahio impressa na Vid. desta Ven. Serva de Deos, escrita por Fr. Agostinho de S. Maria Erimita Augustiniano Descalso a p. 267.

Instruçaõ para os Qualificadores cersurarem todas as Proposiçoes que tiverem os livros que lhes forem a rever. M. S. Desta obra fez mençaõ Fr. Pedro Monteiro Claust. Domin. Tom. 3. p. 293.

Elogio da V. M. Sor. Margarida da Resurreiçaõ religiosa Dominica no Convento do Sacramento, que mandou com outros ao Capitulo geral celebrado em Roma no anno de 1647. Desta obra faz memoria Jorge Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 2. p. 225. no Coment. de 18 de Março letra J. col. 2.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]