AFFONSO GIRALDES, não teve menor espirito para as armas, que para a Poesia. Foy hum dos valerosos soldados, que acompanharaõ ao nosso Principe D. Affonso IV quando foy socorrer o seu genro Affonso XI de Castella contra os Mouros, que com hum formidável Exercito tinhaõ cercado Tarifa, alcançando deles a celebre vitoria, que se deo junto às margens do rio Salado no anno de 1340. Voltando para a Patria mais cheyo de gloria, que de despojos descreveo como testemunha ocular todas as circunstanias de taõ memorável batalha com este titulo: Poema em que se descreve o sucesso da batalha do Salado. Cuja obra conservavaõ em seu poder Fr. Antonio Brandão, como escreve na Monarchia Lusit., part. 3, liv. 10, cap. 45 e Fr. Francisco Brand. Mon. Lusit., part. 5, liv. 16, cap. 13. Della fazem mençaõ Manoel de Faria, e Sousa Epit. das Hist. Port., part. 5, cap. 15 e no Elench. das obras M. S. que está no principio do tom. 1 da Asia Portug., n 82 Joan. Soar. de Brito in Theat. Lusit. Litter. Lit. A. n. 11 e o P. Antonio dos Reys in Enthusiasm. Poet. impresso no principio dos seus aguos epigramas n 192.

 

[Bibliotheca Lusitana, Historica, Critica e Chronologica, vol. 1]

 

AFFONSO GIRALDES. Segundo as indicações de Barbosa, colhidas nos auctores por elle apontados no artigo respectivo, Bibl. Lusit. tom. I. pag. 37, é constante que este Affonso Giraldes (de cujas circumstancias pessoaes apenas se nota a de ter assistido á batalha do Salado em 1340) compozera uma obra em trovas portuguezas, que uns chamam Poema, outros Romance, na qual descrevia o successo da referida batalha, como testemunha ocular. Fr. Antonio Brandão e Fr. Francisco Brandão expressamente declaram tel‑a tido em seu poder; mas se esteve em Alcobaça é certo que d’ahi desappareceu antes do anno de 1775 em que se imprimiu o Index Codicum Bibliothecæ Alcobatiœ no qual debalde a procuramos. Da citação que faz o P. Francisco José Freire nas suas Reflex. sobre a Lingua Portugueza, parte 3.ª pag. 59, assás se collige que elle viu, ou teve copia d’ella. Onde pois iriam parar essas copias, de que ao presente não encontro memoria em parte alguma? Existirão acaso em mão de algum particular, ou sahiriam para fóra do reino? Parece‑me que bom serviço faria ás letras quem podesse aclarar o ponto, e dar‑nos notícias da existencia d’este codice precioso e ignorado. No intento de excitar as diligencias e curiosidade de algum estudioso, que haja de dedicar‑se a esta indagação, lancei o presente artigo, alias extranho ao plano do Diccionario, visto que a obra de que se tracta nunca chegou a ser impressa.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]