AFFONSO DE LUCENA, natural da Villa de Trancoso na Provincia da Beira. Teve por Pays à Manoel de Lucena Ouvidor de Barcellos, e Criado dos Serenissimos Duques de Bragança D. Theodosio primeiro, e D. João o primeiro, e a Isabel Nogueira Sarayva, de igual nobreza à de seu consorte. Applicouse na Universidade de Coimbra à faculdade de Direito Cesareo, em que recebendo o gráo de Licenciado mereceo pelas suas letras particulares estimaçoens. Foy Cavalleiro da Ordem militar de Christo, Commendador de São-Tiago de Coelhoso, e Alcaide mór de Portel, e Evora Monte. Instituhio em 10 de Janeiro de 1611 o Morgado da Quinta dos Pechinhos situada no Termo de Villaviçosa com a condição, que extincta a sua descendência de ambos os sexos se uniria ao Morgado da Cruz que possue a Serenissima Casa de Bragança, para se repartir o seu rendimento pelos criados pobres da dita Casa, o qual Morgado possue hoje seu terceiro Neto D. Antonio Bernardo de Lucena, por sentença alcançada no anno de 1720. Casou em Villaviçosa com D. Isabel de Almeyda filha de André Mendes Bandeira, e de D. Leonor de Almeyda, onde morreo, e está sepultado no Convento das Religiosas da Esperança da mesma Villa. Para testemunhar a fidelidade do seu obsequio para com a Senhora D. Catherina Duqueza de Bragança, de quem fora Procurador, e Secretario, compoz juntamente com o Dezembargador Felix Teixeira, e se imprimio com outras: Allegação de direito oferecida ao muito alto, e muito poderoso Rey D. Henrique Nosso Senhor, na causa da sucessão destes Reynos, por parte da Senhora D. Catherina sua sobrinha filha do Infante D. Duarte seu Irmão a 22 de Outubro de 1579, Almeirim por Antonio Correa, e Francisco Correa aos 27 de Fevereiro de 1580. Foy traduzida esta obra em Latim pelo insigne Fr. Francisco de Santo Agostinho Macedo, e sahio com este Titulo: Jus succedendi in Lusitaniae regnum Dominae Catharinae Regis Emmanuelis ex Eduardo filio neptis Doctorum sub Henrico Lusitaniae Rege ultimo Conimbricensium sententiis confirmatum, Parisiis apud Sebastian. Cramoysi. 1641, fol. Memoria de algumas cousas pertencentes aos Duques de Bragança, escrita à Senhora D. Catherina Duqueza de Bragança M. S. fol. Faz delle repetida memoria Caramuel Philip. Prud., pag. 171, 271 e 273.

 

[Bibliotheca Lusitana, Historica, Critica e Chronologica, vol. 1]

 

AFFONSO DE LUCENA, Cav. da Ord. de Christo, Commendador da de S. Tiago, e Alcaide mór de Portel e Evora‑monte: Licenciado em Direito Civil, Secretario e Procurador da Duqueza de Bragança a sr.ª D. Catharina.-N. em Trancoso, e vivia ainda no anno de 1611. – E. e publicou, juntamente com outros jurisconsultos:

50) (C) Allegações de Direito, que se offereceram ao muito alto & muito poderoso Rei Dom Henrique nosso Señor na causa da soccessão destes Reinos por parte da Senhora Dona Catherina sua sobrinha filha do Infante Dom Duarte seu irmão a 22 d’Outubro de M.D.LXXIX. Impressas com licença. Anno 1580. – E no fim tem: Dos Tratados, que sobre este caso escreveram os Doutores acima appontados & o Doutor Felix Teixeira,& o Licenciado Affonso de Lucena Desembargadores da Casa do Duque de Bragança (que n’esta causa são procuradores da senhora dona Catherina) & muitos outros Letrados, foram compostas estas allegações pellos Doutores Luiz Corrêa Lente do Decreto,& Antonio Vaz Cabaço Lente de Vespera de Leis na Vniversidade de Coimbra, & pellos ditos Doutor Felix Teixeira, & Licenciado Afonso de Lucena. Impressas por Antonio Ribeiro & Francisco Corrêa em Almeirim… Aos 27 de Fevereiro 1580. – fol. de VI‑128 folhas, numeradas só na frente; tendo o frontispicio gravado em madeira, um ante‑rosto de igual gravura com as armas da casa de Bragança, e uma arvore genealogica da mesma casa.

Estas Allegações de que ha exemplares em Lisboa nas principaes livrarias publicas, e nas de alguns particulares, são livro de muita estima, e raro de achar no mercado. Seu preço é muito variavel, mórmente com respeito ao estado de conservação dos exemplares. De algum sei que foi pago por 4:800, subindo outros até 12:000 réis; e o sr. Campos, commerciante de livros na rua Aurea, me assegura ter vendido, ha pouco mais de anno, um por 15:000 réis!

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]