ROQUE MONTEIRO PAIM. Naceo em Lisboa a 25 de Mayo de 1643. Foraõ seus Progenitores Pedro Fernandes Monteiro Desembargador do Paço, Juiz da Inconfidencia, Ministro da Junta do Despacho, Comendador da Ordem de Christo, e D. Constança Paim. Quando contava 19 annos de idade recebeo em a Universidade de Coimbra a borla Doutoral na Faculdade de Direito Cesareo, e foy admitido a Collegial do Collegio Real de S. Paulo a 18 de Mayo de 1661. Depois de substituir varias Cadeiras com credito da sua litteratura passou para a Relaçaõ do Porto, e desta para a Casa da Suplicaçaõ a 7 de Outubro de 1666, onde mostrou que tinha igual talento para a Jurisprudencia pratica, que especulativa. Por ordem do Principe Regente despio a Béca, e o elegeo seu Secretario, e do seu Conselho, e Juiz da Inconfidencia, cujo lugar servira seu Pay sendo nesta administraçaõ utilissimo aos interesses politicos do Reino. Foy Conselheiro da Fazenda, e Ouvidor da Serenissima Casa de Bragança, e por muitas vezes servio as tres Secretarias de Estado, Merces, e Assinatura com geral satisfaçaõ. Assistio em todas as Juntas particulares para resoluçaõ dos negocios mais graves, em que o seu voto era sempre respeitado. Os seus merecimentos provados com tantas incumbencias lhe adquiriraõ as Comendas de Santa Maria de Companhã, de Santa Maria de Germonde da Ordem de Christo, o Senhorio da Honra de Alva com tres Igrejas de sua apresentaçaõ de juro, e Herdade, e o Senhorio dos Direitos Reaes de Villa Cahiz com o Padroado da Igreja, e dos Reguengos da Maya, e Agrella, e das Saboerias de Portugal. Falleceo em o lugar de Alcantara do termo de Lisboa a 24 de Junho de 1706. Jaz sepultado em hum soberbo Mausoleo na Capella mór do Convento da Santissima Trindade desta Corte, cujo Padroado comprou para a sua Casa. Foy casado com D. Joanna Maria de Menezes, filha de Lourenço de Mello, e de D. Bernarda Micaela da Sylva, de quem teve duas filhas: a primeira chamada Dona Constança Luiza Paim, casou a 28 de Janeiro de 1703 com D. Joaõ Diogo de Ataide Conde de Alva, Conselheiro de Guerra, Governador das Armas da Provincia do Alentejo, e Capitaõ General da Armada Real, de cujo consorcio naõ houve sucessaõ: a segunda filha chamada D. Maria Antonia Menezes Paim se desposou com Rodrigo de Sousa, filho segundo de Fernaõ de Sousa, Conde de Redondo, e Védor da Casa Real, e de D. Luiza Simoa de Portugal, filha de D. Rodrigo Lobo da Sylveira, e D. Maria Antonia de Vasconcellos primeiros Condes de Sarzedas, e deste matrimonio tem havido numerosa descendencia. Quando sucedeo o sacrilego roubo do Sacramento em a Freguezia de Odivelas em a noite de 10 para 11 de Mayo de 1671. Compoz a seguinte obra com este titulo.

Perfidia Judaica, Christus vindex munus Principis Ecclesia Lusitaniae ab Apostatis liberata. Discurso Juridico, e politico. Madrid 1671. fol. Sem nome de Impressor. Sahio impressa esta obra por deligencia de Francisco Paes Ferreira Capellaõ do Marquez de Gouvea, Embaixador neste tempo em Castella a quem a dedicou

Nobiliario de varias Familias, principalmente dos Monteiros, e Paims. fol. 2. Tom. M. S. Fazem memoria da sua pessoa D. Jozé Barbosa Mem. do Colleg. de S.Paulo. p. 231. e no Archiath. Lusitan. pag. 49. o Doutor Manoel Pereira da Sylva Leal Cathal. dos Colleg. do Colleg. de S. Pedro. p. 29. n. 121 e Sousa Mem. Hist. e Gen. dos Grandes de Portug. p. 190.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]