Fr. RODRIGO DE DEOS, natural de Britiande na Provincia da Beira do Bispado de Lamego. Atrahido do exemplar procedimento dos Religiosos professores do Serafico instituto da austera reforma da Arrabida naõ sómente quis ser seu companheiro, mas emulo das penitencias que severamente praticavaõ, de cujo exercicio, quando contava quatro annos de professo atenuado o cerebro perdeo o juizo que se lhe restituhio pelas oraçoens dos seus domesticos. O Vener. Fr. Damiaõ da Torre, que lhe lançara o habito no segundo Trienio do seu Provincialado, como fosse eleito Comissario geral o tomou por seu companheiro, com o qual discorreo por todas as Provincias do Reino sempre descalso, de cuja austeridade nunca admitio dispensa ainda que obrigado dos annos, e dos achaques. Nomeado Mestre dos Noviços os instruia menos com as palavras, que com os exemplos sendo sempre o primeiro para o trabalho, e o ultimo para o descanço. Assumpto ao lugar de Provincial no anno de 1601 visitou a Provincia descalso para servir de exemplar aos seus subditos na exacta observancia do instituto que sempre conservou no seu primitivo rigor. Compadecido dos evidentes perigos a que se expunhaõ as pessoas que de Cascaes, e Oeiras vinhaõ a Lisboa por causa dos rios de Laveiras, Linha pastor, e Alges que desaguavaõ na enseada do Convento de S. Jozé, e naõ se poderem vadear pela grande copia das agoas, suplicou ao Presidente do Senado D. Joaõ de Castro, que mandasse fabricar pontes, e calçadas para evitar os perigos que experimentavaõ os passageiros. Difficultava a execuçaõ de taõ justificada suplica a grande somma de dinheiro que nella se havia de dispender, porém com tal arte atrahio as vontades  repugnantes, que se resolveo fosse elle o director da obra, que brevemente se concluhio fabricando-se diversas pontes de cantaria, e varias calçadas para segura, e comoda passagem daquelles que vinhaõ a Corte, e se restituhiaõ ás suas casas. Sendo por duas vezes acometido de accidente de parlezia, como a natureza se achasse debil para resistir ao segundo, recebidos os Sacramentos com summa piedade, falleceo no Hospicio de Lisboa em o 1 de Fevereiro de 1622, quando contava 75 annos de idade, e 54 de habito. Jaz sepultado no Convento de S. Francisco da Cidade. Delle fazem memoria Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 1. p. 314. e no Coment. do 1 de Fevereiro letr. 1. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. R. n. 7. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 212. col. 2. Fr. Joan. á D. Ant. Bib. Franc. Tom. 3. p. 66. col. 1. e Fr. Ant. da Piedade Chron. da Prov. da Arrab. Part. 1. liv.5. cap. 24. Compoz

Tratado dos Passos que se andaõ na Quaresma com Antifonas, e Oraçoens muy devotas, &c. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1618. 8. & ibi por Domingos Carneiro. 1664. 4. & ibi por Henrique Valente de Oliveira. 1656. 4.

Motivos Espirituaes. Lisboa por Antonio Alvares 1633. 8. & ibi por Henrique Valente de Oliveira 1656. 4. & ibi por Antonio Crasbeeck 1674. 4. & ibi com additamentos por Miguel Rodrigues 1723. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]