Sor. LEONOR DE S. IOAÕ BAPTISTA nasceo em Lisboa no anno de 1565. onde teve por progenitores a D. Rodrigo de Castro Barreto que acabou gloriosamente na infeliz batalha de Alcacer, e a D. Leonor Pereira de Lacerda. Desprezando heroicamente o mundo que com aparentes felicidades a lizongeava, abraçou o Serafico instituto do reformado Convento de JESUS em a Villa de Setubal a 6. de Mayo de 1585. quando contava a florente idade de 15. annos. Nesta austera escola aprendeo a observancia de todas as virtudes religiosas merecendo por ellas como tambem pelo prudente juizo de que era ornada, administrar duas vezes o lugar de Abbadessa, sendo a primeira vez eleita a 14. de Outubro de 1617. e a segunda a 20. de Junho de 1628. Falleceo piamente a 17. de Abril de 1648. Quando tinha 78. annos de idade, e 63. de Religiosa. Escreveo com excellente estilo.

Tratado da antiga, e curiosa fundaçaõ do Convento de JESUS de Setuval o primeiro que houve, e se fundou neste Reyno de Portugal no anno de 1630 de Religiosas Capuchas, chamadas as pobres da primeira Regra de Santa Clara. Dedicado a D. Francisco Pereira de Castro Marquez de Ferreiro, Conde de de Tentugal, Senhor de Buarcos, Alvayazare, e Rabazal. 4. M. S. consta de 5. Partes. A primeira trata da Fundaçaõ, e antiguidade deste Convento de JESUS quem foraõ, e saõ os Padroeiros, e Benfeitores insignes delle. A segunda he huma lembrança das Santas, e louvaveis cerimonias, que se guardaõ por ordem da sua Regra, e estatutos, e as que se uzaõ para augmento dellas. Terceira trata das Reliquias, e mais cousas notaveis, que este Convento contem. Quarta faz mençaõ das Religiosas, que aqui entraraõ, viveraõ, e morrerão com notavel exemplo. Quinta, e ultima parte segue a Historia pelos triennios das Madres Abbadessas para se ir perpetuando a memoria de que pelo tempo em diante suceder; Religiosas, que entrarem, e morrerem.

Desta obra vimos huma copia de boa letra a qual tinha faculdade de Fr. Martinho de Santo Antonio Provincial da Provincia dos Algarves dada em Beja a 16. de Mayo de 1646. para se imprimir, cujo original se conserva na Cella da Prelada com preceito do Provincial para della se naõ extrahir. He muitas vezes allegado por Jorge Cardozo Agiol. Lusit. principalmente tom. 1. p. 308. col. 1. 376.  col. 2. 506. col. 1. e tom. 2. p. 439. col. 1.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]