THOMÉ DE TAVORA DE ABREU, natural da Villa de Chaves Praça de armas da Provincia Transmontana. Foraõ seus Progenitores Pedro Henriques de Tavora, e Antonia Pacheco Pereira igualmente nobres, e opulentos. Nos primeiros annos se aplicou a Musica, e Arithmetica, e em ambas estas sciencias fez naõ pequenos progressos. Passando a Lisboa estudou na Aula da Fortificaçaõ Architectura militar, onde teve partido Supranumerario que lhe mandou dar ElRey D. Pedro II. depois de discorrer por Espanha, França, e Italia se restituio a Portugal, e assentando praça no Terço da Infantaria de que era Coronel o Conde de S. Vicente Joaõ Alberto da Cunha, e Tavora, foy provido em Ajudante do numero por ser muito perito em todas as evoluçoens militares, e assistio em todas as Campanhas em que se disputava a sucessaõ de Espanha até o anno de 1705, cujo exercicio largou por ver que alguns dos seus companheiros lhe preferiraõ no premio, sendo inferiores no merecimento. Voltando para a sua Patria foy feito Official da Ouvidoria da Provincia de Tras os Montes, donde passou a Secretario do governo das Armas, cujo ministerio  exercitou por espaço de 25 annos com grande credito do seu desinteresse. Para se mostrar grato á sua Patria, escreveo

Descripçaõ da Villa de Chaves. fol. M. S. Começa. A Villa de Chaves tem por armas hum Escudo dentro do qual se vem as Reaes. Acaba. Do tempo dos mouros ha por estas partes muitas antigualhas, como saõ Fortalezas assim de pedra, como de torraõ, algumas grutas, e outras cousas, que se conhecem por fabricas dos Sarracenos, mas como nau tem inscripçoens, nem saõ de entendidade para a historia, se naõ faz mençaõ dellas. O original conserva o eruditissimo Jozé Freire Mascarenhas Montarroyo.

Secretario do governo das Armas de huma Provincia instruido por outro Secretario. 4. M. S. Compoz esta obra com intento que seu filho lhe sucedesse no lugar de Official da Vedoria.  Teve genio particular para a Poesia jocosa, e satyrica compondo muitos Versos dos quaes merecem distinta memoria os seguintes Entremezes.

Yo nada.

El Sueño de Mengo.

La horcada fingida.

La riña de Perico, e Menga.

La cena del Huesped.

El sacristan afeitado por la hija del Alcalde.

El marinero perdido. Bayle

Las quexas de Cintia. Bayle

La Justicia que hizo Pariz. Bayle

El galan en su retiro. Bayle

Dos disturbios, chimeras, e pataratas que ha no mundo. Obra Poetica, e Satyrica.

 

Bibliotheca Lusitana, vol. III]