VASCO FERNANDES DE LUCENA. Doutor na Faculdade de Leys, Chanceller da Casa do Civel, Chronista mór do Reino, Guardamór da Torre do Tombo do Conselho delRey, e Conde Palatino, foy hum dos Varoens mais famosos da sua idade assim na profundidade da litteratura, como na elegancia da fraze com que se explicava como testemunhaõ tres Embaixadas em que assistio por ordem dos seus Soberanos, sendo a primeira quando no anno de 1435 acompanhou a D. Affonso I. Marquez de Valença Embaixador de seu Tio ElRey D. Duarte ao Concilio de Basilea orando elegantemente na presença de Eugenio IV. e do Collegio Cardinalicio. A segunda quando foy a Roma por Ordem de Affonso V. á Santidade de Nicolao tambem V. do nome; e a terceira acompanhando a D. Pedro de Noronha Commendador mór de S. Tiago, e Mordomo mór delRey D. Joaõ II. que o mandou em o anno de 1484 dar obediencia a Innocencio VIII. assumpto á Cadeira de S. Pedro, em cuja presença recitou Vasco Fernandes a Oraçaõ obediencial, muito elegante com grande, e verdadeiros louvores do Papa, dos Reys de Portugal, como deixou escrito Garcia de Resende Chron. de D. Joaõ II. cap. 57. Igual aplauso conciliou ao seu nome, e á sua eloquencia no solemne acto das Cortes celebradas em Torres-Novas no anno de 1438, em que foy jurado D. Affonso V. recitando a Oraçaõ muito elegante, e cheya de muy doces palavras, e grandes sentenças, como affirma Ruy de Pinna Chron. de D. Affonso V. cap. 10. e 41. O mesmo elogio mereceo nas Cortes celebradas em Evora no anno de 1481, em que foy jurado D. Joaõ II. fazendo a Oraçaõ muy bem feita, e conforme ao caso, como diz Resende na Chron. do dito Rey cap. 25. Ainda vivia no anno de 1499 este insigne Varaõ que celebraõ com grandes elogios devidos ao seu incomparavel merecimento os Chronistas do Reino Ruy de Pinna, e Garcia de Resende nos lugares acima allegados: Christovaõ Ferreira de Sampayo Vid. de D. Joaõ II. pag. 20. vers. insigne hombre de aquella edad, en letras, e eloquencia. Illustrissimo Cunha Cathal. dos Bisp. do Porto. Part. 2. cap. 28. Nicol. Ant. Bib. Vet. Hisp. lib. x. cap. 14. §. 750. onde por equivocaçaõ lhe chama Joaõ Vasco, Spondan. Annal. Eccles. ad an. 1499. n. 2. escrevendo que Vasco Fernandes sahira contra a Steganographia de Trithemio Vlascum Lusitanum vi virum doctissimum, qui tanta eruditione per litteras cum ipso Trithemio egit, ut nemo eo prespicacior umquam fuerit á Trithemio compertus. Franc. Leitaõ Not. Chronol. Da Univ. de Coimb. pag. 403. n. 871, 874, 886. 887. Sousa Eva e Ave. Part. 2. cap. 61. n. 20. Alêm das Oraçoens que recitou na presença dos Summos Pontifices Eugenio IV, e Innocencio VIII, e nas Cortes celebradas em a Villa de Torres-Novas, e Cidade de Evora, compoz

Oraçaõ recitada no ajuntamento que fez dos Commendadores da Ordem de Saõ-Tiago em a Villa de Alcacer o Infante D. Fernando irmaõ delRey D. Affonso V, Governador da dita Ordem. 4. M. S.

Traduzio da lingoa Latina em a Portugueza por ordem do Infante D. Pedro Regente do Reino para instruçaõ de seu sobrinho D. Affonso V.

Instruçaõ para Principes composta por Paulo Vergerio.

Foy feita esta traduçaõ no anno de 1442 que era o 4. do reynado de Affonso V. Esta obra escrita em pergaminho, e primorosamente illuminada deu o Illustrissimo D. Jozé de Lencastro Inquisidor Geral, e Capellaõ mór ao Principe D. Joaõ que depois subia ao Trono com o nome de V, e se conserva na Bibliotheca Real.

Panegyrico de Plinio a Trajano.

Cicero de Officiis, & Senectute.

Ambas estas obras as traduzio em Portuguez, e as dedicou ao Principe D. Pedro que lhes mandou traduzir.

Tratado das Virtudes, que pertencem a hum Principe, derigido a Affonso V. M. S. Conservavaõ-se estas obras na Livraria do Duque de Aveiro Inquisidor Geral.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]